Como funciona a holding familiar no planejamento sucessório?
Conforme explicamos nesta reportagem, a holding familiar é uma empresa criada para administrar os bens e ativos de uma família. Ao transferir o patrimônio para essa estrutura, os proprietários deixam de ser titulares diretos dos bens, passando a deter cotas ou ações da holding. Na prática, isso pode trazer diversas vantagens, especialmente quando o objetivo é reduzir a carga tributária no processo de sucessão.
Segundo a advogada Marina Teixeira Monteiro, especialista em direito de família e sucessões, essa estratégia permite que o patrimônio seja gerido de forma centralizada e com maior segurança.
“A escolha ou alteração do regime de bens do casal para comunhão universal, cuja meação alcança um patrimônio maior e normalmente não está sujeita à tributação de transmissão, ou ainda, a contratação de um seguro de vida pode ser uma estratégia para prover recursos financeiros que possam compensar a carga tributária sobre a herança dos bens imóveis. Também é indispensável atentar para as regras de isenções e deduções fiscais, especialmente em relação ao ITCMD, que variam de estado para estado”, destaca.
Simone Campagnoli, advogada e corretora de imóveis, ressalta que cada caso requer uma análise detalhada para definir a melhor estratégia. “Para decidir qual melhor estratégia, será necessário realizar um estudo da situação real e a decisão dependerá da situação do patrimônio, número de herdeiros. Cada caso é um caso, mas, com boa análise profissional e antecipação, com certeza é possível a redução da carga tributária”, afirma.
Quanto custa fazer uma holding familiar?
Os custos para implementar um planejamento sucessório dependem diretamente da estratégia adotada. Atualmente, há duas principais metodologias: a estratégia de sucessão durante a vida, que engloba ações como doações (com ou sem reserva de usufruto) e a formação de holdings familiares para administração de bens, e a abordagem após o falecimento, que abrange a elaboração de testamentos e a condução de inventários.
Segundo os especialistas, a criação de uma holding familiar, por exemplo, envolve despesas com taxas de cartório, honorários advocatícios, além dos impostos aplicáveis, como o ITCMD. Essas despesas também variam conforme o estado, já que a alíquota do ITCMD pode ser diferente em cada região do país.
No planejamento sucessório em vida, além da criação da holding, pode-se optar por doações de bens com ou sem reserva de usufruto, o que também acarreta custos. No caso de um planejamento pós-morte, os principais gastos estão relacionados à elaboração de testamentos, inventários e regularização de imóveis.
Diante do impacto financeiro que um processo sucessório pode causar, o planejamento antecipado surge como uma necessidade. A criação de holdings familiares, junto com outras estratégias jurídicas e financeiras, não só protege o patrimônio, como também permite uma economia significativa nos tributos que seriam devidos.
Outras estratégias para minimizar impostos
Além da holding familiar, outras estratégias podem ser utilizadas para reduzir a carga tributária na sucessão. Doações em vida, por exemplo, podem ser uma alternativa interessante, já que a alíquota do ITCMD costuma ser menor do que na transmissão por causa mortis. A escolha do regime de bens do casal também pode impactar a tributação da herança. A comunhão universal, por exemplo, pode ser uma opção para casais que desejam proteger um patrimônio maior.
Colaborou: Gabrielly Bento.