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Como reagiram as empresas que soltaram balanço ontem: Auren (AURE3), Casas Bahia (BHIA3), Hapvida (HAPV3) e Banco do Brasil (BBAS3)

Resultados fracos e revisões de guidance provocaram forte aversão ao risco: AURE3, BHIA3, HAPV3 e BBAS3 recuaram nesta quinta-feira (13)

Por Isabela Ortiz

13/11/2025 | 11:51 Atualização: 13/11/2025 | 18:56

Depois de balanço, B3 registra queda acentuada de Auren, Casas Bahia, Hapvida e Banco do Brasil (Foto: Adobe Stock)
Depois de balanço, B3 registra queda acentuada de Auren, Casas Bahia, Hapvida e Banco do Brasil (Foto: Adobe Stock)

Nesta quinta-feira (13), as ações de Auren (AURE3), Casas Bahia (BHIA3) e Banco do Brasil (BBAS3) caíram no pregão, refletindo a reação negativa do mercado aos resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25). No fechamento, os papéis registraram perdas de 1,48%, 7,22% e 1,32%, respectivamente, negociados a R$ 11,28, R$ 3,34 e R$ 22,50. Destaque para os papéis da Hapvida (HAPV3), que caíram 42,21%, cotados a R$ 18,89.

Leia mais:
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A Auren apresentou um desempenho considerado muito fraco no trimestre, segundo avaliação do Citi, refletindo os impactos de fatores sistêmicos no setor elétrico. A companhia foi fortemente afetada pelo curtailment (cortes de geração renovável) e pelo risco hidrológico.

“O curtailment foi um dos principais detratores operacionais no trimestre, já que houve um forte recurso eólico, maior penetração de geração distribuída, aumento da geração térmica obrigatória e menor carga do sistema durante um inverno excepcionalmente frio”, explicaram os analistas João Pimentel e Felipe Lenza, do Citi.

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O corte de geração atingiu 18,7% na eólica e 30,5% na solar, provocando um impacto negativo de R$ 196 milhões, parcialmente compensado por ganhos de modulação de R$ 66 milhões. Apesar disso, os analistas destacaram que a empresa continua capturando sinergias relevantes desde a aquisição da AES Brasil: foram R$ 58 milhões no trimestre, totalizando R$ 212 milhões desde a operação, em linha com a meta de R$ 250 milhões.

O Citi também ressaltou a alta disponibilidade operacional dos parques eólicos, que alcançou 94,8%. No entanto, o segmento de comercialização teve desempenho negativo, com prejuízo de R$ 25 milhões, reflexo de uma maior exposição curta e da transferência de contratos de longo prazo vinculados ao dólar.

No campo regulatório, a incerteza em torno da Medida Provisória 1.304, que ainda aguarda sanção presidencial, adiciona volatilidade ao cenário. O Citi destacou que, caso uma solução para cortes futuros seja incluída na versão final, a Auren seria uma das mais beneficiadas. “Em uma nota positiva, a MP permite a renovação das concessões hidrelétricas, o que é relevante, dado que 2,6 GW da capacidade hidrelétrica da Auren expiram em 2032”, completaram os analistas.

Apesar do trimestre difícil, o banco mantém recomendação de compra para AURE3, com preço-alvo de R$ 12,00, o que representa potencial de alta de 4,8% em relação ao fechamento anterior.

Casas Bahia: prejuízo ainda elevado, mas sinais de disciplina operacional

A Casas Bahia encerrou o 3T25 com prejuízo líquido de R$ 496 milhões, um aumento de 34,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar disso, houve melhora de 10,6% frente ao segundo trimestre, indicando avanços graduais na execução da estratégia.

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O Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) ajustado somou R$ 587 milhões, alta de 19,6% na comparação anual, com margem de 8,5%.

A margem bruta recuou 1,6 ponto percentual, para 30%, movimento explicado pelo aumento da participação das vendas online, que têm rentabilidade menor. A receita líquida, por outro lado, cresceu 7,3%, alcançando R$ 6,87 bilhões, impulsionada por altas de 12,7% no e-commerce e 5,9% nas lojas físicas.

A carteira de crédito somou R$ 6,2 bilhões, com inadimplência estável em 8,4%, contrariando a tendência de alta observada no mercado.

Hapvida: forte decepção e tombo de 42% na bolsa

As ações da Hapvida (HAPV3) desabaram após a divulgação de resultados muito abaixo do esperado. De acordo com o Citi, o Ebitda ajustado ficou 29% abaixo das estimativas, e a empresa teve consumo de caixa recorrente de R$ 244 milhões. A receita também veio 3% menor do que o previsto, refletindo menor crescimento de beneficiários e estabilização dos contratos corporativos.

“Antecipamos uma reação negativa após a grande decepção com o Ebitda, KPIs operacionais mais fracos e fluxo de caixa negativo”, afirmaram os analistas Leandro Bastos, Renan Prata e Luis Felipe Terzariol.

O indicador de sinistralidade médica (MLR) ficou acima das projeções, pressionado por maior uso per capita e pelos custos fixos de novas unidades. Ajustado por itens não recorrentes, o Citi estimou uma margem Ebitda de 7,9%, 220 pontos-base abaixo de um ano atrás. Mesmo assim, o banco manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 57, o que representa um potencial de valorização de 74,4%.

Já o BTG Pactual reforçou a leitura negativa e cortou suas projeções de Ebitda para 2026 em 20%, adotando um tom mais conservador. Segundo os analistas Samuel Alves e Maria Resende, a combinação de sinistralidade elevada, fluxo de caixa fraco e aumento de despesas amplia a percepção de risco. O banco, contudo, manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 50 (potencial de alta de 52,9%), condicionando uma recuperação à melhoria significativa na execução.

Banco do Brasil: lucros menores e revisões em série

O Banco do Brasil (BBAS3) apresentou um lucro líquido ajustado de R$ 3,78 bilhões, queda anual de 60,2%, em linha com o consenso, mas acompanhada de revisão para baixo do guidance de 2025. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) recuou para 8,4%, ante 21,1% há um ano, e as provisões para calotes somaram R$ 17,9 bilhões, alta de 54,2%.

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O resultado levou o Citi a rebaixar a recomendação de compra para neutra, reduzindo as estimativas de lucro e o preço-alvo para R$ 23. A XP classificou o trimestre como “fraco”, destacando que a recuperação será lenta e dependente da estabilização da inadimplência, que atingiu 4,93%.

Segundo o Safra, as provisões surpreenderam negativamente, e a revisão do guidance de lucro foi o principal gatilho para a queda. O banco agora projeta ganhos entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões em 2025, abaixo da faixa anterior. “Não esperávamos outra revisão no terceiro trimestre”, afirmaram Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre, analistas do Safra.

Para Genial Investimentos, o trimestre pode ter marcado “o ponto mais fraco do ciclo”, com recuperação gradual a partir do 4T25, embora em ritmo mais lento que o previsto. Já a Ativa Investimentos alerta que a deterioração das provisões pode se estender até 2026.

No consenso entre as casas, prevalece a recomendação neutra para BBAS3. Analistas destacam que, apesar de múltiplos atrativos, a combinação de rentabilidade baixa, dividendos modestos e incertezas justifica cautela. “O caminho pela frente é incerto e longo”, concluem as casas de análise.

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