O caso mais recente envolve ações da Oi (OIBR4). Na segunda-feira (10), os papéis da companhia despencaram 47,85% após a justiça decretar a falência da companhia e colocar um fim um ciclo de quase uma década em recuperação judicial. No entanto, são as ações da PDG Realty (PDGR3) que lideram o ranking das companhias mais penalizadas pelos investidores. Nos dias 19 e 28 de fevereiro, os papéis da companhia caíram 50% e 43,20%, respectivamente. Em outubro, a PDG Realty foi protagonista de outro show de horrores: em três pregões consecutivos, as ações tombaram 46,15%, 42,86% e 75%.
Como mostramos nesta reportagem, a construtora está em recuperação judicial e acumula patrimônio líquido negativo superior a R$ 3 bilhões. Para preservar sua listagem, recorre a sucessivos grupamentos de ações (reverse splits). Esse tipo de medida busca evitar o delisting, que é o processo de exclusão das ações da Bolsa — um temor real para investidores, pois significa perda de liquidez e possibilidade de liquidação forçada em mercado secundário.
Veja as ações que tombaram mais de 40% em um único na bolsa de valores
| Ações |
Depreciação |
| Ambipar (AMBP3) |
61,48% (2/10/25) e 49,09% (3/10/25)
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| Gol (GOLL54) |
70% (16/6/25), 61,44% (15/7/25) e 42,21 (17/7/25)
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| Oi (OIBR4) |
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| PDG Realty (PDGR3) |
75% (7/10/25), 50% (19/2/25), 46,15% (3/10/25), 43,20% (28/2/25) e 42,86% (6/10/25)
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| RDVC City (CCTY3) |
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| Hapvida (HAPV3) |
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| Teka (TEKA4) |
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| Fonte: Elos Ayta Consultoria |
Logo depois, aparecem as ações da Gol (GOLL54). A companhia aérea derreteu 70% na B3 na sessão do dia 16 de junho. A depreciação reflete um movimento de correção do mercado após a companhia disparar 1.886% com a estreia do seu novo ticker (código de negociação do ativo na bolsa e com um lote padrão de 1 mil ações, o que mexeu em suas cotações, como detalhamos nesta reportagem.
Na época, o BTG Pactual destacou a distorção do movimento, já que a Gol havia deixado o Chapter 11 (plano de recuperação judicial nos Estados Unidos). Para o banco, “algo claramente estava fora do lugar” e a forte oscilação dos papéis poderia estar relacionada ao volume baixo de negociação das ações da empresa, o que teria impedido o mercado de fazer uma avaliação adequada da companhia. Já em julho, o papel caiu 61,44% e 42,21% em dois pregões da mesma semana. A queda refletiu a decepção do mercado com o aumento de capital da Gol, relembre o caso nesta reportagem.
O caso Ambipar (AMBP3) também integra o grupo das empresas com as maiores depreciações da bolsa. Dados da Elos Ayta mostram que, nos dias 2 e 3 de outubro, os papéis da companhia derreteram 61,48% e 49,09%, respectivamente. A queda refletiu a preocupação dos investidores após a empresa de gestão de ambiental informar que conseguiu uma tutela cautelar na 3.ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A notícia, na época, acendeu um alerta ao mercado sobre a possibilidade da companhia entrar com um pedido de Recuperação Judicial (RJ) que se concretizou no dia 20 de outubro.
As ações da RDVC City (CCTY3) e da Teka (TEKA4) também tiveram seus dias de terror e sofreram perdas de 49,99% e 40,97%, respectivamente, ao longo de 2025.