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Ibovespa hoje perde os 140 mil pontos após anúncio de tarifas de Trump; dólar sobe

Presidente dos EUA anunciou a tarifa de 25% sobre "quaisquer produtos" do Japão e da Coreia do Sul enviados ao país

Retrato de busto sob fundo azul escuro.
Por Camilly Rosaboni
Editado por Wladimir D'Andrade

07/07/2025 | 8:45 Atualização: 08/07/2025 | 7:44

Ameaças de Trump a países do Brics entram no radar do Ibovespa hoje. (Foto: Adobe Stock)
Ameaças de Trump a países do Brics entram no radar do Ibovespa hoje. (Foto: Adobe Stock)

O Ibovespa hoje fechou em queda após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar novas tarifas comerciais nesta segunda-feira (7). O índice cedeu 1,26%, aos 139.489,70 pontos.

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Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre “quaisquer produtos” do Japão e da Coreia do Sul enviados ao país, a partir de 1º de agosto. O republicano destacou ainda que essas sobretaxas de 25% serão “separadas de todas as tarifas setoriais” e alertou que a alíquota pode subir caso Japão ou Coreia decidam retaliar. “Se, por qualquer motivo, vocês decidirem aumentar suas tarifas, então, qualquer que seja o valor desse aumento, ele será somado aos 25% que cobramos”, e sugeriu que a taxa pode ser revista, “para cima ou para baixo, dependendo da relação com os países”. A medida, segundo ele, busca corrigir “décadas de déficits comerciais insustentáveis” provocados por políticas tarifárias e não tarifárias dos dois países asiáticos.

O presidente disse que empresas japonesas e coreanas não pagarão tarifas se decidirem produzir nos EUA. “Faremos tudo para aprovar rapidamente seus projetos, em outras palavras, em questão de semanas”, prometeu. Ao final das mensagens, Trump justificou a medida dizendo que o déficit comercial representa “uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional”.

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Trump também anunciou novas tarifas de importação sobre produtos de mais cinco países: Laos, Mianmar, Malásia, Casaquistão e África do Sul. As medidas entrarão em vigor a partir de 1º de agosto. Segundo os comunicados oficiais, produtos do Laos e de Mianmar serão taxados em 40%, enquanto as importações de Malásia e Casaquistão enfrentarão tarifas de 25%. Para a África do Sul, o porcentual será de 30%.

O índice de volatilidade VIX, espécie de “termômetro do medo” em Wall Street, ganhou força e subiu 1,77%, após o anúncio do presidente, atingindo os 17,79 pontos. Mais cedo, chegou a saltar 4%.

A desvalorização das bolsas americanas também pesou, enquanto investidores monitoraram a ameaça tarifária dos EUA aos Brics (sigla que representa o bloco de países formados por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). “É cautela total com tarifas”, afirma o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

A desvalorização devolveu parte dos lucros recentes do principal índice da B3. Na sexta-feira (4), o índice encerrou aos 141.263,56 pontos, com alta de 0,24%, em nova máxima histórica. Na última semana, acumulou valorização de 3,21%.

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“Olhando mais para o longo prazo e não recuando, podemos falar num horizonte na faixa de 150 mil pontos para o Ibovespa”, afirma Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil.

  • Leia mais: Por que o Ibovespa vem batendo recordes mesmo com a Selic nas alturas?

Na volta dos mercados em Wall Street, depois do feriado da Independência na sexta-feira, investidores focaram nos anúncios de acordos tarifários dos Estados Unidos, às vésperas do fim da pausa de tarifas estipulada pelo presidente Donald Trump.

“O mercado quer ver o que Trump vai falar sobre as negociações que não estão andando como com Japão e a União Europeia”, diz Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital, lembrando ainda da tarifa adicional de 10% prometida pelo republicano ao Brics. “Acho que essa ideia de implementar mais 10% vai continuar”, estima.

A saída encontrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para o impasse do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), ao marcar uma audiência de conciliação entre Executivo e Legislativo para o próximo dia 15, também esteve no radar e foi bem recebida pelo mercado de ações.

No câmbio doméstico, o dólar hoje fechou em alta de 0,98% a R$ 5,4778. O índice DXY, por sua vez, fechou em alta de 0,3% aos 97,48 pontos.

Ibovespa hoje: os principais assuntos desta segunda-feira (7)

Agenda econômica do dia

Os mercados abriram a segunda-feira (7) focados nos anúncios de acordos tarifários dos EUA e na divulgação da ata do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que ocorre nesta semana e deve detalhar a visão sobre a atividade, inflação e emprego americanos em meio às incertezas comerciais.

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Na agenda econômica hoje, a reunião de Cúpula dos países do Brics (sigla que representa o bloco de países formados por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) prosseguiu no Rio de Janeiro nesta segunda-feira, também sendo acompanhados o resultado do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de junho e o resultado do boletim Focus. Confira aqui o calendário econômico da semana.

As vendas no varejo restrito e ampliado em maio saem na terça-feira (8); o IPCA de junho, na quinta-feira (10); e a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), na sexta-feira (11). A B3 funcionará normalmente na quarta-feira, apesar do feriado de 9 de julho em São Paulo – veja o que funciona neste dia.

Nesta semana, os destaques internacionais incluem a ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) e o fim da pausa nas tarifas recíprocas do governo do presidente americano, Donald Trump, na quarta-feira. Nos EUA, saem dados de crédito ao consumidor na terça e estoques no atacado na quarta.

Dirigentes do Fed, Banco da Inglaterra (BoE) e Banco Central Europeu (BCE) discursam ao longo da semana. Decisões de juros serão divulgadas na terça pelo banco central da Austrália e na quarta pelo da Coreia do Sul. Na China, saem os dados de inflação de junho na terça, e da balança comercial no sábado (12).

Bolsas globais adotam cautela à espera de tarifas de Trump

A volta do feriado nos EUA teve agenda esvaziada, e os investidores adotaram cautela diante das incertezas comerciais. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que Trump irá notificar os parceiros comerciais sem acordo estabelecido até 1º de agosto sobre o retorno às tarifas implementadas em 2 de abril.

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Além disso, o presidente dos Estados Unidos ameaçou os países ligados ao Brics com uma tarifa adicional de importação de 10%. “Qualquer país que se alinhar às políticas antiamericanas do Brics será submetido a uma tarifa adicional de 10%. Não haverá exceções a essa política”, escreveu o republicano na rede Truth Social na noite do domingo (6).

A ameaça de Trump ocorreu durante a Cúpula do Brics no Rio de Janeiro, que termina nesta segunda-feira. No encontro, os países integrantes do bloco sinalizaram “sérias preocupações” com as medidas protecionistas e unilaterais de comércio, em referência à guerra tarifária deflagrada pelo presidente americano, sem citá-lo nominalmente.

Os índices de Nova York fecharam em queda, enquanto as ações da Tesla (TSLA34) recuaram 6,79% após Elon Musk anunciar a criação de um novo partido político, que Trump chamou de “ridículo”.

As bolsas da Europa fecharam sem sinal único, com atenção à postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto se aproxima o prazo da suspensão tarifária estabelecida pelo país, no dia 9 de julho. Além disso, esteve no radar a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) de aumentar a produção acima do que era amplamente esperado, o que tende a pressionar os preços dos hidrocarbonetos.

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O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em alta de 0,44%, a 543,50 pontos. Em Londres, o FTSE 100 caiu 0,19%, a 8.806,53 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 1,20%, a 24.073,67 pontos. Em Paris, o CAC 40 avançou 0,35%, a 7.723,47 pontos.

Commodities: petróleo sobe, enquanto minério recua

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta hoje, apesar da decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) no final de semana de elevar a produção acima do esperado. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para agosto fechou em alta de 1,39% (US$ 0,93), a US$ 67,93 o barril. Já o Brent para setembro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), avançou 1,87% (US$ 1,28), a US$ 69,58 o barril.

Entre as commodities hoje, o minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para setembro de 2025, fechou em queda de 0,68%, cotado a 731 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 102,01.

Focus mostra nova queda para projeção de inflação

O boletim Focus do Banco Central (BC) atualizou, nesta segunda-feira (7), as previsões para os principais indicadores econômicos, incluindo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e taxa Selic.

A mediana das projeções do relatório do BC para a inflação brasileira em 2025 caiu de 5,20% a 5,18%, acima do teto da meta (4,50%). Para os juros brasileiros, o boletim Focus espera que a Selic continue em 15% ao final de 2025, mesmo patamar da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Veja o que esperar para os próximos anos nesta matéria.

Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na Bolsa de Valores brasileira, influenciando o Ibovespa hoje.

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* Com informações de Maria Regina Silva, Silvana Rocha e Luciana Xavier, do Broadcast

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