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Tempo Real

Fed mantém juros no mesmo patamar; veja reação do mercado

Banco central americano reforçou cautela ao abordar impactos das tarifas de Trump na economia

Por Beatriz Rocha

07/05/2025 | 16:07 Atualização: 07/05/2025 | 18:59

Prédio do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos. Foto: Adobe Stock
Prédio do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos. Foto: Adobe Stock

O Federal Reserve (Fed) manteve as taxas de juros americanas na faixa entre 4,25% a 4,50% ao ano, segundo comunicado divulgado há pouco. A decisão já era esperada pelo mercado. Após o anúncio, o Ibovespa operava em queda de 0,06%, enquanto Nasdaq recuava 0,34%. Já Dow Jones e S&P 500 subiram 0,67% e 0,17%, respectivamente.

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No fechamento, o índice Dow Jones subiu 0,70%, aos 41.113,97 pontos. O S&P 500 ganhou 0,43%, para 5.631,28 pontos, enquanto o Nasdaq teve alta de 0,27%, aos 17.738,16 pontos. O Ibovespa hoje  terminou o dia em leve queda, com investidores na expectativa pela decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom). Nesta quarta-feira (7), o principal índice da B3 encerrou em baixa de 0,09% aos 133.397,52 pontos

Para Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, a decisão deve ter pouco impacto sobre os preços dos ativos no mercado, que agora foca nas sinalizações do presidente do banco central americano, Jerome Powell, para os próximos passos da política monetária, principalmente em meio à política tarifária de Donald Trump.

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“A situação é um desafio porque a inflação causada por tarifas é diferente de um aumento de preços por excesso de demanda. Subir juros desestimula o consumo e a tomada de crédito, mas não ajuda a baixar os aumentos nos preços causados por tarifas. Ao mesmo tempo, reduzir os juros para evitar uma desaceleração econômica pode reforçar a inflação pelo lado da demanda”, destaca Igliori.

Alexandre Dellamura, head de conteúdo da Melver e mestre em economia, comenta que o dilema entre combater a inflação e resguardar o emprego também ficou claro no comunicado do Fed.

“O Comitê busca atingir o máximo de emprego e inflação a uma taxa de 2% no longo prazo. A incerteza quanto às perspectivas econômicas aumentou ainda mais. O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato e avalia que os riscos de aumento do desemprego e da inflação aumentaram”, disse o texto do BC americano.

“A expectativa de que as autoridades do Fed aguardariam os próximos rumos da economia americana para a decisão do próximo movimento dos juros se concretizou”, destaca Dellamura. “O apelo de Trump por um corte foi sumariamente ignorado”, acrescenta.

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O entendimento do mercado é de que o comunicado reforça a cautela adotada pelo Fed ao tratar do assunto, em linha com o que já havia sinalizado na reunião anterior. “Destaca-se ainda que o mercado segue precificando três novos cortes de juros pelo Fed este ano, enquanto em sua última sinalização, a mediana das expectativas dos dirigentes era de apenas dois novos cortes”, observa Camilo Cavalcanti, gestor de portfolio da Oby Capital.

Powell após comunicado do Fed: “Impacto das tarifas não é claro”

Em coletiva de imprensa após a divulgação do comunicado, Powell afirmou que o impacto de longo prazo das tarifas sobre inflação ainda não é claro. O chefe do BC americano afirmou que evitar uma inflação persistente “dependerá do tamanho e do timing de tarifas”.

“Expectativas de inflação no curto prazo aumentaram e pesquisas apontam as tarifas como fator principal”, disse Powell. Segundo ele, se houver grandes aumentos tarifários, “veremos inflação mais alta e emprego mais baixo”.

Expectativas para as próximas decisões do Fed

Para André Valério, economista sênior do Inter, o Fed só irá retomar o ciclo de cortes de juros nos EUA quando houver sinais relevantes de que o mercado de trabalho esteja entrando em recessão.

“No momento, vemos como provável a retomada do ciclo de corte de juros a partir da reunião de setembro do Federal Reserve, entretanto, com a iminência do início das negociações entre a China e os Estados Unidos, podemos ter uma resolução da incerteza e maior clareza sobre os impactos das tarifas sobre a economia americana, o que poderia permitir a retomada do ciclo de cortes antes de setembro”, destaca Valério.

*Com informações do Broadcast

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