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Tempo Real

Juros fecham em queda, com falas de Galípolo e apostas para a Selic no radar

Fraqueza do dólar e a virada dos títulos de dívida dos EUA para baixo também apoiaram as taxas

Por Denise Abarca

19/05/2025 | 18:20 Atualização: 19/05/2025 | 18:20

Juros (Foto: Adobe Stock)
Juros (Foto: Adobe Stock)

Os juros futuros começaram a semana em queda, refletindo principalmente o ambiente doméstico nesta segunda-feira (19). Declarações do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, reforçaram a perspectiva de que o ciclo de alta da Selic terminou em maio, ainda que tenha sinalizado que a taxa deve seguir em níveis restritivos por período “bastante prolongado”. Agradou ao mercado a postura rigorosa com relação à desancoragem das expectativas, endossando os níveis de credibilidade do BC. A fraqueza do dólar e a virada dos juros dos títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano (Treasuries) para baixo também contribuíram para o alívio nos prêmios de risco.

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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 terminou em 14,72%, de 14,74% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2027, em 13,91%, de 14,00% no ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2029 caiu de 13,59% para 13,46%.

As taxas começaram a sessão em alta refletindo o resultado do IBC-Br de março, que veio no teto das estimativas, o avanço do dólar e das taxas dos Treasuries, mas começaram a cair durante a fala de Galípolo, ainda pela manhã, durante participação em conferência do Goldman Sachs, em São Paulo. O dólar também passou a cair, e, à tarde, os yields dos Treasuries igualmente viraram para baixo.

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Para o presidente do Banco Central, as incertezas sobre a política fiscal parecem explicar parte da dinâmica das expectativas de inflação, que seguem desancoradas apesar dos juros mais elevados. E a desancoragem justifica a manutenção dos juros em terreno restritivo por período mais prolongado do que o normal. “A gente realmente precisa permanecer com uma taxa de juros em patamar bastante restritivo por um período bastante prolongado.”

“A gente vai usar o instrumento que a gente tem para fazer a perseguição da meta”, afirmou o presidente do BC, segundo o qual a autoridade monetária “não está nem perto de discutir um eventual ponto de inflexão para os juros”. “Isso não é um tema que está passando nos debates” do Copom, disse.

“Ele está sendo rigoroso com o regime de metas. Enfatizou que a taxa deve ficar alta por um tempo mais longo e essa foi a grande mensagem do dia. Ele tira um pouco de probabilidade que vai continuar a subir. Aparentemente está muito perto o final do ciclo, embora ele não tenha dito isso. O que ele verbaliza, por duas ou três vezes, de uma forma muito, muito clara, é que entende que os juros já são bem restritivos. Nisso, temos uma autoridade monetária bastante rigorosa”, avalia Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset.

O economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, concorda que a mensagem que chega para o mercado de juros é de que o último aperto na taxa foi o de maio. “O mercado entendeu, pelas falas, que a Selic não deve subir mais. E se não vai subir, o próximo movimento é de queda”, afirma. Mesmo com Galípolo enfatizando que nem se discute a questão dos cortes, “o mercado de pré entendeu que é daqui para baixo”, diz.

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Na curva, a aposta de manutenção no nível de 14,75% nesta tarde era levemente majoritária, com 60% de probabilidade, enquanto a de alta de 25 pontos-base tinha 40% de chances. A projeção de taxa terminal era de 14,85% e o mercado também segue apostando numa redução ainda este ano, uma vez que a projeção de Selic no fim de 2025 era de 14,65%. Para o fim de 2026, a precificação era de 12,80%.

O quadro é parecido com as projeções de Selic na pesquisa Focus divulgada hoje. As medianas para 2025 e 2026 não tiveram alteração e permanecem em 14,75% e 12,5%, respectivamente. Já a mediana de IPCA 12 meses à frente cedeu de 4,95% para 4,91% e a de 2025, de 5,51% para 5,50%, na quinta revisão consecutiva para baixo. A expectativa para 2026 manteve-se em 4,50%.

Além do Focus, a agenda trouxe ainda o IBC-Br de março e do primeiro trimestre. O dado mensal subiu 0,8% na margem, no teto das estimativas. No trimestre, houve expansão de 1,30%, também na margem.

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