A maior cotação da história do dólar foi batida na segunda-feira (2), quando encerrou o dia a R$ 6,0680.
Pesam sobre o câmbio fatores externos e internos. A divulgação dos dados de mercado de trabalho dos Estados Unidos, o payroll, veio acima das expectativas. “Os dados mais fortes do mercado de trabalho americano reforçaram a percepção de que o Federal Reserve poderá manter sua política monetária restritiva por mais tempo para conter um avanço na inflação, fortalecendo o dólar globalmente e aumentando a cautela em mercados emergentes”, destaca Diego Costa, head de câmbio para o Norte e Nordeste da B&T Câmbio.
O índice DYX, termômetro do comportamento do dólar em relação a seis divisas fortes, avança e volta a se aproximar da linha dos 106,000 pontos, com ganhos sobretudo pela fraqueza do euro. A queda das commodities, como minério de ferro e petróleo, também pressiona as moedas emergentes, como o real.
Mas é no cenário doméstico que está o principal gatilho para o desequilíbrio do câmbio.
Depois de três pregões de alívio, o dólar volta a disparar com o receio do mercado de que as medidas de contenção de gastos, apresentadas pelo governo na última semana, sejam desidratadas durante a tramitação no Congresso. Os deputados estão resistentes em validar as propostas do Executivo para cortar despesas, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
“A tramitação do pacote fiscal segue sendo monitorada de perto, com a expectativa de que a liberação de emendas parlamentares possa acelerar o processo nas próximas semanas. A incerteza mantém os investidores em alerta, especialmente em relação ao cumprimento das metas estabelecidas pelo governo”, diz Costa.