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Tempo Real

Dólar hoje: moeda fecha em queda, após atingir maior valor desde dezembro de 2021

Divisa americana recuou ante moedas desenvolvidas, com sinais de fraqueza na economia dos EUA

Por Beatriz Rocha

02/08/2024 | 17:23 Atualização: 02/08/2024 | 19:05

Dólar e real (Foto: Adobe Stock)
Dólar e real (Foto: Adobe Stock)

O dólar hoje fechou em queda, após ter alcançado na véspera o maior patamar desde dezembro de 2021, diante de preocupações tanto no mercado local quanto no internacional. Nesta sexta-feira (2), a moeda americana controlou o ímpeto de ganhos e encerrou em baixa de 0,45% cotada a R$ 5,7092, ainda acima do patamar de R$ 5,70. Pela manhã, no entanto, a divisa chegou a subir e alcançou máxima a 5,7936.

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Investidores acompanharam a divulgação do payroll (relatório oficial de empregos dos Estados Unidos), que indicou a criação de 114 mil empregos em julho nos Estados Unidos, em termos líquidos, abaixo do piso das expectativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast, que variavam de 135 mil a 225 mil vagas, com mediana de 180 mil. Já a taxa de desemprego do país aumentou para 4,3% em julho, ante 4,1% em junho.

Os dados econômicos aquém do esperado geram uma maior aversão ao risco. “Desde ontem, os mercados reagem negativamente, amplificando o clamor daqueles que defendem que o Federal Reserve (Fed) já deveria ter iniciado o ciclo de cortes nas taxas de juros. A ansiedade até a próxima reunião promete ser alta e divergências serão formadas nas apostas sobre intensidade e velocidade nos ajustes futuros de política monetária. A única certeza é que a volatilidade continuará a comandar o jogo”, antecipa Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad.

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Com os sinais de enfraquecimento da economia dos Estados Unidos, o dólar recuou ante moedas desenvolvidas. O iene e o franco suíço, por exemplo, chegaram a disparar e a atingir os níveis mais altos desde fevereiro na comparação com a moeda americana, à medida que investidores buscam proteção em divisas vistas como reserva de segurança. O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de seis pares fortes, terminou o dia em baixa de 1,16%, aos 103,209 pontos.

Por que o dólar subiu nos últimos dias?

Nesta reportagem, mostramos como fatores internos e externos têm favorecido a valorização do dólar em relação ao real. Uma das questões é a preocupação com a política fiscal no Brasil, marcada pela falta de compromisso do governo com o corte de gastos e o cumprimento da meta de déficit zero, cenário que preocupa o mercado. O último comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), publicado na quarta-feira (31), também deu sinais claros para um ajuste dos juros no futuro, ampliando as incertezas dos investidores.

Externamente, a escalada do conflito no Oriente Médio aumentou a aversão ao risco, também beneficiando o dólar. Vale lembrar que o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, foi assassinado durante um ataque no Irã na terça-feira (30), atribuído pelo grupo terrorista a Israel. O caso aumentou a tensão na região, com o risco de um conflito ampliado entre Israel, Irã e seus aliados.

Além das tensões geopolíticas, dados econômicos mais fracos nos Estados Unidos fortaleceram a posição do dólar como ativo de refúgio. O índice de gerentes de compras (PMI) da indústria americana medido pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM) e divulgado na quinta-feira (1°), caiu para 46,8 em julho, ante 48,5 em junho. O resultado contrariou a expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam avanço do PMI a 48,9.

O que esperar da moeda americana daqui para frente?

Em agosto, a expectativa dos analistas financeiros é de que a moeda americana continue a ser influenciada por fatores tanto internos quanto externos. A decisão pela manutenção dos juros pelo Fed e pelo Copom, na quarta-feira (31), ajuda a desenhar a direção do câmbio nas próximas semanas.

Por aqui, o Copom decidiu não alterar a Selic, mantendo a taxa de juros em 10,50% ao ano. Nas quatro reuniões anteriores, houve corte de juros nas três primeiras e manutenção na última. O mercado entende que a comunicação do Banco Central (BC) é essencial para entender como a autoridade monetária está avaliando o balanço de riscos econômicos, considerando a recente deterioração nas métricas de inflação, taxa de câmbio e perspectiva fiscal. Isso poderia pressionar o BC a reavaliar a necessidade de ajustes futuros nos juros.

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Nos Estados Unidos, o Fed decidiu manter as taxas no maior nível desde 2001, numa faixa de 5,25% a 5,50% ao ano. A medida já era esperada pelo mercado e marcou a oitava reunião consecutiva com juros inalterados. O presidente do banco central americano, Jerome Powell, declarou, em coletiva de imprensa após a decisão da instituição, que uma redução das taxas de juros no país “pode acontecer” na reunião de setembro, caso a inflação diminua conforme as expectativas e o mercado de trabalho se mantenha estável.

Com essas decisões no radar, a moeda deve ser pressionada no curto prazo, mas o alívio no câmbio pode começar em setembro, com o provável corte dos juros americanas. Conforme mostramos nesta reportagem, as previsões dos analistas para o dólar saem de R$ 5,40 e chegam a R$ 5,70 para o final de 2024. Corretoras e bancos veem a divisa no curto prazo a uma faixa menor, até R$ 5,50, o que mostra a imprevisibilidade do cenário para a cotação da moeda americana.

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