O cobiçado cargo pelos cardeais não tem remuneração. Os papas não recebem salário e, por isso, devem ter todas as necessidades atendidas pela Igreja. Isto inclui moradia, alimentação, transportes e quaisquer outras despesas. Além disso, todo capital acumulado enquanto um indivíduo for papa a é tradicionalmente direcionado para o Tesouro do Vaticano – isto é, esses bens não ficam de herança para família do religioso.
O Papa Francisco, que fez voto de pobreza após entrar na Companhia de Jesus em 1958 continuou levando uma vida sem luxos mesmo depois de ser escolhido como líder da Igreja Católica. Optava por circular com veículos populares, dispensou o Palácio Apostólico e preferiu viver em um quarto mais simples no edifício Casa Santa Marta. Também imprimiu parte dessa característica nas questões financeiras da Igreja.
Conforme apurou a revista Fortune, desde 2021, o Papa Francisco havia reduzido os salários dos cerca de 250 cardeais da Igreja em três ocasiões, cortou subsídios habitacionais e exigiu que o Vaticano estabelecesse um plano para alcançar o “déficit zero”. Também tentou dar mais transparência às finanças, contratando executivos qualificados para lidar com a contabilidade. A empresa de auditoria KPMG, por exemplo, foi uma das contratadas para implementar princípios contábeis internacionalmente aceitos.
Ainda assim, o Papa Francisco não conseguiu consertar totalmente o orçamento do Vaticano. Em 2022, o déficit divulgado foi de 33 milhões de euros. Agora, o próximo Papa herdará esse legado, ainda incompleto, de reestruturação financeira. Restará saber se o novo pontífice que sairá do Conclave comungará desse objetivo.