No Brasil, o boletim Focus e alguns índices de preços de junho vão nortear as expectativas de inflação e para a taxa Selic, assim como a Pesquisa Industrial Mensal de maio deve apontar o impacto no setor das enchentes registradas no Rio Grande do Sul.
As eleições no Reino Unido, previstas para a quinta-feira (4), também ficam no foco, assim como o resultado do primeiro turno da eleição legislativa na França, à espera do desfecho da disputa em segundo turno no domingo (7). A leitura preliminar de inflação ao consumidor na Alemanha integra os destaques no exterior, juntamente aos Índices de Gerentes de Compras (PMI) industriais de junho dos EUA da S&P Global e do Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês).
Nos próximos dias estão previstos ainda a ata do Fed na quarta-feira (3º), quando as Bolsas de NY e o mercado de Treasuries (títulos da dívida estadunidense) fecham mais cedo e não vão operar na quinta-feira (4), por causa do feriado nos EUA.
No cenário doméstico, investidores acompanham os dados de junho do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), para o qual a mediana é de alta de 0,34% após 0,53% em maio, e do PMI industrial do País da S&P Global. Também estão previstos o Índice de Preços ao Consumidor, calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) de junho na terça-feira (2º), os dados de produção industrial de maio na quarta-feira (3º) e a balança comercial de junho na quinta-feira (4).
Confira os 3 pontos mais importantes do dia
Bolsas internacionais
As bolsas na Europa sobem, assim como o euro e a libra se valorizam ante o dólar nesta segunda-feira, após o resultado do primeiro turno das eleições legislativas da França. A extrema direita conquistou mais de um terço dos votos, mas teve apoio menor do que o esperado. Há expectativas de que a extrema direita francesa não garanta maioria absoluta no segundo turno, no domingo (7). O presidente francês Emmanuel Macron perdeu força dentro e fora do país.
Já as leituras finais dos PMIs industriais da zona do euro e Alemanha caíram, porém, ficaram acima das previsões, enquanto o PMI do Reino Unido trouxe uma inesperada queda, embora ainda na zona de expansão.
Em Nova York, os juros dos Treasuries ampliam ganhos e os índices futuros das bolsas sobem, após as perdas do último pregão, enquanto investidores aguardam dados econômicos dos EUA, incluindo duas leituras de PMI industrial, antes da ata do Fed e do relatório payroll.
O mercado vê maior chance de início dos cortes de juros pelo Fed em setembro com probabilidade de redução acumulada de 50 pontos-base (pb) em 2024, após a divulgação do Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE) em linha com as previsões.
Na Ásia, as bolsas chinesas subiram após dados dissonantes de atividade manufatureira. O PMI industrial calculado pela S&P Global/Caixin mostrou leve avanço no mês passado, a 51,8, indicando expansão no setor, mas o dado oficial chinês ficou inalterado em junho ante maio, em 49,5, frustrando expectativa de alta e sugerindo contração do setor.
Além disso, o Banco do Povo da China (PBoC) estabeleceu como prioridades fortalecer a política monetária, mantendo a “liquidez razoável”, impulsionar o fornecimento de crédito e manter a oferta de dinheiro em nível consistente com as metas de crescimento do país asiático.
Em reunião para balanço sobre o segundo trimestre, os dirigentes do BC chinês também se comprometeram a manter a estabilidade do yuan e implementar medidas necessárias para evitar eventuais desvios desnecessários da taxa de câmbio.
Minério de ferro e petróleo
O otimismo no exterior e as altas do petróleo e de 2,5% do minério de ferro na China podem animar o Ibovespa e também as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3). A bolsa brasileira teve o pior primeiro semestre em quatro anos, a despeito da recuperação em junho, de 1,48%.
Mercado brasileiro
O EWZ, principal fundo de índice (ETF) do Brasil negociado em Wall Street, estava estável no pré-mercado por volta das 7 horas.
As atenções dos investidores brasileiros se concentram no câmbio. O dólar pode passar por alguma realização diante da queda externa frente aos pares principais e após a alta de 6,43% do dólar ante o real em junho e de 15,14% no primeiro semestre – o maior salto neste ano entre os emergentes relevantes e também a mais alta variação ante o real desde 2020.
Na sexta-feira (28), o dólar à vista fechou a R$ 5,5883 ecoando as incertezas fiscais e sobre a política monetária nos EUA que marcaram sobretudo o segundo trimestre. O Banco Central segue negando a possibilidade de intervir para mitigar a volatilidade, induzindo o mercado a ampliar a busca de proteção cambial, segundo analistas.
Nos juros, a alta dos rendimentos dos Treasuries tende a pressionar os depósitos interbancários (DIs) com investidores atentos às projeções de inflação, Selic do boletim Focus, à espera do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, que sai na semana que vem.
Ainda seguem em destaque as medidas do governo e do Congresso para compensar a desoneração da folha de pagamentos de empresas e municípios. Na semana passada, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse que a discussão será objeto de um projeto de lei de sua autoria, que deve tramitar em regime de urgência, já que é preciso solucionar o caso até 19 de julho, prazo dado por decisão do ministro Cristiano Zanin (STF), para que o Executivo e o Legislativo encontrem uma forma para compensar a manutenção da desoneração da folha de pagamento.
*Com informações do Broadcast