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Ibovespa opera na máxima sem precificar todo o risco fiscal, diz Genial

Eduardo Nishio, analista chefe de ações da corretora, diz que a bolsa brasileira pegou carona com o otimismo global, mas é preciso cautela

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

02/06/2025 | 3:00 Atualização: 02/06/2025 | 18:30

Eduardo Nishio é head de research da Genial Investimentos (Foto: Genial Investimentos/Divulgação)
Eduardo Nishio é head de research da Genial Investimentos (Foto: Genial Investimentos/Divulgação)

O Ibovespa encerrou maio com alta de 1,45%, no patamar dos 137 mil pontos. Esse avanço aconteceu em um mês de forte recuperação das bolsas globais depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu as tarifas contra a China e União Europeia por 90 dias. Para Eduardo Nishio, analista chefe de ações da Genial Investimentos, o mercado opera na carona com o otimismo global, mas sem precificar todo o risco de o governo federal não conseguir lidar com o problema crescente dos gastos públicos.

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Ainda que o principal índice de ações da B3 esteja em uma fase de alta pelas questões externas, ele diz que o momento é oportuno para investir em ações defensivas e driblar o peso das questões fiscais. Isso porque esses ativos não dependem do desempenho econômico e conseguem manter uma boa lucratividade em períodos difíceis, minimizando os riscos.

 “O investidor deve ser seletivo com as escolhas e aportar em companhias do setor bancário e de serviços básicos, como elétricas e saneamento”, diz Nishio. Confira os principais trechos da entrevista:

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E- Investidor — O Ibovespa opera na máxima histórica, ao mesmo tempo que o governo prevê um risco fiscal latente. Esse cenário deve se confirmar?

Eduardo Nishio — Um melhor posicionamento do Brasil em relação aos outros países gerou um fluxo relevante de capital estrangeiro. Por isso, a Bolsa vem batendo recordes sucessivamente, mas não vejo que o mercado precificou todo o risco fiscal. O próximo ano será eleitoral e o governo ainda pode ter um gasto exacerbado para vencer nas urnas, por exemplo. Provavelmente, antes das eleições, eles tentarão passar alguma coisa no Congresso, como a iniciativa da isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. Entendo que o centrão deve tomar medidas para evitar que a degradação fiscal chegue ao nível estimado pelo Executivo em 2027.

Com a instabilidade no campo fiscal, qual a melhor recomendação para o investidor agora?

É importante ser seletivo nas escolhas. Uma coisa que não muda é a taxa Selic. Em um cenário mais conservador, ficar no pós-fixado é interessante nesse momento de incerteza.  No caso da renda variável, deve focar em empresas que não sofrem tanto com alavancagem, como bancos. Nesse caso, a indicação é comprar Itaú (ITUB4) e Itaúsa (ITSA4), empresas de capital forte com gestão de risco interessante. Outras companhias atraentes são as de utilidade pública, como Sabesp, sendo a nossa preferida do setor. Também vemos com bons olhos a Sanepar (SAPR4), Eletrobras (ELET3) e Equatorial (EQTL3).

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Por que a Sabesp é a sua preferida entre as ações de utilidades públicas?

A nossa preferida é a Sabesp após a recente chegada de um novo CEO. Conheço o executivo e o trabalho dele. Entretanto, a companhia ainda precisa fazer uma série de investimentos com a privatização e esses aportes significam que a empresa terá que se alavancar em um ciclo de alta de juros, o que não é tão positivo. Por outro lado, a companhia é do setor de utilidades públicas, o que traz mais segurança para o investidor por ser resiliente. Além disso, há um ganho de eficiência que eles devem conseguir ao longo da estruturação.

Existem investidores que consideram a renda fixa como “perda fixa”. Você também defende essa ideia?

Apostar somente em renda variável brasileira nesse momento não é o ideal. O que no Brasil é incontestável no longo prazo, é a renda fixa. Sai ciclo e vem ciclo, e ela é o que sobra de mais robusto, com crescimento acima da inflação sempre. Nessa modalidade, o melhor são os títulos pós-fixados.

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Quais podem ser os aportes do investidor no mercado internacional para se proteger da guerra tarifária?

O cenário externo é adverso com a indefinição da guerra comercial. No entanto, recomendamos que o investidor aporte em Exchange Traded Fund (ETFs) dos principais índices globais, como o Nasdaq, S&P 500, S&P Global. A Europa também está atrativa, principalmente agora com as empresas de defesa que estão subindo. Eu ficaria com os índices por ser uma maneira de se proteger de forma mais ampla e diversificada. É importante abrir a cabeça e investir fora do Brasil. Um exemplo é a Apple valer mais que toda a bolsa da Inglaterra.

Neste contexto, o Sr. acredita que as ações de big techs estão supervalorizadas? 

Essas empresas estão com um dilema muito grande. Em termos de preço sobre lucro, não está tão alto, pois estamos bem aquém do que foi em 2001. Naquela época, em que tivemos o tech bubble (bolha do setor de tecnologia), elas estavam com um preço sobre lucro em 100 vezes. Hoje estamos na faixa de 20 vezes. Claro que a indefinição das tarifas devem pesar nos preços. Se Trump não chegar a um acordo com a China, não sabemos como será o lucro da Apple em um cenário em que ele não consiga importar tudo do país asiático.

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