Os papeis LTNs (Tesouro Prefixado) vêm de uma tendência de baixa desde a semana passada, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou as chamadas tarifas de reciprocidade. Antes disso, o título estava pagando 14,50%.
O mundo financeiro vive sessões de alta volatilidade desde então. A preocupação é com o caráter recessivo das medidas anunciadas pelo presidente americano. Com isso, o mercado de juros precifica um corte nas taxas de juros dos Estados Unidos para estimular a economia.
Neste mercado, a relação entre taxas e o preço unitário do título (PU) são inversas. Quando valor do papel sobe, sua taxa cai e vice-versa. Assim como na economia real, quando um produto passa a ser mais procurado, seu preço tende a subir. E, no caso dos papeis de renda fixa, quem compra mais caro vai continuar a receber os mesmos pagamentos no futuro, ou seja, o retorno proporcional fica menor, por isso a taxa cede.
Melhor relação de risco-retorno
A maior demanda do mercado por este papel de curto prazo reflete a leitura de que prefixados com vencimento entre 2027 e 2029 concentram a melhor relação risco-retorno na captura do próximo ciclo de queda de juros. A expectativa é que a Selic pare de subir entre 15% e 15,25% ainda este ano. Por isso, há uma corrida para travar prefixados que capturem esse início de novo ciclo. Dessa forma, com a maior demanda, o preço unitário do papel se valoriza e a sua taxa de retorno cai.
Como a LTN 2028 está no meio do caminho, nem tão curta a ponto de sofrer com a alta de juros até o final deste ano, nem tão longa a ponto de embutir muitos riscos fiscais, ela virou alvo preferido. Se a Selic começar a cair entre o fim de 2025 e 2026, esse papel pode performar muito bem, é o que esperam os investidores de juros.
Já os títulos com vencimentos mais longos não estão acompanhando o movimento de queda na mesma intensidade. De quarta-feira até esta segunda, a taxa do Tesouro Prefixado 2032 recuou de 14,77% para 14,58%, uma baixa de apenas 0,19 ponto.
Enquanto isso, o papel com juros semestrais e vencimento em 2035 se mexeu menos, passando de 14,87% para 14,79%, sinalizando que a reprecificação dos títulos se concentrou nos prazos mais curtos.
Juros reais também caem
Esse movimento pode ter relação com a preocupação persistente do mercado com as contas do governo brasileiro. Para os especialistas, uma redução significativa das taxas longas no Brasil passam, obrigatoriamente, por uma redução do risco fiscal.
O mesmo movimento acontece nas taxas de juros reais dos títulos IPCA +. Os mais curtos, a exemplo do título com vencimento em 2029 caiu 0,19 pontos desde a última quarta, dia 2, pagando IPCA + 7,67% na atualização das 13h06 do site do Tesouro Direto. O papel com vencimento em 2040 cedeu 0,12 pontos, pagando IPCA + 7,28% nesta segunda (7) e aquele com vencimento em 2050, caiu 0,04 pontos com retorno real de 7,13%.
Confira a tabela atualizada às 13h06 desta segunda:
| Título |
Rentabilidade |
Valor total (PU) |
Vencimento |
| Tesouro Prefixado 2028 |
13,95% |
R$ 700,82 |
01/01/2028 |
| Tesouro Prefixado 2032 |
14,58% |
R$ 402,06 |
01/01/2032 |
| Tesouro Prefixado com juros semestrais 2035 |
14,79% |
R$ 795,85 |
01/01/2035 |
| Tesouro Selic 2028 |
SELIC + 0,0590% |
R$ 16.317,16 |
01/03/2028 |
| Tesouro Selic 2031 |
SELIC + 0,1150% |
R$ 16.235,32 |
01/03/2031 |
| Tesouro IPCA+ 2029 |
IPCA + 7,67% |
R$ 3.317,91 |
15/05/2029 |
| Tesouro IPCA+ 2040 |
IPCA + 7,28% |
R$ 1.532,47 |
15/08/2040 |
| Tesouro IPCA+ 2050 |
IPCA + 7,13% |
R$ 790,12 |
15/08/2050 |
| Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2035 |
IPCA + 7,46% |
R$ 4.153,90 |
15/05/2035 |
| Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2045 |
IPCA + 7,37% |
R$ 3.980,54 |
15/05/2045 |
| Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2060 |
IPCA + 7,27% |
R$ 3.833,80 |
15/08/2060 |