O bom desempenho da Bolsa de Valores brasileira foi sustentado por uma combinação de fatores que animaram os investidores: as negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, a fraqueza do dólar frente a outras moedas e a expectativa de queda dos juros brasileiros e estadunidenses, segundo o CEO da Grana Capital, André Kelmanson.
No entanto, o bom momento do mercado ofuscou a maioria das carteiras recomendadas acompanhadas pelo aplicativo Grana Capital. Das oito analisadas, apenas uma, a Top 10 da Ágora Investimentos, conseguiu ultrapassar o desempenho do Ibovespa, registrando alta de 2,92%.
A carteira vencedora da Ágora era composta por nomes de peso e setores estratégicos da Bolsa: BTG Pactual (BPAC11), Copel (CPLE6), Direcional (DIRR3), Itaú (ITUB4), Multiplan (MULT3), Petrobras (PETR4), Sabesp (SBSP3), Vale (VALE3), Vibra Energia (VBBR3) e Weg (WEGE3). O desempenho equilibrado entre commodities, energia e varejo ajudou a corretora a manter a dianteira pelo segundo mês consecutivo.
A vice-liderança ficou com a carteira fundamentalista do BB Investimentos, que subiu 2,01% em outubro. O portfólio também apostava em gigantes do mercado, como BTG Pactual, Gerdau (GGBR4), Isa Energia (ISAE4), Movida (MOVI3), Petrobras e Vale.
A XP Investimentos veio logo atrás, com valorização de 1,76%, seguida por BTG Pactual (+1,46%) e Santander (+1,20%).
|
Grana Capital |
outubro 2025 |
| Instituição |
Valor em R$ |
Em % |
| Ágora |
R$ 102.921,49 |
2,92% |
| Ibovespa |
|
2,26% |
| BB Investimentos |
R$ 102.009,43 |
2,01% |
| XP Investimentos |
R$ 101.764,02 |
1,76% |
| BTG Pactual |
R$ 101.461,51 |
1,46% |
| Santander |
R$ 101.204,64 |
1,20% |
| Genial |
R$ 100.672,34 |
0,67% |
| Planner |
R$ 99.580,67 |
-0,42% |
| Itaú |
R$ 99.576,88 |
-0,42% |
Fonte: Grana Capital
Entre as principais altas do mês nas carteiras acompanhadas pela Grana Capital, destacaram-se Weg (+15,06%), Gerdau (+14,03%), Vale (+13,34%), Embraer (+8,34%) e Copel (+8,07%). Os papéis refletiram a melhora do humor global com o setor industrial e o movimento de rotação para ações ligadas à infraestrutura e exportação.
Na ponta oposta, Itaú e Planner fecharam outubro no vermelho, ambos com recuo de 0,42%. No caso do Itaú, o desempenho foi afetado pela queda de 9,61% do BDR – título emitido no Brasil que representa uma ação de companhia aberta sediada no exterior – da Aura (AURA33), enquanto a Planner foi pressionada pela desvalorização de 6,94% da Sanepar (SAPR11). As duas casas foram as únicas a registrar perdas no mês.
O levantamento coleta as carteiras recomendadas no início de cada mês e acompanha o desempenho dos mesmos papéis até o último dia útil do período, considerando apenas a variação dos preços, sem incorporar dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).
O ranking contempla as principais corretoras de varejo com carteiras públicas: Ágora, BB, BTG, Genial, Itaú, Santander, Planner e XP. As corretoras Caixa, Clear, Inter, Modalmais, Nubank, Rico e Safra ficaram de fora por não divulgarem portfólios abertos.
Ranking do acumulado de 2025
No acumulado de dez meses de 2025, a disputa pela liderança segue acirrada, mas a Ágora mantém o topo, somando rentabilidade de 28,84% no período. O BTG Pactual leva a medalha de prata, com 25,62%, e o Itaú fecha o pódio, com 25,24%.
O Ibovespa, no mesmo intervalo, avança 24,32%, reforçando o viés positivo do mercado acionário brasileiro, mesmo diante das incertezas macroeconômicas e do cenário global ainda volátil.
| Ranking 2025 |
10 meses |
| Instituição |
Em % |
| Ágora |
28,84% |
| BTG Pactual |
25,62% |
| Itaú |
25,24% |
| Ibovespa |
24,32% |
| BB Investimentos |
22,74% |
| Santander |
18,15% |
| Genial |
16,62% |
| Planner |
11,88% |
Fonte: Grana Capital
O que esperar para novembro?
Para novembro, os analistas esperam um mercado mais seletivo, com atenção redobrada aos balanços do terceiro trimestre (3T25) e às sinalizações dos bancos centrais. Depois de meses de rali, a tendência é que as casas de análise ajustem suas carteiras em busca de empresas com maior potencial de entrega de lucros e resiliência operacional. Afinal, num mercado que testa novos topos históricos, apenas os portfólios mais afinados continuam à frente do índice da B3.