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Juros fecham em alta de olho em notícias sobre a liberação de emendas parlamentares

Expectativas de inflação reveladas pelo Boletim Focus também movimentaram as taxas na sessão de hoje

Por Antonio Perez

30/12/2024 | 19:13 Atualização: 30/12/2024 | 19:14

Juros. (Foto: Adobe Stock)
Juros. (Foto: Adobe Stock)

Apesar da queda do dólar e dos rendimentos dos títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano (Treasuries), os juros futuros intermediários e longos aceleraram ao longo da tarde desta segunda-feira (30) com o vaivém das notícias sobre a liberação de emendas parlamentares e fecharam em alta firme, com avanço entre 15 e 20 pontos. Já as taxas curtas operaram entre estabilidade e leve viés de alta diante de nova rodada de piora das expectativas de inflação revelada pelo Boletim Focus.

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Entre os curtos, DI para janeiro de 2026 encerrou com taxa de 15,37%, de 15,364% no ajuste anterior. A taxa do contrato para janeiro de 2027 avançou de 15,758% para 15,89%. Já a taxa do DI para janeiro de 2029 subiu de 15,530% para 15,705%.

Do fim de novembro para cá, o DI para janeiro de 2027 saltou quase 170 pontos e o DI para janeiro de 2029 teve avanço superior a 170 pontos – um reflexo da crise de confiança instalada após a frustração com o pacote fiscal do governo.

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A expectativa pela manhã era de alívio pontual hoje dos prêmios de risco. Isso em razão da decisão, ontem, do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de liberar parcialmente as emendas parlamentares, embora ele tenha alertado para “nulidade insanável” na indicação das emendas de comissão e reiterado a necessidade de ajustes para 2025.

Dino autorizou repasses relacionados a emendas empenhadas até 23 de dezembro.

A aposta até se cumpriu na primeira etapa de negócios com as taxas rondando a estabilidade no fim da manhã. Mas o caldo voltou a entornar à tarde a partir da publicação de parecer da Advocacia-Geral da União sobre o caso das emendas.

A AGU entende que a decisão de Dino mantém o bloqueio total dos valores e orienta o governo a não autorizar os repasses até nova decisão judicial. Em seguida, a Secretaria das Relações Institucionais informou que até 23 de dezembro houve o empenho de R$ 1,775 bilhão dos R$ 4,2 bilhões suspensos pela decisão inicial do ministro do STF.

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O economista-chefe da corretora Monte Bravo, Luciano Costa, afirma que o parecer do AGU lançou dúvidas sobre a liberação dos recursos e acabou detonando um aumento dos prêmios de risco, apesar de o governo em seguida ter divulgado os valores já empenhados.

“As emendas são um instrumento de negociação importante do governo, que está com dificuldade de cumprir acordos com o Congresso. Isso traz preocupação daqui para frente, porque é preciso aprovar o Orçamento de 2025 e novas medidas fiscais que o governo vai ter de adotar”, afirma Costa.

Ele pondera que o pacote lançado pelo governo e em parte desidratado durante a tramitação no Congresso pode garantir o funcionamento do arcabouço fiscal até 2026, mas não muda a trajetória do resultado primário, que é fundamental estancar o crescimento da relação dívida/PIB.

“O Ministério da Fazenda já tem provavelmente ideia do que vai atacar. A questão é política, de convencimento do presidente Lula e do Congresso. E tudo fica mais difícil com o canal das emendas bloqueado”, afirma Costa.

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Analistas afirmam que as incertezas fiscais contribuem para a deterioração contínua das expectativas de inflação, em especial ao provocar depreciar a taxa de câmbio. Isso a despeito do tom duro adotado pelo Banco Central, que já contratou mais duas altas de 1 ponto porcentual da taxa Selic, que deve alcançar 14,25% no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) em março.

Há ainda temor de ingerência do governo na gestão da política monetária sob a gestão de Gabriel Galípolo à frente do BC, apesar da postura recente dele e de declarações do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterando a independência do BC. Lula assinou hoje à tarde os decretos de nomeação de Galípolo e dos três novos diretores do BC, cujos mandatos se iniciam a partir de 1º de janeiro de 2025.

O Boletim Focus trouxe elevação da mediana das projeções para o IPCA de 2025 de 4,84% para 4,96%, a décima primeira elevação seguida. Já a expectativa para a inflação de 2026, que abrange o horizonte da política monetária, quase não se mexeu, passando de 4% para 4,01%, praticamente 1 ponto porcentual acima da meta de inflação contínua (3%). A estimativa para 2027 saltou de 3,80% para 3,83%.

Costa, da Monte Bravo, observa que a postura firme do BC deveria levar a uma estabilização das expectativas de inflação mais longas. Essa dificuldade na ancoragem da inflação parece espelhar as dúvidas no campo fiscal, que só vão ser atenuadas com anúncio de medidas adicionais e convincentes de moderação dos gastos.

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“A curva hoje precifica taxa Selic praticamente em 16,90%, bem acima do esperado pelos economistas. Estamos no meio de um ciclo de aperto monetário e o mercado pode um prêmio maior. E vai continuar pedindo porque esse ciclo tem o complicador da questão fiscal”, afirma o economista-chefe da Monte Bravo.

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