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Investimentos

Suzano (SUZB3) entrega 4T25 acima do esperado e geração de caixa reforça desconto nas ações

Ebitda de R$ 5,6 bi e volumes acima do esperado caem bem para o mercado; veja recomendações de XP e Genial Investimentos

Por Isabela Ortiz

11/02/2026 | 9:52 Atualização: 11/02/2026 | 9:52

Suzano encerra 2025 com EBITDA acima do esperado e reforça disciplina de produção e recompra de ações, segundo XP e Genial. (Foto: Adobe Stock) A
Suzano encerra 2025 com EBITDA acima do esperado e reforça disciplina de produção e recompra de ações, segundo XP e Genial. (Foto: Adobe Stock) A

A Suzano (SUZB3) encerrou 2025 com um resultado acima das expectativas no quarto trimestre (4T25), mesmo em meio a um cenário global ainda desafiador para a celulose. XP e Genial Investimentos destacaram a surpresa positiva nos números operacionais e reforçaram a visão de que as ações seguem descontadas, com potencial de valorização.

Leia mais:
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No 4T25, a companhia reportou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 5,6 bilhões, alta de 7% a 8% na comparação trimestral e 10% a 13% acima das estimativas das casas. Para a XP, tratou-se de um trimestre “forte, com volumes superando tanto em celulose quanto em papel“, enquanto a Genial avaliou que a empresa “superou a maioria dos indicadores”, com destaque para os embarques de celulose – veja aqui o balanço completo.

Os volumes, de fato, foram o principal motor do resultado da Suzano no 4T25. As vendas de celulose somaram 3,4 milhões de toneladas, avançando 7,6% trimestre contra trimestre e ficando acima das projeções, apesar do corte de 3,5% da capacidade nominal implementado desde agosto de 2025.

Segundo a Genial, o desempenho refletiu uma diversificação geográfica mais forte do que o esperado, com maior exposição à Europa e à América do Norte (regiões que negociam a prêmio frente à China), além da recomposição sazonal de estoques na Ásia antes do ano-novo chinês. A XP Investimentos também ressaltou as “melhorias na divisão de celulose, impulsionadas por volumes maiores, preços e um desempenho de custos controlado”.

  • Leia mais: Safra vê virada no setor de celulose em 2026, com Suzano como favorita e papel como proteção

Preço da celulose sobe no 4T25, mas ainda sofre pressão

Mesmo com a leve valorização do real frente ao dólar no período, os preços médios em dólar avançaram 2% na comparação com o 3T25, para US$ 537 por tonelada, sinalizando uma estabilização após vários trimestres de compressão.

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Ainda assim, na comparação anual, os preços da celulose sofrem com pressão – queda de 15% em reais e de 8% em dólar –, refletindo um ambiente estruturalmente mais desafiador para a commodity, com aumento de capacidade integrada na China e demanda desigual. A Genial Investimentos lembra que os benchmarks (referência de performance do ativo) internacionais de BHKP (celulose de fibra curta branqueada) chegaram a ensaiar recuperação no fim do 4T25, mas avalia que os recentes aumentos de preço “voltaram a se mostrar difíceis de sustentar”.

  • Confira também: Moody’s reafirma rating e perspectiva positiva da nota da Suzano

No segmento de papel, o desempenho também veio acima do esperado em volumes. As vendas totalizaram 474 mil toneladas, alta de 8,7% no trimestre e 10% na base anual, impulsionadas pelo mercado doméstico. A demanda sazonal ligada ao Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e o bom desempenho nos segmentos de Imprimir & Escrever, Tissue (tecido) e Embalagens sustentaram os embarques no Brasil, enquanto a operação de Pine Bluff, nos Estados Unidos, permaneceu em nível de breakeven (ponto de equilíbrio).

Por outro lado, os preços realizados de papel recuaram cerca de 4% no trimestre, pressionados por mix desfavorável e ausência de reajustes efetivos. Ainda assim, para a XP, “os resultados também melhoraram no papel, liderados por volumes domésticos mais fortes”, enquanto a Genial destacou que o Ebitda da divisão cresceu tanto na comparação trimestral quanto anual, superando estimativas.

Principais números do balanço da Suzano no 4T25

No consolidado, a receita líquida atingiu R$ 13,1 bilhões, alta de quase 8% no trimestre, embora ainda em queda na comparação anual. O avanço sequencial foi puxado principalmente pelos maiores volumes em ambas as divisões e pela leve melhora nos preços de celulose em dólar.

Pilhas de rolos produzidos em fábrica de papel e celulose.
Pilhas de rolos produzidos em fábrica de papel e celulose. (Foto: Envato Elements)

Do lado dos custos, o cash COGS (Custo dos Produtos Vendidos) por tonelada ficou em R$ 778, recuando quase 3% no trimestre e 3,6% em relação ao ano anterior, beneficiado por menor consumo de insumos, redução de despesas fixas e ganhos operacionais associados ao ramp-up (aumento gradual da produção) do Projeto Cerrado, em Ribas do Rio Pardo (MS). A XP destacou “um desempenho de custos controlado”, com custos de caixa ex-downtime (período em que a fábrica fica parada) 1% menores em 2025 na base anual.

  • E mais: Santander aposta em ações fora do consenso e vê valor em Orizon, Suzano e Totvs

O fluxo de caixa livre (FCF) foi outro ponto forte, somando R$ 2,3 bilhões no trimestre, impulsionado por Ebitda mais elevado, menor capex (investimento) e liberação de capital de giro. O capex totalizou cerca de R$ 2,8 bilhões a R$ 2,9 bilhões, queda superior a 20% no trimestre, à medida que os desembolsos ligados ao pico do Projeto Cerrado ficaram para trás. A alavancagem encerrou o ano praticamente estável, em 3,2 vezes dívida líquida/Ebitda.

Já o lucro líquido foi de R$ 116 milhões, revertendo o prejuízo do 4T24, mas fortemente influenciado por efeitos contábeis não recorrentes, como a reavaliação de ativos biológicos. A Genial ressalta que “a força da última linha foi contábil, e não estrutural”, destacando que o resultado financeiro segue pressionado – fator que, historicamente, tem menor impacto sobre o desempenho das ações do que o fluxo de caixa.

As decisões estratégicas da empresa

Além dos números, duas decisões estratégicas reforçaram a leitura construtiva das casas. A Suzano anunciou que manterá a produção de celulose cerca de 3,5% abaixo da capacidade nominal ao longo de 2026, estendendo a disciplina já adotada. Para a XP, a medida é “consistente com a abordagem orientada ao retorno da empresa”, enquanto a Genial vê a decisão como evidência de foco em rentabilidade, e não em volume.

Em paralelo, o Conselho de Administração de SUZB3 aprovou um novo programa de recompra de até 40 milhões de ações ao longo de 18 meses – veja mais nesta reportagem. Na visão da XP, o movimento “reforça a visão do management [equipe dirigente] (e da nossa) de que as ações continuam subvalorizadas”. A Genial vai na mesma linha e ressalta que o papel negocia a 5,3 vezes EV/Ebitda [valor da companhia sobre seu Ebitda] projetado para 2026, abaixo da média histórica próxima de 7 vezes.

  • Ouro despenca: o que a correção dos metais com o dólar revela sobre proteção, especulação e o erro do investidor

Mesmo com a expectativa de preços médios de celulose em torno de US$ 550 por tonelada em 2026, abaixo do patamar spot (à vista) atual, a Genial estima um rendimento do fluxo de caixa livre (FCF yield) de 15% para o próximo ano e reitera recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 63,50, o que implica potencial de alta de 24% frente ao fechamento de terça-feira (10).

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A XP também mantém visão construtiva, apesar de reconhecer o “momentum mais brando para a precificação de celulose”. Para a casa, a assimetria permanece positiva do ponto de vista de valuation (valor do ativo), com rendimentos de fluxo de caixa atraentes mesmo sob premissas conservadoras.

A Suzano surpreendeu no fim de 2025 ao mostrar que, mesmo em um ambiente de preços ainda pressionado, consegue sustentar volumes, controlar custos e gerar caixa.

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