O DGFF opera com empréstimos de curto prazo garantidos por colaterais tangíveis, como diamantes polidos, joias de herança e relógios de luxo. Esses itens ficam armazenados em cofres de alta segurança localizados em Nova York – sede do fundo -, Dubai e Londres. “A estratégia do DGFF é construída sobre um índice de LTV de 50-60%, garantindo que os ativos subjacentes sempre excedam o valor emprestado”, diz Andres Lucas, gestor do fundo.
LTV é a sigla em inglês para Loan-to-value, um índice de garantia, que no caso do Del Gatto paga ao tomador do empréstimo até 60% do valor do objeto dado como salvaguarda do negócio. Caso o financiamento não seja honrado, o fundo pode vender o colateral, obtendo ganhos que variam entre 80% e 120% do valor emprestado.
Os tomadores de empréstimos do fundo incluem desde mineradoras de diamantes até joalherias de alto padrão, sendo que 99% utilizam o capital para “financiamento de compras”. Esses empréstimos têm prazos médios de seis meses, permitindo que o fundo ajuste rapidamente as taxas em períodos de alta nos juros.
Diamantes são ativos descorrelacionados
Com retornos anualizados de até 10,9% para seus investidores, o DGFF apresenta resultados competitivos, mesmo quando comparado à renda fixa brasileira, que atualmente oferece taxas prefixadas ao redor de 13%. O índice Sharpe superior a 9, é o principal argumento utilizado pelo gestor ao justificar o investimento no fundo, diante de um retorno menor do que a segurança de um título público.
“Isso significa que não temos correlação com nenhuma outra classe de ativos. O fundo também oferece aos investidores brasileiros uma forma de acessar investimentos em dólares. Além disso, eles não enfrentam risco de mark-to-market e têm acesso a eventos de “portable alpha” (os defaults são o principal), que podem proporcionar uma taxa de retorno acima da média”, diz.
Segundo Lucas, essas características de descorrelação e segurança fazem o fundo se fortalecer em momentos de incertezas. “Durante crises econômicas e geopolíticas, nossa classe de ativos subjacente sempre foi vista como um porto seguro. Alguns dos nossos melhores períodos foram no início da pandemia de Covid-19“, diz.
O cenário atual de incertezas geopolíticas, segundo ele, beneficia o fundo. “A classe de ativos subjacente é vista como um porto seguro em períodos de turbulência. Veja, por exemplo, a Segunda Guerra Mundial, as migrações de persas saindo do Irã, e, mais recentemente, a recessão de 2008.”
Como acessar o fundo
A fundação do DGFF responde a uma lacuna deixada pelos bancos tradicionais, que, devido a restrições regulatórias, reduziram sua atuação no financiamento à indústria de luxo. Desde 2013, o crédito disponível no setor de diamantes caiu mais de 75%, criando uma oportunidade estimada de US$ 1,5 bilhão para financiadores alternativos.
Os brasileiros interessados podem acessar o DGFF por meio de veículos como o Cayman Feeder ou Pershing. A má noticia é que o Del Gatto está aberto apenas para investidores qualificados e profissionais. A gestora não abre o valor mínimo de investimento. O fundo está em fase de negociações para levantar um feeder local.