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Investimentos

Como ficam os seus investimentos com a taxa Selic em 14,75% ao ano

Alta dos juros pressiona consumo e crédito, mas impulsiona CDBs, Tesouro Direto e setores defensivos na Bolsa de Valores

Por Murilo Melo

07/05/2025 | 18:39 Atualização: 07/05/2025 | 20:14

Foto: Adobe Stock
Foto: Adobe Stock

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira (7) elevar a taxa básica de juros, a Selic, para 14,75% ao ano – o maior nível desde agosto de 2006.

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A escalada tem como pano de fundo a persistência da inflação e a pressão cambial, dois elementos que têm colocado obstáculos ao consumo das famílias brasileiras e à recuperação da atividade econômica.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), por exemplo, subiu 0,43% em abril, desacelerando frente ao avanço de 0,64% de março. No entanto, o acumulado de 12 meses chegou a 5,49%, superando o teto da meta do BC, de 4,5%.

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O sócio da Trígono Capital, Werner Roger, diz que mesmo com o aperto monetário, a inflação continua em alta. Ele explica que muitos componentes do IPCA estão fora do alcance da política monetária. “O Banco Central não controla o preço do petróleo, dos alimentos, da gasolina ou do aço, que seguem dinâmicas internacionais. São produtos precificados em dólar”, afirma.

Com a nova taxa, o ambiente de investimentos no País passa por ajustes. Aplicações de renda fixa, sobretudo os pós-fixados, se tornam ainda mais atraentes, especialmente para investidores que buscam segurança e retornos previsíveis. (Veja as simulações abaixo)

Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), títulos do Tesouro Direto, como o Tesouro Selic, e fundos DI de baixo custo passam a oferecer remunerações mais altas, com pouco ou nenhum risco de crédito, apontam os especialistas. Mesmo as contas remuneradas de bancos digitais, que pagam um percentual do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), voltam a ganhar destaque.

“O cuidado aqui é ficar no limite do FGC [Fundo Garantidor de Créditos] para ter uma camada de segurança. No que diz respeito ao prazo, o cenário favorece tanto o curto prazo, para quem busca liquidez e segurança com rentabilidade, quanto o médio prazo, desde que o investidor permaneça em produtos pós-fixados e esteja atento à possível reversão do ciclo de alta dos juros”, alerta o planejador financeiro e especialista em investimentos, Jeff Patzlaff.

Títulos prefixados e Bolsa de Valores: vale a pena arriscar?

Os títulos pré-fixados também ganham destaque neste momento. De acordo com Lucas Martins da Silva, especialista em renda variável da Blue3 Investimentos, as taxas oferecidas por esses papéis estão bastante agressivas desde o início do ano, refletindo o atual cenário monetário.

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Apesar do risco mais elevado em relação a outros produtos de renda fixa, ele aponta que quem conseguir travar essas taxas agora pode ser beneficiado futuramente, caso a Selic comece a recuar entre 2026 e 2027.

Martins diz que o cenário é favorável para quem acredita em uma redução dos juros no médio prazo, mas recomenda atenção ao peso desses ativos dentro do portfólio. “O risco de um novo ciclo de alta da Selic ainda não está descartado”, alerta o especialista.

Na mesma linha, Patzlaff observa que títulos como o Tesouro Prefixado 2032 ou 2035, por exemplo, estão oferecendo taxas de 13,99% e 14,08% ao ano respectivamente, o que pode resultar em ganhos reais acima da inflação.

Mas ele alerta para dois riscos importantes: caso a Selic continue subindo além do previsto, o valor desses papéis pode cair no mercado secundário, impactando negativamente quem precisar vendê-los antes do vencimento. Além disso, uma inflação descontrolada tem o potencial de corroer os ganhos reais obtidos com esses ativos.

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A recomendação, segundo ambos os analistas, é manter atenção à composição da carteira e evitar concentrações excessivas, priorizando uma estratégia equilibrada diante das incertezas do cenário macroeconômico.

Apesar do juro real acima de 8% ao ano — patamar que costuma reduzir o apetite por ações — ainda há boas oportunidades na Bolsa de Valores para quem busca empresas descontadas e com boa geração de caixa. O momento favorece uma postura mais criteriosa, com foco em companhias que mantêm estabilidade nos resultados e distribuição consistente de dividendos.

Setores como energia, bancos, commodities e seguradoras vêm atraindo interesse por manterem fluxo financeiro constante. A alta da Selic, inclusive, tem efeito positivo sobre os ganhos de instituições financeiras, ampliando a atratividade desses papéis, especialmente entre investidores que buscam previsibilidade nos retornos.

“Sempre há boas oportunidades para perfis mais arrojados. Para perfis mais conservadores, continuamos indicando oportunidades de produtos de renda fixa, que possuem maior previsibilidade”, diz Talita Hawerroth, diretora comercial private da GCB Investimentos.

Mercado deve esperar mais uma alta da Selic em junho?

O mercado financeiro está dividido sobre o rumo da taxa básica de juros. Parte dos analistas acredita que o Copom ainda promoverá um ajuste final em junho, enquanto outro grupo aposta que a elevação desta quarta-feira encerrará o ciclo iniciado há meses.

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A indefinição ganhou força após declarações de dirigentes do Banco Central, incluindo o presidente Gabriel Galípolo, indicando que o momento de “parar para olhar” está próximo.

A reportagem apurou que, entre bancos e corretoras, a expectativa do Safra, Santander, JPMorgan, Ágora, Bradesco BBI, Citi, Morgan Stanley e Itaú BBA é de que manutenção da Selic na próxima reunião. BTG Pactual e Goldman Sachs, por outro lado, esperam que o Copom aumente a taxa para 15% no próximo mês. Na contramão, a XP Investimentos projeta que a porcentagem da taxa básica de juros chegue a 15,50% em junho.

O Boletim Focus, divulgado na última segunda-feira (5), trouxe uma leve mudança nas expectativas. Pela primeira vez em quatro meses, a projeção para a Selic ao fim de 2025 caiu, passando de 15% para 14,75% ao ano. A estimativa para o IPCA também recuou pela terceira semana seguida, de 5,55% para 5,53% — ainda acima do teto da meta, mas em trajetória de desaceleração.

Outros indicadores permaneceram estáveis, como as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) e os juros de 2026. Já o câmbio foi ajustado para R$ 5,86 por dólar. Apesar de ainda haver incertezas, os dados mais recentes sugerem uma possível inflexão na curva de juros, alimentando apostas de que o Banco Central possa interromper os aumentos da Selic e adotar uma postura mais cautelosa nos próximos encontros.

Simulação

A pedido do E-Investidor, Fabio Gallo, colunista do Estadão e professor de Finanças na Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), realizou uma simulação para analisar o desempenho de investimentos em renda fixa, levando em conta a nova taxa Selic em 14,75%.

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O estudo utiliza uma previsão de 5,53% para o IPCA, conforme o Boletim Focus, e considera uma rentabilidade anual da poupança de 7,5%. A simulação abrange cálculos de rentabilidade bruta, líquida (após dedução de impostos e taxas) e real (ajustada pela inflação) para aplicações de R$ 1 mil.

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