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Educação Financeira

Devo resgatar meu título do Tesouro Direto com prejuízo e reinvestir?

Para tomar a decisão, é necessário entender os motivos que levam a renda fixa a oscilar

Foto para bio Camila Lutfi
Por Camila Lutfi

15/07/2024 | 21:12 Atualização: 15/07/2024 | 21:12

Tesouro Direto (Foto: Adobe Stock)
Tesouro Direto (Foto: Adobe Stock)

Os investimentos em renda fixa, apesar do nome, podem variar. Por exemplo, um título de Tesouro Direto (TD) pode registrar prejuízos e muitos investidores não entendem o motivo. Além de compreender as razões dessa variação, o investidor pode ainda ficar na dúvida do que fazer com o ativo em prejuízo.

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Segundo o Bora Investir informa nesta matéria, as oscilações acontecem devido à marcação de mercado, que é diferente em relação aos diferentes tipos de renda fixa: prefixados, pós-fixados e híbridos. Os primeiros já informam ao investidor, antes mesmo da compra do título, qual será o rendimento, por exemplo, 9% ao ano.

Os pós-fixados, por sua vez, acompanham algum índice de mercado como o CDI e a Selic, taxa básica de juros. Já os últimos combinam as modalidades anteriores, ou seja, têm uma parcela fixa de rendimento e outra atrelada a, geralmente, um índice de inflação.

Por que a renda fixa varia?

Antes de entender o que fazer com o título de Tesouro Direto em desvalorização, saber como funciona a marcação de mercado faz a diferença. A renda oferecida pelo emissor no momento em que o título é criado não muda. Ou seja, se ele foi desenhado para distribuir R$ 1000 ao investidor, ele seguirá assim.

  • Leia mais: Tesouro Direto ou CDB: veja qual é o melhor investimento com estas simulações

O que pode mudar é o seu preço até o vencimento definido. Imagine um título prefixado do Tesouro com vencimento para 01/07/2027 e rentabilidade de 11,26% ao ano. Se um investidor comprá-lo hoje, o preço do título é calculado a partir dessas duas variáveis: o valor, atualizado por essa taxa para esse prazo, resulta em R$ 1.000 no vencimento. Nessas condições, esse preço é de R$ 768,46.

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Dessa forma, quem comprar o título receberá, no vencimento, o valor de R$ 768,46 mais uma taxa de juros de 11,26% ao ano, o que resulta em R$ 1.000 na data de vencimento.

Já a taxa de juros é calculada de acordo com o que o mercado demanda a cada dia, para esse prazo. O problema é que as condições de mercado podem mudar. Por exemplo, se o mercado demandar uma taxa mais alta para esse prazo, de 13%, o título comprado hoje ainda valerá os mesmos R$ 1.000 acordados no momento da compra ao vencimento. Mas, se o investidor que comprou esse título hoje quiser vendê-lo na semana que vem, terá de ir para o chamado mercado secundário, e vender seu título a outro investidor.

No entanto, esse outro investidor pode demandar uma rentabilidade maior da que o comprador original o teve. Esse “ajuste” necessário na taxa vem no preço do título, que acaba se desvalorizando em relação ao preço pago na data de entrada. Se acontecer o contrário e a taxa de juros cair, o título irá se apreciar e pode ser vendido no mercado secundário com ágio.

Em resumo, quando as taxas sobem, o preço dos títulos cai. E quando as taxas caem, o preço dos títulos sobe. Essa variação no preço é a chamada marcação a mercado. As oscilações são maiores justamente nos títulos que têm uma taxa prefixada, sejam os prefixados puros ou os híbridos. Outro ponto importante é que quanto mais longe o vencimento do título, mais fortes são as oscilações.

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Atualmente, os preços dos títulos de renda fixa que os investidores têm em suas carteiras aparecem nos aplicativos de investimentos pela marcação a mercado. Por isso, é possível entrar e ver uma variação negativa. Isso não quer dizer, entretanto, que o investidor está com prejuízo, necessariamente. Se ele mantiver em carteira o papel, receberá exatamente a rentabilidade prometida no momento da compra.

O que fazer com meu título do Tesouro Direto com prejuízo?

Se você vir alguns de seus títulos negociados abaixo do que você pagou por eles, não é preciso entrar em desespero. Atualmente, as taxas prefixadas oferecidas no Tesouro Direto estão acima da média histórica, mas aqueles que fizeram aportes no começo do ano, quando as taxas estavam mais baixas, podem estaar no prejuízo. Porém, antes de vendê-los, é preciso avaliar o momento de mercado.

Em entrevista ao Bora Investir, Elaine Borges, professora doutora de Finanças da USP, explica que o deságio significa que a venda ocorrerá com um preço menor, implicando ao investidor vendedor uma perda de juros e possivelmente de principal. “Essa estratégia só seria factível numa emergência ou se a perspectiva for de uma alta ainda maior da Selic (ou seja, a perspectiva é que o título perca ainda mais valor no futuro) e o deságio for pequeno”, diz Borges.

Já Luciana Ikedo, planejadora financeira CFP, afirmou, para a mesma matéria, que é preciso fazer alguns cálculos para tomar essa decisão. Primeiramente, deve-se avaliar qual o prejuízo e qual o valor você teria se vendesse o título hoje. Depois disso, precisa calcular qual seria o valor total a ser resgatado no futuro, com a taxa oferecida hoje.

O objetivo desses cálculos é entender qual o ganho efetivo dessa troca. “Por exemplo, digamos que eu tenho um título com vencimento em 2030 que, para trazer a valor presente, de imediato, já tenho um prejuízo de R$ 2 mil. Mas, comprando o novo título, com uma taxa nova, de repente eu vou ter um ganho adicional de R$ 5 mil em relação ao anterior”, explicou.

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No entanto, a planejadora alerta que o lado emocional às vezes fica abalado, e acredita que essa troca pode não ser interessante. Isso porque o investidor de renda fixa, na maioria das vezes, não está preparado para ver sua conta negativa.

Ikedo enfatiza ainda a importância de entender os objetivos de longo prazo da carteira. “Muitas vezes a pessoa faz uma conta e vê que, considerando a inflação acumulada nos últimos 12 meses, os rendimentos dos títulos IPCA+ ficaram abaixo do que se teria se estivesse com 100% do CDI”, disse ela. “Mas é preciso olhar a perspectiva do horizonte, e não só vê-lo pelo retrovisor. É preciso fazer uma projeção do cenário, observar quais são as tendências para frente”.

Vale a pena vender o título em valorização?

No caso em que a taxa de mercado atual estiver menor do que a contratada e o título estiver sendo negociado no mercado secundário, a professora da USP comentou que tudo vai depender da perspectiva. “Se você acredita que a taxa de juros não vai cair mais, é hora de vender sim para aproveitar o ágio. Agora, se a perspectiva é de continuidade da queda da taxa, vale esperar mais um pouco”, diz Borges.

Por fim, a especialista em finanças ainda alerta para esta matéria do Bora Investir que sempre é interessante vender um Tesouro Direto com possibilidade de ágio, pois o investidor incrementa sua rentabilidade dadas as condições de mercado. Além disso, essa oportunidade pode sumir rapidamente se o mercado inverter.

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