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Azul (AZUL4) X Gol (GOLL4): quem foi melhor no 3º trimestre?

Uma delas mostrou alívio no caixa com renegociações de dívidas, enquanto a outra fez o caminho inverso

Por Elisa Calmon

15/11/2024 | 16:37 Atualização: 15/11/2024 | 16:37

O setor aéreo foi um dos mais atingidos pela pandemia da covid-19 (Foto: Envato Elements)
O setor aéreo foi um dos mais atingidos pela pandemia da covid-19 (Foto: Envato Elements)

A Azul (AZUL4)  começou a mostrar alívio no caixa no terceiro trimestre de 2024, com o apoio da renegociação recente das dívidas e melhora operacional. Por outro lado, a Gol (GOLL4) parece ter um caminho mais longo pela frente para conseguir equilibrar as contas após fazer o movimento inverso e queimar de caixa no período.

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Entre julho e setembro, a Azul gerou um caixa líquido de R$ 693,8 milhões. Com isto, o 3º tri da Azul reverteu a queima de R$ 95,5 milhões registrada no mesmo período do ano passado. Para o CEO da aérea, John Rodgerson, a tendência positiva deve se confirmar daqui em diante. “Agora prevemos aumento do fluxo caixa, com geração consistente”, afirmou durante teleconferência de resultados.

A empresa projeta uma melhora de caixa de até US$ 200 milhões por ano com as medidas da reestruturação. Em outubro, a Azul chegou a um acordo com os detentores de dívida (bondholders) para até US$ 500 milhões em novos financiamentos, com US$ 150 milhões já financiados e um incremento de US$ 250 milhões esperado antes do fim do ano. Esse acordo também oferece um caminho para um financiamento adicional de US$ 100 milhões e a “equitização” de até US$ 807 milhões das notas de 2029 e 2030.

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Além da geração de caixa, a companhia prevê que os acordos com credores e arrendadores melhorem também a liquidez e balanço patrimonial, contribuindo para uma desalavancagem. A alavancagem da Azul ficou em 4,4 vezes no terceiro trimestre de 2024 ante 4,5 vezes no período imediatamente anterior. No entanto, ao considerar a dívida líquida pró-forma com as renegociações recentes anunciadas, o indicador seria de 3,4 vezes.

“A estrutura de capital da Azul está alongada com essa geração de caixa. Isso traz um conforto adicional para imaginar que a desalavancagem virá nos próximos anos”, avalia o sócio da L4 Capital, Hugo Queiroz.

Azul: analistas cautelosos com variação do petróleo e do dólar

O Ebitda da Azul ajustado de R$ 1,653 bilhão reportado pela companhia veio 14% acima da estimativa do Goldman Sachs. O banco atribui isto, principalmente, à receita operacional por assentos-quilômetro oferecidos (Rask), que subiu 12,2% na comparação trimestral, superando em 3,3 pontos porcentuais a projeção do Goldman Sachs.

Ainda assim, o BB Investimentos permanece cauteloso com o desempenho da Azul e com o setor aéreo, em geral. Argumenta que os esforços operacionais têm sido contrabalanceados por fatores que vão além da gestão da companhia, como a variação do petróleo e do dólar. Contudo, acredita “que a empresa está na direção correta, especialmente com relação à eficiência de custos operacionais e na gestão de passivos”, pondera.

Gol: momento desafiador

A Gol, por outro lado, reportou uma queima de caixa de R$ 668 milhões no terceiro trimestre. Um ano antes, havia gerado R$ 303 milhões. Para o BB Investimentos, os números da Gol no 3º tri, que incluem um prejuízo de R$ 830 milhões, refletem o momento desafiador que a Gol e o setor aéreo atravessam.

“Os esforços estratégicos, que consideramos acertados, como expansão de malha, aumento de frota operacional e presença em rotas de alta demanda da Gol, são drenados por custos e despesas atrelados principalmente a combustível e dívidas”, comenta o analista Luan Calimério.

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Na contramão da Azul, a Gol registrou crescimento da alavancagem. O indicador atingiu 5,5 vezes entre julho deste ano e setembro ante 5,3 vezes no trimestre imediatamente anterior e 4,2 vezes no terceiro trimestre de 2023.

Queiroz, da L4 Capital, destaca que, atualmente, o valor da empresa enterprise value da Gol é praticamente todo em dívida. O analista não prevê mudança no curto prazo, considerando os resultados operacionais e fluxo de caixa negativo. “Talvez essa dinâmica mude ou melhore após a reestruturação dos passivos, mas isso vai demandar tempo e discussão”, afirma.

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