No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 estava em 10,660%, de 10,665% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2026 caía de 11,24% para 11,20%. O DI para janeiro de 2027 projetava taxa de 11,50%, de 11,60% ontem, e a do DI para janeiro de 2029 recuava a 11,88%, de 12,03%.
A curva perdeu inclinação não somente na semana como também nesta sessão, com os DIs longos recuando com mais força, favorecidos diretamente pelo ambiente externo e melhora na percepção de risco fiscal. As taxas chegaram pontualmente a reduzir o ritmo de queda no meio da etapa vespertina dada a piora do câmbio e redução de baixa dos juros dos títulos do Tesouro dos EUA, mas depois retomaram o fôlego.
A melhora na percepção de risco começou ainda ontem, com a entrevista conjunta de Haddad e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, mostrando sintonia em relação à necessidade de rever despesas, a partir de uma “revisão ampla, geral e irrestrita” do que pode ser feito.
Hoje, o ministro recebeu apoio dos grandes bancos na pauta de ajuste das contas públicas, o que tende a fortalecê-lo nas negociações com o Congresso. “Quando reafirmamos o apoio institucional ao ministro Haddad, o fazemos independentemente dos ruídos dos últimos dias”, afirmou o presidente da Febraban, Isaac Sidney ao Broadcast, após encontro.
Ainda, ao programa Papo com Editor, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, garantiu que a agenda de responsabilidade fiscal encabeçada pelo ministro e pela equipe econômica é também do presidente Lula. Disse ainda que há o apoio do governo a uma agenda de corte de gastos e a medidas que tenham como objetivo a organização do orçamento.
“A Febraban ressaltou a importância da figura do Haddad na busca do equilíbrio fiscal, trazendo um certo alívio para o mercado doméstico e diminuindo um pouco o ruído que a gente viu nos últimos dias”, afirmou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, destacando também o papel as taxas americanas no desenho da curva local.
Os yields dos Treasuries operaram em baixa, diante da expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) a partir de setembro. A leitura divergente dos dados da Universidade de Michigan manteve o quadro de queda dos rendimentos, com deterioração no sentimento do consumidor, mas aumento das expectativas de inflação. No fim da tarde, a taxa da T-Note de dez anos estava em 4,21%.
O economista-chefe do banco Bmg, Flávio Serrano, acrescenta entre os motivos para a baixa das taxas dos DIs os dados de atividade mais fracos no Brasil, na leitura do IBC-Br. O índice subiu 0,01% em abril ante março, bem menos do que apontava a mediana de 0,4%. Contudo, o resultado não foi suficiente para alterar as apostas para o Copom da próxima semana. A curva segue precificando entre 5% e 10% de chance de alta da Selic. Para o fim do ano, projeta taxa básica entre 11% a 11,25%.
“Semana que vem acreditamos que o BC manterá taxas estáveis em 10,50%, visto que próximos dados terão pouca influência. A decisão deve ser unânime. A partir daí, o segundo semestre deve refletir a espera do mercado por elementos de que o BC retomará ciclo de flexibilização”, afirmou Serrano. No cenário do BMG, o BC do Brasil só deve retomar os cortes nas taxas no primeiro semestre de 2025 e reduzir a Selic até 9,5%.