Essas estimativas de lucro sem grandes crescimentos devem acontecer pelo fato da empresa apresentar uma margem financeira não tão grande para superar as maiores provisões de uma forma que faça o lucro crescer acima do esperado. Na visão dos analistas, a margem do BB enfrenta desafios de mix de crédito devido ao maior crescimento em agronegócio e pequenas e médias empresas, impactos adversos do maior portfólio renegociado e comparações difíceis do forte primeiro semestre do Banco Patagonia.
A companhia revisou o crescimento de sua margem financeira de 7% e 11% para uma alta de 10% e 13%. No acumulado do primeiro semestre de 2024 do BB, a margem financeira bruta do Banco do Brasil acumula uma alta de 16,4%. “Portanto, a revisão para cima da margem financeira parece ter sido mais impulsionada pelo desempenho do primeiro semestre e uma perspectiva de Selic mais alta, e menos pela dinâmica do crédito”, dizem Pedro Leduc, Mateus Raffaelli e William Barranjard, que assinam o relatório do Itaú BBA.
Banco do Brasil está descontado e com bons dividendos
Os analistas até aceitam que o Banco do Brasil está sendo negociado a um preço descontado, com a métrica Preço sobre Lucro (P/L) estimado para 2025 em 4 vezes. A equipe do Itaú BBA estima que o banco deve pagar cerca de 10% do seu valor de mercado em dividendos nos próximos 12 meses. Ainda assim, a recomendação não é de compra.
“Vemos um fraco momento de lucros impedindo que as ações sejam reclassificadas. Nossa classificação de market perform se mantém. Reiteramos a preferência relativa pelo Bradesco e Santander Brasil em grandes bancos – também descontados em relação ao seu histórico, mas com uma direção positiva do ROE”, dizem os especialistas.
O Itaú BBA calcula um preço-alvo de R$ 31 para as ações do Banco do Brasil (BBAS3), uma alta de 10,12% na comparação com o fechamento de quinta-feira (15), dia em que o papel terminou o pregão a R$ 28,15.