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Investimentos

Ibovespa reage e fecha outubro nas máximas do ano. Veja as melhores ações e as perspectivas para novembro

Índice teve duas fases no mês. Queda na primeira quinzena e recuperação na segunda

Por Leo Guimarães

31/10/2025 | 18:20 Atualização: 31/10/2025 | 18:23

Trump pode destravar alta da Bolsa . Avanço nas negociações comerciais pode sustentar ganhos em novembro. Foto: AdobeStock
Trump pode destravar alta da Bolsa . Avanço nas negociações comerciais pode sustentar ganhos em novembro. Foto: AdobeStock

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, encerrou outubro em alta de 2,26%, após um mês marcado por forte volatilidade. O movimento foi dividido em duas fases distintas, com queda acentuada nas duas primeiras semanas, quando o índice desceu abaixo dos 141 mil pontos, e recuperação firme na segunda quinzena, próximo das máximas do ano. No último pregão de outubro, nesta sexta (31), o índice encerrou a 149.540,43 pontos, quinto dia seguido de recorde histórico na pontuação de fechamento.

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O índice acumula ganhos de 24,32% no ano. A trajetória de alta deve se estender em novembro, caso avancem as negociações em torno das tarifas comerciais impostas pelo governo do presidente americano Donald Trump ao Brasil e à China. O encontro de Trump com o presidente Lula, no domingo (26) em Kuala Lumpur, foi o principal evento político do mês, que ajudou a consolidar a trajetória de alta da bolsa brasileira.

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“Trump não sinalizava um acordo com Lula nem havia diálogo para, eventualmente, reduzir ou zerar as tarifas de 40%. Outubro começou nesse clima, mas o cenário melhorou nos últimos dez dias com a reunião entre os dois líderes, já cogitada desde o dia 15″, comenta Flavio Conde, analista da Levante Investimentos. “Provavelmente, em novembro deve sair alguma definição. O melhor cenário seria a retirada dos 40% para todos os produtos brasileiros ou, ao menos, para parte deles”, completa.

Na visão de Conde, o presidente americano não deverá fazer concessões em produtos como aço, alumínio e carros, porque esses são itens com sobretaxa para o mundo inteiro. Para novembro, também há uma expectativa de algum tipo de acordo dos EUA com a China, que poderá favorecer o fluxo de investimentos no mercado global, ajudando emergentes como o Brasil.

Dados americanos ajudaram  mercado local

A primeira quinzena do mês foi marcada pelos ruídos fiscais e receio de desaceleração econômica interna, além da cautela com a política monetária nos EUA. A partir do dia 10, o cenário começou a se inverter com a melhora no humor global, especialmente após a divulgação dos bons dados de inflação americana, que reacenderam a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve.

“Isso favoreceu o apetite ao risco e trouxe fluxo de volta aos mercados emergentes, beneficiando o Brasil”, lembra Enrico Gazola, economista pelo Insper e sócio-fundador a Nero Consultoria.

Com relação aos índices domésticos, a inflação medida pelo IPCA de setembro, divulgada em outubro, veio em 0,48%, acumulando 5,17% em 12 meses. “Isso reforça o desafio de convergência à meta e limita espaço para o Banco Central cortar a Selic (ainda este ano), atualmente em 15%”, comentou o economista.

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Gazola salienta que a atividade econômica mostrou leve alta, mas com sinais de perda de fôlego, enquanto que nos EUA a inflação anual de 3% ao consumidor, medida pelo CPI, reforçou a percepção de que o ciclo de juros está perto do fim.

“Isso trouxe alívio para os mercados, mas o Fed mantém o discurso cauteloso, priorizando estabilidade de preços“. Na quarta-feira (29) o banco central americano mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, para o intervalo entre 3,75% e 4,00%. E expectativa é que haja mais uma redução em dezembro.

Consumo, educação e materiais básicos tiveram destaque

Na bolsa brasileira, o setor de materiais básicos rodou o mês inteiro no positivo, com a valorização do minério de ferro e recuperação nas siderúrgicas. Já as empresas financeiras tiveram um mês de altos e baixos fechando de lado em relação a setembro,  ainda pressionadas pelos ruídos fiscais. “O governo aprovou a isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil e descontos até R$ 6 mil, R$ 7,3 mil, sem conseguir aprovar aumento de impostos”, lembra Conde.

Entre as empresas, as ligadas ao setor de siderurgia lideraram os ganhos em outubro, após meses de desempenho fraco. Usiminas  (USIM5) subiu 34,04%, CSN (CSNA3) 19,4% e Gerdau (GGBR4) 14%, impulsionadas pela expectativa de avanço nas negociações comerciais entre Estados Unidos, Brasil e China, que é o maior comprador de aço e minério do mundo.

O preço do minério de ferro se recuperou na China com essa movimentação política, puxando a Vale (VALE3) que fechou o mês com valorização acima de ‘3%.

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A WEG (WEGE3) também se destacou em outubro, com alta de 15.06%, após divulgar resultados acima do esperado e recuperar parte das perdas acumuladas no ano. A Embraer manteve o ritmo, com valorização de 8,3% no mês e 54,9% no ano, apoiada em novos contratos. No setor elétrico, Copel (CPLE6)  e CPFL (CPFE3) seguiram firmes, acumulando altas de 58% e 41,8% no ano, respectivamente.

Expectativa para final de ano

“Para novembro, a atenção recai sobre os próximos indicadores de inflação e emprego nos EUA e sobre o IPCA e Copom no Brasil”, diz Gabriel Mollo, analista de investimentos do Banco Daycoval. “O ambiente tende a seguir volátil, mas com algum espaço para melhora no fluxo de capitais caso o cenário global de desinflação se consolide”, reforça.

Gazola lembra que o fluxo de capital estrangeiro vai continuar ditando a evolução do mercado brasileiro, juntamente com a temporada de balanços do terceiro trimestre que se estende até o dia 14 de novembro. “O destaque é para empresas de consumo, bancos e commodities. O mês deve ser de cautela, mas com viés positivo se o ambiente externo permanecer favorável”, afirma.

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