

As bolsas de Nova York fecharam o pregão desta terça-feira (25) com o Dow Jones perto da estabilidade e altas do S&P 500 e do Nasdaq. Os investidores ainda digerem os sinais de que as tarifas previstas para entrar em vigor em 2 de abril podem ser mais brandas do que o esperado, enquanto dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) dão sinais de cautela em um ambiente macroeconômico de incertezas. Os títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano (Treasuries), o dólar e o bitcoin, por outro lado, recuaram hoje.
O índice Dow Jones fechou em alta de 0,01%, aos 42.587,50 pontos; o S&P 500 ganhou 0,16%, aos 5.776,65 pontos; e o Nasdaq avançou 0,46%, aos 18.271,86 pontos. Os dados são preliminares.
Destaque negativo da Dow Jones, a Merck & Co. caiu 4,8%. A farmacêutica americana concordou em licenciar um inibidor oral experimental de lipoproteína(a) da Jiangsu Hengrui, em um acordo que poderia render mais de US$ 2 bilhões para a empresa chinesa.
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A Tesla subiu 3,50%, apesar das vendas da fabricante de veículos elétricos na Europa terem caído pelo segundo mês consecutivo.
Na segunda-feira, as ações da Tesla tiveram alta de 12%, seu melhor desempenho desde um ganho de quase 15% em 6 de novembro, dia seguinte à eleição do presidente Donald Trump. O impulso veio após reunião do CEO Elon Musk com funcionários, na semana passada, na qual ele os aconselhou a não vender as ações da companhia, enfatizando os avanços da Tesla em tecnologias de direção autônoma.
A Mobileye Global subiu 8,7% depois que a Volkswagen anunciou que está trabalhando com a empresa de tecnologia de direção autônoma e a fornecedora de peças Valeo para aprimorar os sistemas de assistência ao motorista para o nível 2+ em sua nova linha de veículos.
A Smithfield Foods caiu 2,4%, apesar de a maior produtora de carne suína dos EUA ter reportado ganhos e receita acima das expectativas no quarto trimestre. A empresa abriu seu capital em 28 de janeiro.
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As ações da Trump Media and Technology subiram 8,9% após a empresa, dona da plataforma Truth Social, anunciar um acordo com a Crypto.com para lançar uma série de fundos negociados em bolsa (ETFs).
Juros dos EUA perdem força
Os rendimentos dos títulos de longo prazo do Tesouro dos Estados Unidos chegaram ao fim da tarde desta terça-feira em queda, após dados abaixo do esperado da economia americana. A dinâmica também refletiu a informação de que a Casa Branca anunciou acordos separados com Ucrânia e Rússia para garantir a navegação segura no Mar Negro e implementar a proibição de ataques contra instalações de energia nos dois países, o que aliviou os preços do petróleo.
Por volta das 17h (horário de Brasília), o juro da T-note de 2 anos caía para 4,012%. O rendimento do título de 10 anos cedia para 4,311%, enquanto a taxa do T-bond de 30 anos recuava para 4,657%.
A manhã foi marcada pela divulgação do índice de confiança do consumidor americano abaixo do esperado. Os juros das T-notes de 2 anos e de 10 anos perderam força após a diretora do Fed Adriana Kugler defender que a política monetária segue restritiva e está bem posicionada para lidar com riscos de aceleração da inflação.
Nesta terça-feira, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos leiloou US$ 69 bilhões em T-notes de 2 anos, com rendimento máximo de 3,984% e demanda acima da média. A reação ao leilão foi contida, sem um forte movimento nas negociações, mas os rendimentos dos títulos de longo prazo seguiram em queda constante ao longo da tarde. Por volta das 15h30, o juro da T-note de 2 anos atingiu os níveis mais baixos da sessão e chegou a perder a marca dos 4%.
Moedas Globais: dólar recua
O dólar cai ante as principais moedas, após dados abaixo do esperado nos Estados Unidos manterem os temores de recessão.
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O índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, recuou 0,07%, para 104,184 pontos. O dólar caía para 149,92 ienes, enquanto o euro cedia para US$ 1,0798 e a libra esterlina subia a US$ 1,2946.
Entre os dados divulgados hoje nos EUA, as vendas de novas moradias aumentaram menos do que o esperado em fevereiro, enquanto o índice de confiança do consumidor da Conference Board caiu de 98,3 para 92,9, enquanto economistas previam 93,5.
O euro reduzia a queda frente ao dólar, após a Casa Branca anunciar que chegou a acordos separados com Ucrânia e Rússia para garantir a navegação segura no Mar Negro e implementar a proibição de ataques contra instalações de energia nos dois países.
A lira turca apresentava queda leve ante o dólar, seguindo o acúmulo de fortes perdas desde a semana passada em meio a uma crise política deflagrada pela prisão do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, principal oponente político do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. Depois de atingir sucessivas mínimas recordes, a lira seguiu pressionada, apesar de o Banco Central da Turquia já ter utilizado US$ 27 bilhões de suas reservas internacionais para defender a moeda, segundo o estrategista-chefe para mercados emergentes do banco sueco SEB, Erik Meyersson.
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“Desde 2017, a lira turca caiu 91% em relação ao dólar. A Turquia deveria ser uma superpotência dos mercados emergentes, mas sob o comando de Erdogan, tem enfrentado uma sucessão de crises cambiais, hiperinflação e volatilidade”, afirma Robin Brooks, do Brookings Institute.
O dólar acentuou a baixa frente ao iene, após relatos de que o primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, planeja medidas para controlar a recente disparada nos preços do arroz no país.
A libra avançou frente ao dólar, mas a analista Ipek Ozkardeskaya, do Swissquote Bank, diz que a moeda britânica pode se enfraquecer se a chefe do Tesouro do Reino Unido anunciar cortes de gastos no orçamento de quarta-feira.
Bitcoin recua
O bitcoin apresenta queda no final da tarde após atingir seu maior nível em mais de duas semanas na segunda-feira. Esse aumento foi impulsionado pelo otimismo em torno de uma possível redução no escopo das tarifas dos EUA. No entanto, a analista da XTB Kathleen Brooks observou que o sentimento está esfriando devido à incerteza sobre o que esperar na próxima semana, incluindo o risco de tarifas adicionais que poderiam afetar os países que compram petróleo da Venezuela.
Por volta das 15h56 (horário de Brasília), o bitcoin recuava 0,66%, sendo cotado a US$ 87.727,54, enquanto o Ethereum caía 1,64%, a US$ 2.063,01, segundo dados da Binance.
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O presidente Donald Trump indicou que poderia haver “flexibilidade” nas tarifas planejadas para entrar em vigor no dia 2 de abril, e disse que poderia conceder “várias pausas nas tarifas para diversos países”. No entanto, ele também adiantou que anunciará sobretaxas adicionais nos próximos dias.
Na análise de Beto Fernandes, da Foxbit, ainda há muitos ruídos sobre como Trump tem se posicionado em relação à economia dos EUA. “Até agora, o mercado não conseguiu separar quais discursos podem, de fato, se tornar ações concretas.”
No mercado de criptoativos, a World Liberty Financial, um projeto de criptomoedas apoiado pelo presidente americano e sua família, anunciou que lançará uma nova stablecoin apoiada pela dívida do governo dos EUA.
Por sua vez, em uma entrevista, Bo Hines, diretor executivo do Conselho de Consultores Presidenciais sobre Ativos Digitais, sugeriu que os EUA poderiam usar seus ganhos em reservas de ouro para adquirir mais Bitcoin, uma estratégia que poderia fortalecer as reservas de criptomoeda do país sem impacto orçamentário.
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Além disso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) passou a reconhecer oficialmente, nesta semana, o Bitcoin como um “ativo não financeiro não produzido”, ou seja, como algo com valor, mas que não é gerado dentro da economia, conforme publicado em seu manual de estatísticas econômicas internacionais, o Balance of Payments Manual.
Os investidores permanecem atentos aos desdobramentos do acordo de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia no Mar Negro. A Casa Branca informou que vai ajudar a restaurar o acesso da Rússia ao mercado mundial.
*Com informações da Dow Jones Newswires