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Investimentos

Ouro dispara 59,5% em 2025: por que o metal bate recordes e como montar hoje posição com 5% a 10% da carteira

Analistas reforçam papel do ativo como refúgio, mas alertam para correções; confira o vídeo com 4 formas para investir nele

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade e  Camilly Rosaboni 

20/10/2025 | 5:30 Atualização: 24/10/2025 | 11:02

Com um brilho cada vez mais intenso, o ouro tem encantado investidores pelo mundo e batendo recordes a cada pregão de 2025. O metal acumula ganhos sucessivos desde janeiro, em um cenário global conturbado pela guerra comercial, pela redução dos juros nos Estados Unidos e pelos desafios fiscais enfrentados pelo país. Analistas avaliam o ativo como uma opção atrativa para diversificação das carteiras, embora alertem para a possibilidade de correções no preço.

Leia mais:
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Em apenas 13 sessões de outubro, o ouro registrou recordes em oito delas. Na última sexta-feira (17), a commodity atingiu um novo patamar histórico a US$ 4.392 a onça troy, mas encerrou em queda de 2,12%, a US$ 4.213,30 por onça-troy. Já no acumulado de 2025, o metal já soma alta de 59,53% em relação ao último fechamento.

Um levantamento de Einar Rivero, sócio-fundador da consultoria de dados financeiros Elos Ayta, mostra que a valorização do ouro tem sido consistente ao longo de todo o ano.

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Na visão do diretor de ouro da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, as recentes ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para dar cabo ao seu tarifaço global valorizaram a commodity na comparação com o dólar. Ele comenta que o mercado trabalha com a possibilidade de desaceleração da economia americana devido à intensificação da guerra comercial.

Com o ouro batendo recorde atrás de recorde, cada vez mais investidores passam a considerar o metal precioso em suas carteiras de investimentos. No vídeo a seguir, veja quatro formas simples e acessíveis de investir em ouro e diversificar seu portfólio.

Crise fiscal nos EUA eleva demanda por ouro

Na última terça-feira (14), o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou ligeiramente sua projeção de crescimento para a economia dos Estados Unidos em 2025, de 1,9% para 2,0%, segundo a atualização de outubro do relatório Perspectivas da Economia Mundial (WEO, na sigla em inglês).

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Ainda assim, o número mostra uma redução no avanço da atividade econômica na comparação com o ano passado, quando o Produto Interno Bruto (PIB) americano cresceu 2,8%. “A desaceleração será puxada pela incerteza de política, por barreiras comerciais mais elevadas e pelo menor crescimento tanto da força de trabalho quanto do emprego”, diz o FMI.

  • Leia mais: Tarifas, expectativa de cortes de juros e incertezas fiscais ditam o ritmo dos mercados em outubro

O FMI diz também que o pano de fundo fiscal e externo tende a manter desequilíbrios. Segundo o FMI, o pacote da lei orçamentária de Donald Trump “deve ampliar o déficit fiscal no médio prazo, apesar de cortes de gastos postergados e receitas tarifárias significativas”, o que “pesa sobre a poupança pública e, assim, tende a ampliar o déficit em conta corrente”.

A crise fiscal dos EUA tem sido outro ponto que faz o ouro bater recordes ante o dólar. No ano passado, a dívida americana chegou a 98% do PIB, um pouco acima do observado em 2023 (97% do PIB). Analistas da agência de classificação de risco Moody’s rebaixaram a nota de crédito dos EUA de ‘Aaa’ para ‘Aa1’ e alteraram a perspectiva de negativa para estável diante do aumento da dívida do país. A Moody’s calcula que a dívida tende a atingir 134% do PIB de 2035.

Bruno Yamashita, analista de alocação e inteligência da Avenue, diz que todo esse contexto causa uma mudança da reserva de valor global, que tem migrado do dólar para o ouro.

“Continuamos com a tese de que o dólar é uma boa reserva de valor no longo prazo. Entretanto, o cenário recente aponta para uma preferência global pelo ouro, com banco centrais de países como China e Índia trocando as reservas de dólar por ouro”, explica Yamashita.

O analista reforça ainda que o terceiro fator para a alta do ouro vem do ciclo de redução de juros nos EUA. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) iniciou o afrouxamento monetário na última reunião de 17 de setembro, com um corte de 0,25 ponto porcentual. Desse modo, o Fed Funds (equivalente à taxa Selic no Brasil) foi do intervalo de 4,25% a 4,5% para 4,00% a 4,25%. “Uma política monetária menos restritiva enfraquece a moeda americana em relação a outros ativos”, explica.

  • Corte de juros nos EUA: veja quem se beneficia na Bolsa brasileira

O que esperar do ouro nos próximos 12 meses

Os analistas afirmam que os fundamentos que elevam o preço do ouro deve continuar nos próximos meses. Todavia, ponderam que o investidor deve ter cautela, pois após quase um ano de alta a commodity pode sofrer correções.

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, diz que a diminuição das incertezas geopolíticas (com consequente uso dos recursos em uma busca por ativos de risco) ou uma mudança de rumo na política monetária americana são alguns dos fatores que merecem cautela.

“No entanto, não vemos esse cenário base. Acreditamos que os motivos para a alta do ouro continuam sólidos. Os bancos centrais responderam pesquisas indicando que pretendem aumentar suas reservas em ouro, os juros americanos devem ser cortados nas próximas reuniões e as tensões geopolíticas e demais eventos de volatilidade ainda são latentes”, explica Zogbi.

João Tonello, analista de investimentos da Nomos, acredita que o ouro pode chegar a US$ 4.400 a onça-troy. A estimativa equivale a uma alta de 4,43% na comparação com fechamento na sexta-feira (17), quando a commodity terminou o pregão a US$ 4.213,30. Segundo ele, a baixa perspectiva de alta sinaliza que correções podem acontecer.

“Por isso, o bom investidor deve escalonar as entradas e usar proteções para evitar comprar na máxima histórica. A tese estrutural permanece, mas o momento exige disciplina”, disse Tonello.

Qual porcentual o ouro deve ocupar na carteira do investidor?

Paula Zogbi, da Nomad, diz que o investidor deve entender a real função do ouro em sua carteira antes de tentar prever para onde vai o metal precioso. Segundo ela, a commodity deve ser vista como reserva de valor e proteção em vez de uma geração de valor com rendimentos. Por isso, a recomendação é que o ouro ocupe uma pequena parcela da carteira.

“Por se tratar de um ativo de renda variável que não gera yield (rendimento) nem fluxo de caixa, a exposição muito elevada não faz sentido, sendo normalmente limitada a uma alocaçãp entre 5% a 10% de uma carteira balanceada”, afirma Zogbi.

A especialista acredita que o ativo cai bem para investidores moderados e arrojados, devido à volatilidade do mercado financeiro.

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João Tonello, da Nomos, segue a mesma linha e recomenda o investidor aportar de 5% a 10% da carteira. Segundo ele, investir em ouro compensa para investidores que buscam proteger sua carteira com diversificação contra choques macroeconômicos, que podem ser altamente prejudiciais a outros ativos de renda variável. “Nesse momento, o ouro funciona como uma proteção, pois a disparada do metal acontece quando o mercado passa por dificuldades”, argumenta.

Investidor deve comprar ouro ou aportar em ativos atrelados a ele?

Os analistas possuem visões díspares, que agregam pontos relevantes para o investidor. Na visão de Mauriciano Cavalcante, da Ourominas, comprar ouro físico é seguro desde que seja em uma Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) autorizada pelo Banco Central (BC). “A compra dessa forma garante a recompra do metal precioso a qualquer momento com liquidez imediata”, diz Cavalcante.

Já Bruno Yamashita, da Avenue, lembra que a entrada no ativo deve ocorrer com o objetivo de preservar valor e proteger a carteira de investimentos. Ele indica que o melhor caminho para entrar nesse mercado é via um Exchange Traded Fund (ETF, fundo de investimento negociado na bolsa de valores como se fosse uma ação) de ouro, um fundo passivo administrado por um gestor que busca reproduzir o comportamento do metal no mercado.

“ETF é a melhor forma de aportar, pois há mais liquidez em Bolsa e não há necessidade de armazenar o ouro físico”, reforça Yamashita.

Independentemente da estratégia escolhida, o investidor precisa compreender que a valorização do ouro ocorre em meio ao enfraquecimento do dólar e à movimentação de bancos centrais, como China e Índia, que reforçam suas reservas. O rali do metal persiste reluzente em 2025 e prever seu preço no curto prazo se mostra impossível. Por isso, alocações fracionadas com foco em um preço médio disperso é a melhor estratégia para surfar com a disparada do ativo.

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