Para os analistas Laura Hirata e Guilherme Palhares, as principais razões para a diferença são a inflação de custos, a depreciação do câmbio e a falta de hedge, juntamente com a falta de crescimento de volume.
“Assim, acreditamos que a Ambev conseguirá aumentar os preços à frente dos 3% de crescimento esperado nos custos unitários para 2025, provavelmente levando a uma expansão da margem”, escreveram.
O relatório também aponta que dezembro será um mês chave para a Ambev. Há expectativa, por parte dos mais “otimistas”, que a empresa anuncie uma reestruturação de capital, após a reunião de conselho. Se a administração decidir alavancar a empresa, seria um catalisador positivo inesperado, pois a redução na base de capital para juros sobre o capital próprio poderia compensar o potencial escudo fiscal de tal transação, na opinião do banco.
Os analistas argumentam que a alavancagem pode ser positiva, mas talvez não seja um divisor de águas. “Embora acreditemos que isso seria valorativo, vemos a alavancagem potencial de 1 vez a dívida líquida/Ebitda como marginal, dado o potencial esgotamento da base de patrimônio da Ambev usada para calcular seu benefício fiscal de juros sobre o capital.”
Eles advertem ainda que uma reestruturação de capital poderia atrasar a monetização de créditos tributários ou indicar que o recebimento desses benefícios poderia ser mais difícil do que o esperado.
O Santander mantém a projeção de Ebitda para 2025 de R$ 28,5 bilhões, devido às expectativas de volumes menores no Caribe e no Canadá, somados a custos unitários maiores para a divisão de bebidas não alcoólicas no Brasil.
A recomendação para a ação foi mantida em neutra, pois o banco considera que o eventual avanço do lucro esperado para o ano que vem já está precificado. O preço-alvo é de R$ 15, o que representa um potencial de alta de 19,8% ante o fechamento da última segunda-feira (25).