O pessimismo em torno do ativo digital tem um porquê: um mercado de trabalho mais aquecido pode acelerar a inflação nos Estados Unidos e atrapalhar a condução de quedas de juros no país ao longo deste ano. Na terça-feira (7), o número de vagas abertas de trabalho no mercado americano subiu para 8 milhões em novembro do ano passado. O volume veio acima do esperado por analistas que previam 7,7 milhões de posições não preenchidas, segundo informações da agência Reuters.
Já na sexta-feira (10), foi a vez de outro dado de emprego consolidar a cautela dos investidores: o payroll. Conhecido por ser uma das principais métricas utilizadas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) para decidir sobre o futuro dos juros no país, esse relatório mostrou que a economia americana criou 256 mil empregos em dezembro de 2024, enquanto as expectativas dos analistas consultados pelo Broadcast apontavam para algo em torno de 120 mil a 200 mil vagas.
Com o aumento do número de postos de trabalho, visto nos últimos indicadores, o risco de uma aceleração dos preços de produtos e serviços se tornou mais evidente para os investidores. “(Os dados) mostraram que o mercado de trabalho norte-americano está mais forte do que o “ideal” para novos cortes de juros”, afirma João Canhada, CEO do grupo Foxbit. Já a ata do Fed mostrou que a autoridade monetária está atenta a essa dinâmica ao demonstrar cautela sobre a condução da política monetária, especialmente com o retorno de Donald Trump à Casa Branca.
No documento, os dirigentes disseram esperar que a inflação em 2025 vai permanecer, aproximadamente, na mesma taxa de 2024, diante de pressupostos sobre a política comercial do país. Caso essa projeção se concretize, o ciclo de queda de juros poderá ser suspenso e direcionar o fluxo de capital dos investidores para os títulos públicos devido ao seu baixo risco e rentabilidade atrativa. Já os ativos de mais voláteis, como o bitcoin (BTC), tendem a ficar de lado no portfólio dos investidores neste cenário.