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Investimentos

Guerra comercial entre EUA e China cria efeito “duplo” para o Brasil: veja onde investir

Briga comercial eleva volatilidade dos mercados globais, mas abre janelas de oportunidades para o mercado brasileiro

Por Daniel Rocha

16/10/2025 | 5:30 Atualização: 16/10/2025 | 9:19

EUA anunciaram novas taxas sobre os itens chines após Pequim restringe exportações de minerais raros (Foto: Adobe Stock)
EUA anunciaram novas taxas sobre os itens chines após Pequim restringe exportações de minerais raros (Foto: Adobe Stock)

O Brasil deve sofrer efeitos mistos com os novos capítulos da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Para especialistas consultados pelo E-Investidor, a expectativa é de que os ativos domésticos sofram com a volatilidade dos mercados globais e com a busca dos investidores estrangeiros por ativos de menor risco, como o ouro. Por outro lado, há a possibilidade de as companhias brasileiras ligadas ao setor de commodities se beneficiarem com o conflito.

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A tensão entre as duas maiores economias do mundo ressurgiu na semana passada, quando Pequim decidiu intensificar as restrições para as exportações de metais de terras raras. Esses itens são fundamentais para o desenvolvimento de novas tecnologias e para o processo de transição energética. Segundo a China, a medida busca “proteger melhor a segurança e os interesses nacionais” e “cumprir as obrigações internacionais de não proliferação”.

O presidente Donald Trump reagiu à decisão e anunciou, na última sexta-feira (10), tarifas de 100% sobre produtos chineses como forma de retaliação às medidas de Pequim. A notícia foi suficiente para aumentar o estresse dos mercados. Naquele pregão, o dólar encerrou em alta de 2,39% a R$ 5,5037, maior valor de fechamento desde 5 de agosto, quando havia fechado a R$ 5,5060. Já o índice do medo (VIX) da Bolsa de Nova York disparou 33,48%, para 21,93 pontos. O índice do medo (VIX) da Bolsa de Nova York, por sua vez, saltou 33,48% para 21,93 pontos.

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Já nesta quarta-feira (15), houve um novo desdobramento. O republicano anunciou uma nova rodada de tarifas de 100% a 150% sobre os produtos chineses ligados aos setores marítimo, logístico e de construção naval. A ação visa “reduzir a dependência de fontes chinesas” e “fortalecer a segurança econômica e de cadeias de suprimentos” do país. A medida será publicada amanhã no Federal Register, o diário oficial dos EUA. De acordo com o texto, as novas tarifas à China entram em vigor em 9 de novembro.

“As tarifas cruzadas entre as duas maiores economias do mundo tendem a elevar custos produtivos, reduzir o comércio internacional e gerar volatilidade nas commodities e nas moedas emergentes (como o real)”, diz Sidney Lima, Analista da Ouro Preto Investimentos.

A briga entre as duas potências econômicas, contudo, pode favorecer as companhias ligadas à produção de minério de ferro, petróleo a produtos agrícolas, além das empresas exportadoras que possuem parte das suas receitas atreladas ao dólar. “O Brasil ainda tem um grupo de empresas que se beneficiam estruturalmente do dólar forte, justamente por terem receita majoritariamente atrelada à moeda americana”, ressalta Lima.

Os efeitos positivos não se restringem apenas a esse movimento. Marcelo Cabral, CEO da Straton Capital, diz que as restrições impostas pela China sobre as terras raras abre espaço para o Brasil exportar seus minerais críticos. Vale lembrar que esses ativos já despertaram interesse dos Estados Unidos e foram citados por representantes do comércio norte-americano como condição para a realização de um acordo comercial em torno das tarifas sobre os itens brasileiros, como mostrou o Estadão.

Dado o interesse, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reconheceu nesta terça-feira (14) que a pauta de terras raras poderá ser um objeto de negociações com o governo americano. “As terras raras e minerais críticos colocam o Brasil em uma posição de destaque porque o País possui uma das maiores reservas do mundo. E a sua produção é bastante incipiente”, diz o executivo.

Essa percepção não é exclusiva de Cabral. A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, também está atenta ao papel do Brasil nesse mercado. Em agosto passado, Axel Christensen, estrategista-chefe de investimentos para a América Latina da BlackRock, disse ao E-Investidor que os minerais críticos e terras raras brasileiras podem gerar receitas relevantes para o Brasil, além de impulsionar o setor de infraestrutura. Por isso, estavam otimistas com o mercado brasileiro, independente do resultado das eleições presidenciais de 2026.

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O que muda para o investidor?

Apesar dos projeções otimistas para o Brasil em meio às tensões geopolíticas, especialistas recomendam cautela aos investidores e prioridade em ativos financeiros de qualidade. Para Lima, ações de companhias com receitas dolarizadas se destacam neste cenário. “São os casos da Embraer (EMBR3), que exporta aeronaves e componentes de alto valor agregado, da Suzano (SUZB3) e da Klabin (KLBN11), com vendas de celulose cotadas em dólar, que tendem a preservar margens”, afirma Lima, da Ouro Preto Investimentos.

Já Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação, cita os ETFs (Exchange Traded Fund) como alternativas estratégicas para os períodos de volatilidade que exigem diversificação do portfólio. “Eles permitem ao investidor acessar diferentes geografias e setores, reduzindo o impacto de choques regionais e diluindo o risco específico de empresas ou moedas”, avalia Murad. 

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