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Ações, bolsas e empréstimos: FMI alerta sobre o impacto da guerra comercial

Autores destacam ainda os "efeitos adversos significativos" nos mercados financeiros dos países envolvidos

Por Aline Bronzati, correspondente

14/04/2025 | 11:32 Atualização: 14/04/2025 | 11:34

China retaliou os EUA, aumentando tarifas para 125%, e estremeceu o mercado. (Foto: Adobe Stock)
China retaliou os EUA, aumentando tarifas para 125%, e estremeceu o mercado. (Foto: Adobe Stock)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) faz um alerta para a ameaça de grandes eventos de risco geopolítico à estabilidade macrofinanceira enquanto o mundo assiste à uma guerra comercial entre as duas maiores potências do mundo. O sinal amarelo é parte do tradicional relatório de estabilidade financeira, que será divulgado na próxima semana, durante as reuniões de Primavera do organismo, que acontecem em Washington, nos Estados Unidos.

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“Os riscos geopolíticos globais permanecem elevados, levantando preocupações sobre seu potencial impacto na estabilidade econômica e financeira”, dizem os autores Salih Fendoglu, Mahvash S. Qureshi e Felix Suntheim, no capítulo 2 do relatório Estabilidade Financeira Global, publicado nesta segunda-feira.

De acordo com o Fundo, eventos como guerras, ataques terroristas, reforços e gastos militares reais dos países (em relação ao PIB), além de restrições ao comércio e às transações financeiras transfronteiriças, aumentaram desde 2022 em comparação com os níveis de anos anteriores. “Isso pode afetar os preços dos ativos, instituições financeiras e restringir os empréstimos ao setor privado, pesando sobre a atividade econômica e representando uma ameaça à estabilidade financeira”, avaliam os autores.

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Riscos geopolíticos de grande proporção podem fazer com que os preços das ações tenham “queda significativa”, conforme o FMI. E os mercados emergentes tendem a sofrer mais do que os desenvolvidos, com queda média mensal de 2,5% contra 1% durante períodos de turbulência, aponta o estudo do organismo.

Nas últimas semanas, o mercado americano vivenciou tal situação, com perdas de trilhões de dólares em meio a temores de que o tarifaço dos EUA, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desencadeasse uma guerra comercial que colocasse em risco o crescimento econômico global e dos EUA. Em abril, o S&P 500 acumula queda de quase 5%, enquanto o Nasdaq cai 5,80% e o Dow Jones recua mais de 3%. Uma queda de 5% é “significativa”, dizem os autores do estudo do FMI.

  • Leia mais: Empresas dos EUA perdem US$ 2,91 trilhões na Bolsa após tarifaço de Trump

Dentre os casos analisados, o Fundo menciona que as tensões comerciais entre os EUA e a China, que se aceleraram em 2018. “Os preços das ações reagiram negativamente aos anúncios de tarifas pela China e pelos EUA durante 2018 e 2024”, observam os autores.

Conforme o estudo, as ações das empresas chinesas caíram quase 4% em média, após o anúncio de tarifas pelos americanos. O mesmo se deu nos papéis de companhias dos EUA, que recuaram de 1,6% a 1,8%, em média, após a retaliação da China em 23 de agosto de 2019, segundo o FMI.

O FMI alerta ainda que os prêmios de risco dos títulos soberanos geralmente também sobem após eventos geopolíticos, novamente, com mercados emergentes sendo mais impactados que economias avançadas. Vale lembrar que foi justamente o temor de deterioração da liquidez no mercado de Treasuries (títulos da dívida estadunidense), que são os títulos do Tesouro americano, que teria ampliado a pressão para que Trump recuasse nas tarifas, com o anúncio de uma pausa de 90 dias, conforme operadores de mercado.

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“A incerteza elevada é um canal fundamental para as reações dos preços dos ativos”, reforçam Fendoglu, Qureshi e Suntheim. Eles alertam ainda para “efeitos adversos significativos” nos mercados financeiros dos países envolvidos, além de risco de contágio para outras economias por meio de vínculos comerciais e financeiros.

Os autores sugerem que os bancos considerem as implicações dos riscos geopolíticos em seus negócios. Os formuladores de políticas, por sua vez, devem explorar as implicações desses riscos da guerra comercial para a supervisão e a regulação das instituições financeiras, concluem.

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