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Criptomoedas

Stablecoin brasileira BRL1 promete transformar transações internacionais; CEO responde 3 perguntas-chave para entender como

Thomaz Teixeira foi um dos palestrantes do segundo dia da Stablecoin Conference 2025, evento realizado na Cidade do México

Por Daniel Rocha

30/08/2025 | 8:30 Atualização: 30/08/2025 | 10:37

Thomaz Teixeira é CEO da BRL1, stablecoin atrelada ao real. (Foto: Stablecoin Conference 2025)
Thomaz Teixeira é CEO da BRL1, stablecoin atrelada ao real. (Foto: Stablecoin Conference 2025)

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As stablecoins, criptomoedas que buscam manter o valor estável de uma moeda fiduciária, podem revolucionar as transações internacionais do sistema financeiro ao reduzir o tempo das operações transfronteiriças. A possibilidade torna-se viável porque, segundo Thomaz Teixeira, CEO da BRL1, stablecoin que mantém paridade com o real, esses ativos digitais fazem parte de um protocolo global, ao contrário dos meios tradicionais que operam dentro de um arcabouço específico de cada país.

“Se uma empresa precisar realizar um pagamento na China pelos meios tradicionais, será preciso cinco dias úteis para finalizar essa operação. Com stablecoin, isso pode durar segundos”, disse Teixeira ao E-Investidor. 

A eficiência vai além da redução do tempo das operações. Com o avanço do mercado das stablecoins, empresas têm lançados ativos com lastro em reservas que possam garantir paridade com outras moedas fiduciárias além do dólar. A iniciativa protege as empresas e investidores das oscilações do câmbio.

É o caso do BRL1 que foi lançado em março deste ano, pelas exchanges (corretoras de criptoativos) Bitso, Foxbit e Mercado Bitcoin (MB), ao lado da Cainvest, provedora de liquidez internacional

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Para Teixeira, o ativo permite a empresas brasileiras e investidores locais a possibilidade de manter seus recursos na rede on-chain – ou seja, na blockchain, que é o sistema que sustenta os criptoativos – na moeda brasileira, sem precisar converter para o dólar ou o euro.

Em muitos casos, ficavam limitados a manter seus recursos em stablecoins de dólar, como o USDC e USDT. Segundo Teixeira, isso os deixa expostos às oscilações de taxa de câmbio.

A mesma vantagem se aplica para investidores ou empresas estrangeiras que desejam fazer movimentações no Brasil. Ao manter os seus recursos na rede on-chain, a conversão do dinheiro para o real ocorre de forma instantânea.

Além disso, a adoção do ativo aumenta o fluxo de capital em direção aos cofres da União. Isso porque o ativo digital mantém lastro em títulos do Tesouro Direto para garantir a sua paridade de 1:1 com o real.

“Fica claro que quanto mais o Brasil tiver uma regulação clara, mais capital estrangeiro poderá ser direcionado ao País”, reforça Teixeira.

Thomaz Teixeira fez parte do painel “Além do dólar: como as stablecoins não-USD podem desbloquear oportunidades globais para a América Latina” na primeira edição da Stablecoin Conference 2025, evento realizado pela Bitso, empresa de serviços financeiros baseados em criptomoedas, na Cidade do México.

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À reportagem, presente no evento, o executivo detalhou o potencial do BRL1 para a economia brasileira.

E-Investidor – Qual é a principal mudança que uma stablecoin, como a BRL1, pode oferecer ao mercado brasileiro?

Thomaz Teixeira – No ambiente cross-border, que envolve importação, exportação e transações internacionais, não dá para operar apenas em real porque o mundo não aceita o real diretamente. Nesse sentido, a stablecoin BRL1 funciona como um canal de acesso para recursos externos entrarem no Brasil. Permitimos que agentes estrangeiros convertam seus recursos, por exemplo, de dólares para reais.

Esses recursos se transformam automaticamente em reservas em títulos brasileiros, o que dá a eles a capacidade de atuar digitalmente no Brasil. Fica claro que, quanto maior for a regulação do Brasil, mais capital estrangeiro poderá ser direcionado ao País.

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Outra frente em discussão vem do uso desses ativos como meio de pagamentos entre países. A BRL1 pode, sim, assumir esse papel, facilitando transações internacionais do Brasil sem depender exclusivamente do dólar.

Temos empresas brasileiras que por agilidade, eficiência ou para acesso a meios digitais estão com dinheiro on-chain. Em muitos casos ficam limitadas a manter seus recursos em stablecoins de dólar: USDC e USDT. Isso as deixava expostas a oscilação de taxa de câmbio. Com BRL1, elas podem manter os valor on-chain, mas sem risco cambial.

Há alguma estimativa de como os ativos digitais podem reduzir os custos das transações transfronteiriças?

Vai depender muito da atividade econômica, mas acredito que fique em torno de 10 ou até 100 vezes mais barato do que pelas alternativas atuais. Em termos de tempo, a diferença é gigantesca.

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Se uma empresa precisa realizar um pagamento na China pelos meios tradicionais, essa operação pode demorar cinco dias úteis para ser realizadas. Com as stablecoins, o pagamento pode ser feito em dez segundos. Ou seja, um negócio com determinado país passa a ser uma possibilidade.

Com a crescente adoção institucional das stablecoins, qual é o papel do Banco Central nesse processo?

O Banco Central (BC) vai seguir com uma postura cautelosa porque precisa zelar as regras que já existem no sistema financeiro. Mas a sua atuação pró-inovação e pró-eficiência que vemos desde o surgimento do Pix deve garantir uma maior segurança jurídica para a indústria.

Isso não é algo exclusivo do BC. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também demonstrar ter um claro esforço nesse sentido.

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Contudo, essa discussão de como essa regulação deve acontecer envolve toda a sociedade. Então, o BC até lidera essa discussão, mas é um órgão que faz parte de um arcabouço regulatório.

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