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O que a visita de Lula no Pará significa para o relacionamento do governo com a Vale (VALE3)?

Presidente vai participar nesta sexta-feira (14) do lançamento do programa Novo Carajás da mineradora

Por Juliana Garçon

14/02/2025 | 14:28 Atualização: 14/02/2025 | 14:30

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca no final da tarde desta sexta-feira (14) em Carajás, no Pará, para participar do lançamento do programa Novo Carajás da mineradora Vale (VALE3), que prevê investimentos de R$ 70 bilhões.

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É a segunda vez que Lula vai a Carajás. A primeira, durante seu primeiro mandato, em 2004, foi para participar da inauguração de uma das minas da Vale, Sossego, que produz cobre. Na época, o CEO da Vale era Roger Agnelli, com quem Lula tinha proximidade. O cenário é diferente neste terceiro mandato. Ao longo dos dois últimos anos, Lula fez várias queixas contra a Vale. A principal era que a companhia precisava fazer mais investimentos no país.

Com o investimento, a Vale quer ampliar sustentar a produção de minério de ferro e ampliar a de cobre. O objetivo é garantir uma liderança no segmento de transição energética. Neste contexto, o cobre é cobiçado por ser usado em baterias e equipamentos de energia renovável. Já os aportes em minério de ferro vão atender à necessidade de reposição de minas em exaustão e à expansão de 20 milhões de toneladas na mina S11D, disseram fontes.

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A visita de Lula a Carajás faz parte de um giro do presidente pela região Norte. Na quinta-feira (13), Lula esteve em Macapá, onde fez uma série de entregas ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (PA). Na sexta, antes de ir para Carajás, visitou obras da COP30 em Belém e entregou unidades do Minha Casa Minha Vida ao lado do governador Helder Barbalho (MDB), seu aliado e irmão do ministro das Cidades, Jader Filho.

Nova etapa

O evento pode ser um prenúncio de uma nova etapa nas relações da Vale com o governo. Há um ano, pressões do Planalto para emplacar o ex-ministro Guido Mantega como CEO da mineradora levaram tensão à companhia e um racha ao conselho de administração.

Mas desde então um novo CEO, Gustavo Pimenta, foi escolhido. A Vale conseguiu fechar dois acordos envolvendo o governo federal: a compensação pelo desastre de Mariana, com pagamento de R$ 100 bilhões (além de obrigações a fazer), e a revisão de valores da renovação antecipada de duas ferrovias -Vitória-Minas e Carajás -, na qual vai desembolsar R$ 17 bilhões.

E, no fim de janeiro deste ano, Lula teve um encontro, no Palácio do Planalto, com o novo CEO, Gustavo Pimenta. O executivo teria mostrado ao presidente os planos que serão apresentados hoje, de acordo com fontes, e o petista estaria satisfeito.

As boas relações com o governo são cruciais para mineradoras, que dependem de concessões e licenças – inclusive ambientais – para desenvolver minas e sistemas de logística, com ferrovias e terminais portuários.

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Mas, disseram fontes, mesmo satisfeito com o pacote de investimentos da Vale, o governo deve manter a pressão para que a mineradora faça negócios considerados estratégicos.

O mais relevante no momento é a Bahia Mineração (Bamin), que abrange uma jazida de minério de ferro, a concessão do trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e o Porto Sul, em Ilhéus. O empreendimento custaria R$ 6,5 bilhões e exigiria investimentos de R$ 30 bilhões. Nos bastidores, o Planalto teria buscado influenciar a Vale para fazer a aquisição.

Em comunicado, a empresa reiterou que faz avaliações de oportunidades “em especial aquelas sobre ativos com potencial contribuição às prioridades estratégicas” e frisou que decisões quanto à alocação de capital seguem rigoroso processo de avaliação. Mas há, no mercado, rumores de que a mineradora brasileira está perto de fechar o negócio.

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