Na opinião do especialista, um dos fatores que puxaram para baixo os fundos listados no início do ano foi a baixa tolerância do investidor de renda fixa à volatilidade. “A oscilação do preço dos ativos assusta algumas pessoas”, comenta.
Levantamento da Economatica a pedido do E-Investidor mostra uma clara recuperação este ano de 36 FI-Infras analisados. Enquanto a classe deu um retorno negativo de 1,87% em 2024, de janeiro para cá os fundos já estão entregando em retorno de 11,62%. Em relação ao valor patrimonial, esses fundos saíram de um preço médio mensal de R$ 69,4 em janeiro, para R$ 94,3 em outubro de 2025.
Produto para quem não gosta de tela
Para quem não gosta de volatilidade, a indústria de fundos incentivados também oferece uma opção, que são os fundos de balcão, conhecidos como cetipados. Esse modelo de FI-Infra começou a ganhar mercado a partir de 2021, inspirado em experiências de private equity e fundos de desenvolvimento, que já operavam no ambiente de balcão.
“O mecanismo de negociação e marcação é diferente. A estratégia por trás pode ser a mesma”, diz Giancarlo Gentiluomo, head de fundos alternativos da AZ Quest.
A cota de um fundo cetipado é marcada pelo valor patrimonial, com base em laudos e avaliações do administrador, e não pelas oscilações de mercado, reduzindo a volatilidade e tornando a experiência do investidor mais estável e previsível.
“Os cetipados eliminam essa ‘tela de cota’, tornando a aplicação mais parecida com possuir um imóvel que gera renda, o que agrada ao investidor patrimonialista brasileiro”, comenta Gentuliomo.
Desvantagens dos FI-Infras cetipados
Apesar das vantagens em relação aos listados, os produtos de balcão têm prazo determinado, geralmente entre 4 e 7 anos, e o investidor não consegue sair a qualquer momento. Por isso, sua liquidez é baixa e quem entra costuma ficar até o final.
Além disso, as taxas de intermediação são um pouco maiores, podendo chegar a 2% do valor aplicado, contra menos de 0,5% dos fundos listados em Bolsa.
“Tipicamente os fundos cetipados têm uma carteira mais estática”, diz Ulisses Nehmi, CEO da Sparta Investimentos. Como se trata de um produto de balcão, o investidor só consegue entrar em fundos cetipados se houver disponibilidade (estoque) na corretora em que o produto foi estruturado. O acesso é feito via corretor ou assessor de investimentos, e não pelo home broker.
FIP-IEs podem ter opção isenta de IR
Ainda há uma outra possibilidade de fundos de infraestrutura com isenção fiscal, que são os FIP-IEs (Fundo de Investimento em Participações em Infraestrutura), voltados para investimentos diretos em empresas do setor. Os FIP-IEs podem manter a isenção de Imposto de Renda, desde que atendam às exigências legais – ou seja, que a empresa investida seja do setor de infraestrutura e que o fundo comprove ingerência sobre ela.
Diferentemente dos fundos de debêntures incentivadas, eles investem em participações, não apenas em títulos de dívida, e podem carregar debêntures institucionais (não incentivadas), o que amplia o spread de crédito e o potencial de retorno. Segundo Gentuliomo, os fundos da AZ Quest seguem a estratégia “infra yield”, com seus fundos de investimento todos constituídos dentro da modalidade de FIP-IE.
Ele diz que a estrutura deste tipo de fundo é mais complexa e exigente — por isso poucos gestores adotam o modelo. “É mais trabalhoso, mas gera retorno maior e mantém isenção de IR, desde que a empresa seja de infraestrutura e a ingerência (da gestora) seja demonstrada.”