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Mercado

Ibovespa hoje fecha acima de 159 mil pontos após Fed cortar juros nos EUA em decisão dividida

Três membros do Fed discordaram da decisão; mais tarde, Copom define Selic no Brasil

Por Igor Markevich, Camilly Rosaboni e Beatriz Rocha

10/12/2025 | 4:30 Atualização: 10/12/2025 | 18:33

O Ibovespa é o principal índice da B3, a Bolsa de Valores brasileira (Foto: Divulgação/B3)
O Ibovespa é o principal índice da B3, a Bolsa de Valores brasileira (Foto: Divulgação/B3)

O Ibovespa hoje fechou em alta após o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) cortar os juros nos Estados Unidos em 25 pontos-base. Nesta quarta-feira (10), o índice avançou 0,69% aos 159.074,97 pontos. Daqui a pouco, as atenções ficarão na decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve manter a Selic em 15% ao ano.

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Esta foi a terceira vez que o Fed reduziu os juros neste ano, após flexibilizar a política monetária em setembro e outubro. A medida não foi unânime. O diretor Stephen Miran votou para reduzir as taxas em 50 pontos base. Já Austan D. Goolsbee, presidente do Fed de Chicago, e Jeffrey R. Schmid, presidente do Fed de Kansas, votaram para manter os juros estáveis.

Em coletiva, p presidente do banco central americano, Jerome Powell, afirmou que, a despeito das divergências entre os membros do Fed, a possibilidade de elevação dos juros nos Estados Unidos não está no cenário base de nenhum dos dirigentes. “Discussão está entre manter ou cortar mais os juros”, disse.

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Os investidores ainda avaliaram hoje o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que ficou em 18% em novembro, na mediana das projeções, após alta de 0,09% em outubro, acumulando 4,46% em 12 meses, aquém do teto da meta de 4,50%.

O resultado da inflação em novembro não deve alterar as apostas de que o Copom manterá a Selic em sua decisão desta quarta-feira. Porém, especialistas esperam algum sinal do Banco Central em relação ao início do ciclo de cortes dos juros.

O mercado digeriu também a aprovação do projeto de lei (PL) da dosimetria. O PL, que foi aprovado por 291 votos a 148, reduz penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro por 291 a 148. O projeto pode diminuir o tempo de reclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para 2 anos e 4 meses. O texto foi ao Senado, e o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) prometeu votação rápida.

“O projeto de dosimetria das penas é uma anistia light ao ex-presidente e foi um afago do centrão ao clã Bolsonaro, que busca convencer a família a desistir da candidatura de Flávio Bolsonaro”, cita em nota a 4Intelligence no Café Político.

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Na avaliação dos analistas políticos da consultoria, seja qual for o futuro da pré-candidatura do senador (PL-RJ), anunciada na sexta-feira (5), “já se pode dizer que a operação Flávio Bolsonaro presidente foi positiva para o ex-presidente. Está prestes a render a Bolsonaro cerca de quatro anos a menos de prisão em regime fechado. Não é pouca coisa”, cita a nota.

Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta Super Quarta (10)

Foco fica em decisões de juros do Brasil e EUA

Para Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, as divergências entre os dirigentes mostra uma maior dificuldade do comitê na tomada de decisões em meio ao balanço de riscos que continua delicado, com inflação longe da meta e atividade desacelerando.

“Além de diminuir a taxa de juros, o Fed anunciou a compra de Treasury Bills de curto prazo (títulos de dívida do governo) a partir de amanhã, em outra medida de estímulo à economia que era menos antecipada pelo mercado”, acrescenta Igliori.

Para o Copom, analistas avaliam que o comitê deveria suavizar o tom do comunicado para sinalizar flexibilização à frente, retirando o trecho de que “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste” e qualificando o estágio do “período bastante prolongado”.

A indicação-chave seria manter a estratégia “adequada”, mas adotar uma orientação mais dependente de dados e flexível, abrindo espaço para cortes no começo de 2026, sem assumir compromisso explícito.

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Bolsas de NY fecham em alta após decisão do Fed

Em Wall Street, os índices fecharam em alta, enquanto o dólar hoje recuou ante pares fortes, após a decisão do Fed.

Na Europa, as bolsas da Europa encerraram majoritariamente em queda nesta quarta-feira, pressionadas por setores de automóveis, defesa e luxo.  Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 0,14%, a 9.655,53 pontos. Em Frankfurt, o DAX recuou 0,22%, a 24.110,03 pontos. Em Paris, o CAC 40 caiu 0,37%, a 8.022,69 pontos. Em Milão, o FTSE MIB cedeu 0,25%, a 43.465,34 pontos. Em Madri, o Ibex 35 subiu 0,07%, a 16.746,70 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 0,89%, a 8.018,62 pontos.

IPCA sobe em novembro em linha com as estimativas

IPCA de novembro avança dentro da expectativa do mercado. (Foto: Adobe Stock)

O IPCA do mês de novembro foi 0,18%, 0,09 ponto percentual (p.p.) acima da taxa de 0,09% de outubro, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano, o IPCA acumula alta de 3,92%. O resultado veio em linha com a mediana das estimativas do Projeções Broadcast, que variavam de 0,16% a 0,26%.

Após registrar queda de 0,30% em outubro, o grupo Habitação apresentou variação de 0,52% em novembro, novamente sob influência da energia elétrica residencial, com alta de 1,27% e 0,05 p.p. de impacto. A vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 1, a mesma do mês anterior, adicionou R$ 4,46 na conta de luz a cada 100 Kwh consumidos.

Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, os preços de alimentos e bens industriais vem contribuindo para um alívio na inflação nos últimos meses, favorecidos pela queda das commodities e a desvalorização do dólar frente ao real. A projeção da casa é de que a inflação termine o ano abaixo do limite superior da meta (4,5%).

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Quanto aos juros, a expectativa inicial da C6 foi mantida em 15%.  “Acreditamos que o Copom deve dar início ao ciclo de cortes apenas em março, com a Selic chegando a 13% no fim de 2026.”

Agenda econômica do dia

No exterior, foi monitorado o índice de custo de emprego dos EUA, que subiu 0,8% no terceiro trimestre de 2025 ante os três meses anteriores, segundo dados com ajustes sazonais publicados hoje pelo Departamento do Trabalho americano. O resultado veio abaixo da expectativa de analistas consultados pela FactSet, que projetavam aumento de 0,9% no período.

Também no radar internacional, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou nesta quarta-feira que a autoridade monetária “ainda está em uma boa posição na política monetária” e sinalizou novas revisões nas projeções econômicas. Segundo ela, o BCE “pode atualizar projeções novamente neste mês”, com expectativa de melhora nos indicadores. Lagarde destacou que a economia da zona do euro está “bastante próxima do potencial” e adiantou que as estimativas de crescimento devem ser revisadas “para cima”.

Durante o evento The Global Ballroom, organizado pelo Financial Times, a presidente reforçou que o BCE “deve focar na inflação e levar a economia em consideração”, em meio ao processo de calibragem das taxas de juros.

Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.

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*Com informações de Maria Regina Silva, Silvana Rocha e Luciana Xavier, do Broadcast

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