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Tarifaço brasileiro e as primeiras repercussões econômicas

Nova tarifa de 50% dos EUA contra produtos brasileiros impacta o câmbio, pressiona exportadores e pode custar até US$ 12 bi em exportações em 12 meses

Por Bruno Funchal

30/07/2025 | 15:07 Atualização: 01/08/2025 | 17:58

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Tarifas de Trump sobre os produtos brasileiros pode ter reação no mercado de exportação, câmbio e mais (Foto: Adobe Stock)
Tarifas de Trump sobre os produtos brasileiros pode ter reação no mercado de exportação, câmbio e mais (Foto: Adobe Stock)

É impossível não estar atento para o movimento feito pelo governo americano sobre as tarifas de importação dos produtos brasileiros e suas repercussões aqui e lá nos Estados Unidos. No dia 9 de julho, o presidente Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% específica para o Brasil, em substituição aos 10% previamente anunciados no dia 02 de abril, tendo o início de sua aplicação essa semana, dia 01 de agosto.

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É claro que este “jogo” não acaba por aqui, certamente terão algumas rodadas de negociação até sabermos qual o ponto de equilíbrio, mas é possível inferir algumas repercussões deste movimento aqui para a nossa economia.

  • Leia mais: Oportunidades de investimento em um cenário de estabilização de juros

O efeito mais imediato foi sobre o câmbio, com uma desvalorização de 2% logo após o anúncio e sobre os setores e empresas que tem suas exportações concentradas para a economia americana, como o setor do agronegócio com o suco de laranja que representa 42% da importação americana sobre esse produto e café que representa 16% de sua importação, a indústria de bens manufaturados como a aeronáutica, com a Embraer (EMBR3), cuja as importações americanas representam 60% das exportações brasileiras e máquinas e motores eletrônicos com 60% da nossa exportação, setor de produtos florestais com madeira, papel e celulose e as indústrias de petróleo, química e siderúrgica.

É claro que quanto mais complexo o produto e mais específico a demanda do importador americano, maior a dificuldade em criar novos canais substitutos para a venda desses produtos, com o impacto sendo potencialmente maior no longo prazo, do que aquele mais próximos de commodities (matérias-primas). Com todo esse impacto nos diversos setores estimamos uma perda de exportação na casa de US$ 12 bi em 12 meses, piorando nosso déficit em conta corrente.

  • Leia mais: O futuro é hoje: os caminhos para investir bem em 2025

Em relação as outras variáveis macro o efeito, por enquanto, não é tão significativo assim, se comparado com os setores afetados diretamente. Em relação a atividade o efeito não deve ser muito maior que 0,3% de perda de crescimento econômico em um horizonte de 12 meses.

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Com relação a inflação temos dois efeitos aqui no Brasil. O primeiro ocorre através de produtos que deixam de ser exportados e, como alternativa, são vendidos internamente, gerando um excesso de oferta e uma pressão por queda de preços, em torno de 0,11%. Por outro lado, a desvalorização cambial potencial com essa medida pode mais que compensar esse efeito deflacionário do excesso de oferta dos bens que seriam exportados.

Com essa repercussão em atividade e inflação é natural pensar como isso pode impactar nos próximos passos da nossa política monetária. Na nossa visão, os efeitos imediatos não levam a medidas que façam o Banco Central (BC) mudar sua trajetória de manutenção de juros em 15% por um bom tempo, visto o pequeno efeito na atividade e na inflação.

  • Leia mais: Qual é o papel da Inteligência Artificial (IA) nos investimentos?

O desafio são os próximos capítulos dessa novela que só está começando. Há um tanto de imprevisibilidade nos próximos passos, mas uma certeza: uma retaliação brasileira na mesma moeda é um ruim, é muito mais inflacionário e com maior impacto sobre atividade econômica. Nossa melhor resposta é entender bem os próximos passos, abrir bons canais de comunicação e negociar com precisão para que o dano do tarifaço brasileiro seja limitado.

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