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Educação Financeira

Regras do Pix Parcelado chegam em setembro; entenda como vai funcionar, quais os custos e o que muda para o consumidor

Bancos já trabalham com a novidade, mas nomes, normas e taxas mudam de uma instituição para a outra; saiba também sobre cuidados antes de usar

Retrato de busto sob fundo azul escuro.
Por Beatriz Rocha
Editado por Wladimir D'Andrade

03/09/2025 | 18:00 Atualização: 03/09/2025 | 18:15

Pix Parcelado pode ampliar acesso ao crédito no Brasil. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Pix Parcelado pode ampliar acesso ao crédito no Brasil. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Banco Central (BC) deve divulgar as regras do Pix Parcelado no final de setembro. Embora a modalidade já seja adotada por algumas instituições financeiras, a ideia agora é padronizar o produto, uniformizar a experiência dos usuários e garantir maior transparência aos consumidores.

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  • Leia mais: Pix parcelado vs cartão de crédito: o que dizem os especialistas sobre o novo concorrente, taxas e benefícios

Atualmente, cada banco utiliza regras próprias ao oferecer o Pix Parcelado. Até mesmo o nome da modalidade varia de instituição para instituição. No Santander, por exemplo, ela é chamada de Divide o Pix e está disponível para valores a partir de R$ 5. O pagamento das parcelas ocorre em débito na conta corrente na data escolhida pelo cliente.

No Banco do Brasil, o processo funciona de forma parecida. Correntistas com limite de crédito disponível podem ativar a opção nas transações de Pix a partir de R$ 100. O banco, então, desconta o dinheiro da conta corrente de acordo com a data que foi estipulada no momento da contratação.

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Raul Sena, educador financeiro e CEO da consultoria AUVP Capital, explica que as diferentes regras entre instituições confundem o consumidor e podem levar a decisões ruins por falta de clareza. “Quando o Banco Central cria uma padronização, a gente ganha mais segurança e transparência. O cliente passa a saber o que esperar, quais são os custos envolvidos e como funciona a operação”, diz.

Como funciona na prática: recebedor à vista, consumidor em parcelas

Segundo o BC, ao utilizar o Pix Parcelado, o recebedor terá acesso imediato ao valor integral, enquanto o pagador parcela a transação. O órgão avalia que a funcionalidade pode impulsionar o uso do Pix no varejo para compras de maior valor, além de beneficiar consumidores que não têm acesso ao cartão de crédito.

Em junho deste ano, durante o evento de lançamento do Pix Automático, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a medida também pode favorecer aqueles que utilizam o cartão.

“Acredito que muitos de nós já passamos por situações de clonagem ou algum tipo de fraude, que nos obrigaram a trocar o cartão de todos os serviços de assinaturas. O mesmo acontece quando o cartão vence. O Pix Parcelado deve trazer uma facilidade adicional”, afirmou.
  • Pix Automático ou Pix Agendado? Entenda as diferenças entre os dois métodos de pagamento

Quais cuidados tomar antes de usar o Pix Parcelado?

Embora traga mais praticidade para os consumidores, o Pix Parcelado continua sendo uma forma de crédito e, sem o uso com disciplina, pode levar ao endividamento. O primeiro cuidado está justamente aí: ter em mente que o Pix Parcelado nada mais é do que um empréstimo, ainda que com uma roupagem diferente.

“Crédito parcelado deve ser usado em casos pontuais e não como extensão da renda”, destaca Raul Sena.

Antes de aderir, o especialista aconselha que o consumidor confira quais são as taxas de juros praticadas, os impostos envolvidos e as consequências de não honrar o pagamento. O usuário deve estar ciente do custo total da operação.

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De acordo com Cintia Senna, educadora financeira da DSOP Educação Financeira, ao realizar qualquer compra o consumidor precisa avaliar se o gasto cabe no orçamento. “É fundamental verificar se a despesa pode ser feita sem comprometer ainda mais o nível de endividamento”, alerta.

Pix Parcelado x cartão de crédito: o que é melhor?

Senna lembra que, no Brasil, é comum parcelar compras sem juros no cartão de crédito – embora o custo já esteja embutido no preço final do produto. O problema surge quando o consumidor não paga a fatura até o vencimento, pois o valor pendente passa a gerar novos juros que se somam à conta.

No Pix Parcelado, por outro lado, a taxa de juros começa a ser cobrada assim que o cliente realiza a compra. “Comparar as taxas do Pix e do cartão ainda é complicado, mas isso deve se tornar mais transparente quando o BC padronizar as regras da modalidade”, avalia a educadora financeira.

  • Veja: Os 12 melhores cartões de crédito de 2025 com milhas, cashback e anuidade zero

A expectativa do BC é que o Pix Parcelado ofereça taxas mais atrativas, graças à ausência de tarifas de maquininhas e ao recebimento instantâneo do dinheiro pelos comerciantes, o que pode favorecer a concessão de descontos.

Acessibilidade do Pix Parcelado ante os benefícios do cartão

Em termos de acessibilidade, o cartão exige pagamento de anuidade e requer que o usuário seja aprovado em uma análise de crédito, processo que pode levar algum tempo. No Pix Parcelado, esses obstáculos são eliminados, facilitando o acesso aos consumidores.

Mas o cartão também apresenta vantagens, como a possibilidade de acumular pontos (milhas), ganhar cashback e ter acesso a programas de fidelidade e salas VIP em aeroportos. Ricardo Rocha, professor e coordenador do Programa Avançado em Finanças do Insper, ressalta que o Pix não deve substituir totalmente o cartão, funcionando mais como uma diversificação das formas de pagamento.

O professor também destaca que mudanças culturais levam tempo. “O pagamento do Pix à vista foi fácil para o usuário entender. Já o Pix Parcelado é um pouco mais complexo, pois envolve controle das parcelas para não comprometer a situação financeira no futuro”, afirma.

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