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Mercado

Trump anuncia tarifa extra de 100% à China: qual o impacto para o mercado?

EWZ, principal fundo de índice (ETF) brasileiro negociado em Nova York, recuava 2,97% após o anúncio

Por Beatriz Rocha

10/10/2025 | 19:38 Atualização: 10/10/2025 | 20:06

Tarifa adicional começa a valer a partir de 1º de novembro. Foto: Adobe Stock
Tarifa adicional começa a valer a partir de 1º de novembro. Foto: Adobe Stock

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (10) uma tarifa adicional de 100% à China, a partir de 1° de novembro, além das que estão sendo cobradas atualmente. O republicano também disse que a taxa pode ser adiantada, a depender de quaisquer ações ou mudanças futuras tomadas pelo país asiático.

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Em publicação na rede Truth Social, Trump divulgou ainda controles de exportações sobre “todo e qualquer software crítico”. Segundo ele, a medida se mostrou necessária após Pequim “assumir uma posição extraordinariamente agressiva”.

“A restrição de exportações de elementos estratégicos, como os minerais de terras raras, afeta todos os países, sem exceção, e foi obviamente um plano elaborado por eles anos atrás. É absolutamente inédito no comércio internacional e uma vergonha moral em relação a outras nações”, escreveu na postagem.

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No começo da tarde desta sexta-feira, o republicano já havia adiantado que estaria considerando um “aumento massivo” sobre as tarifas aplicadas à China, além de outras formas de retaliação, o que fez os índices de Nova York fecharem em queda, o Vix – índice do medo de Wall Street – saltar mais de 30% e as ações das big techs tombarem no mercado americano.

O movimento de Trump seria uma resposta ao que ele classificou como um ato “hostil” de Pequim ao restringir exportações de elementos estratégicos, como os minerais de terras raras, muito utilizados na indústria de tecnologia. “Algumas coisas muito estranhas estão acontecendo na China. Eles estão se tornando muito hostis e enviando cartas para países em todo o mundo, informando que querem impor controles de exportação”, destacou.

O presidente disse ter sido procurado por outros países “extremamente irritados”, sem citar quais, com o que chamou de “grande hostilidade comercial”, acrescentando que o relacionamento entre Washington e Pequim “vinha sendo muito bom nos últimos seis meses”, o que tornaria o gesto chinês ainda mais surpreendente para ele.

Trump mencionou ainda que deveria se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping, em duas semanas, na Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), na Coreia do Sul, mas afirmou “não haver motivo para tal” diante da nova postura de Pequim.

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Na avaliação de Willian Andrade, sócio e CIO da Kaya Asset Management, ao encarecer insumos críticos, como semicondutores e terras raras, as medidas do presidente dos EUA pressionam custos de setores estratégicos, reduzindo competitividade e ampliando riscos inflacionários. “A decisão tende a gerar efeitos adversos para o próprio mercado americano”, comenta.

Os impactos para o mercado

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, avalia que anúncios como esse tendem a trazer maior volatilidade ao mercado, como já observado no primeiro semestre. “Sempre que a relação comercial entre os dois países piora, o mercado reage: há realização de lucros, o petróleo cai diante da expectativa de menor atividade econômica nas potências e os investidores migram de ativos mais arriscados para os mais seguros”, afirma.

Sinais dessas oscilações podem ser sentidas após a confirmação da ofensiva tarifária. O dólar futuro para novembro, que já subia mais de 2,5%, acelerou o ritmo de alta e renovou sucessivas máximas, aproximando-se de R$ 5,56, com o aumento da aversão ao risco no exterior.

Já o EWZ, principal fundo de índice (ETF) brasileiro negociado em Nova York, estendeu as perdas do pregão regular e recuava 2,97% às 19h44, no after hours. Na mesma linha, o Ibovespa futuro também acentuou queda depois do fechamento do mercado à vista na B3, em baixa de 1,15%, aos 140.235 pontos, com a tensão comercial entre as duas maiores economias do globo.

Para Marisa Rossignoli, conselheira do Corecon-SP e docente de economia da Universidade de Marília (Unimar), o anúncio deve introduzir um novo período de rearranjos comerciais. “Se, por um lado, parecíamos ao menos estar caminhando para uma negociação entre Brasil e EUA, ao pressionar a China, os Estados Unidos nos pressionam novamente. Considerando que o país asiático é nosso maior parceiro comercial, vejo com preocupação os impactos”, avalia.

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Na última segunda-feira (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou com Trump por 30 minutos em uma ligação que o presidente americano classificou como “ótima”. O republicano designou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para dar sequência às negociações com o Brasil envolvendo o tarifaço. Do lado brasileiro, os designados por Lula são o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e da Fazenda, Fernando Haddad.

Agora, o aumento tarifário sobre a China pode causar mais incertezas e até mudar as expectativas em relação aos juros americanos. Frederico Figueiredo, assessor de investimentos da Miura Investimentos, explica que há o risco de o dólar ganhar força e afetar a inflação dos EUA. “O cenário pode alterar os planos do Federal Reserve (Fed)“, comenta.

*Com informações do Broadcast

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