Por volta das 11h, as ações da Ambipar avançavam 23,5%, a R$ 0,84.
Convocada em setembro, a AGE tinha como pauta alterações na composição do Conselho de Administração. A proposta previa a eleição de Ricardo Cássio Rodrigues Chagas como novo membro e presidente do colegiado. Caso a medida fosse aprovada, o conselho passaria de cinco para seis integrantes. Com o cancelamento, Alessandra Bessa Alves de Melo segue como presidente.
Em esclarecimentos apresentados na última sexta-feira (3), a companhia reforçou que a tutela foi prudente e indispensável para evitar o “colapso de um grupo empresarial estratégico para o País, cuja atuação projeta o Brasil no cenário internacional da sustentabilidade”.
O Deutsche Bank, junto ao qual a Ambipar teria compromissos financeiros de US$ 550 milhões, está no centro da decisão da Justiça de suspender as cobranças contra a empresa. Ao solicitar a tutela cautelar, a companhia informou que o aditivo em um contrato de empréstimo com o banco no exterior começou a esvaziar o seu caixa, com uma saída contabilizada de mais de R$ 200 milhões.
A Ambipar calcula o risco de um rombo de mais de R$ 10 bilhões, considerando que os seus compromissos financeiros contêm cláusulas de vencimento antecipado em caso de inadimplência de qualquer uma de suas dívidas.
COEs da Ambipar geram prejuízos a investidores
Há também polêmicas com a Ambipar sobre Certificados de Operações Estruturadas (COEs) da XP Investimentos e do BTG Pactual (BPAC11). A relação Ambipar XP Investimentos, assim como o caso do BTG, vem da venda de COEs com a promessa de retornos seguros.
A XP e o BTG venderam o produto como uma aplicação que promete combinar a previsibilidade da renda fixa com o potencial de valorização da renda variável, como ações. Nesta semana, no entanto, esse produto financeiro fez muitos investidores perderem milhares de reais após uma crise deflagrada na Ambipar – reportagem completa aqui.
As duas instituições comunicaram os clientes sobre mudanças no ativo, que levaram investidores ao prejuízo, após comercializar o produto ao longo de 2024, destacando o modelo híbrido de alocação como uma forma de limitar riscos sem abrir mão de rentabilidade.
Desde o final de setembro, a Ambipar tem indicado que pode pedir recuperação judicial, o que fez os ativos despencarem 90,5% nos últimos 10 pregões até terça-feira (7) e perderem R$ 11,38 bilhões em valor de mercado.
Ambipar é rebaixada e dá calote em fundo imobiliário
Com os desdobramentos recentes, agências cortaram a nota de crédito da Ambipar. A S&P Global rebaixou a classificação da companhia de BB- para D, o correspondente a um default (classificação que equivale a um calote da dívida). A Fitch também cortou a nota, mas em menor proporção, de BB- para C.
Já na terça-feira (7), o fundo imobiliário BM Brascan Lajes Corporativas (BMLC11) informou que não recebeu o aluguel referente a setembro da Ambipar Response, uma das unidades de negócio da Ambipar. Segundo o fundo, o calote gerou um impacto negativo de R$ 0,06 por cota, com reflexo direto na distribuição de dividendos.
Desse modo, o investidor de Ambipar (AMBP3) precisa de cautela antes de dar o próximo passo.