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OPINIÃO: Mentiram para você. O Ibovespa não está subindo em 2025

Apesar da alta de 28% no ano, o índice apenas acompanhou outros emergentes e segue preso ao peso dos juros locais

Por Vitor Miziara

25/11/2025 | 16:05 Atualização: 25/11/2025 | 16:05

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Ibovespa (IBOV) sobe 28% no ano, mas não entrega desempenho superior a outros emergentes e ainda sofre com juros altos, inflação e dependência do fluxo externo. (Imagem: Adobe Stock)
Ibovespa (IBOV) sobe 28% no ano, mas não entrega desempenho superior a outros emergentes e ainda sofre com juros altos, inflação e dependência do fluxo externo. (Imagem: Adobe Stock)

Se você abrir o home broker agora, a sensação é de dever cumprido e euforia. O Ibovespa acumula uma alta expressiva de 28% no ano, deixando benchmarks locais para trás e fazendo a carteira parecer gorda. A narrativa em circulação diz que o Brasil finalmente decolou, que o risco fiscal ficou para trás e que o mercado já precifica um cenário político mais favorável. Errado. Mentiram para você  ou contaram apenas uma parte conveniente da história para justificar a alocação.

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No mercado financeiro, número absoluto é vaidade; número relativo é sanidade. A verdade nua e crua é que, enquanto você comemora esses 28% de alta, o mundo emergente correu na mesma velocidade ou até mais rápido. Se olharmos para o MSCI Emerging Markets (EEM) ou pares diretos como o México, vemos retornos na casa dos 30% em moeda forte. No fim, subimos igual ou até menos que a média dos nossos pares, mas carregando o dobro do risco nas costas.

E tem um detalhe “sujo” nessa conta que ninguém te conta: o crescimento real. O nosso ganho nominal é corroído por uma inflação estruturalmente maior que a média global. Quando descontamos o IPCA acumulado desse retorno, o seu ganho real encolhe drasticamente comparado a um investidor que alocou em países com moeda forte ou inflação controlada. O gringo faz essa conta do retorno real na ponta do lápis; você deveria fazer também.

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Outra falácia que está circulando é que essa alta se deve à “precificação das eleições de 2026“. Esqueça. Isso é narrativa de torcida, não análise de fluxo.

A verdade técnica é muito mais pragmática: houve uma rotação de capital global. O dinheiro inteligente percebeu que as ações americanas (S&P 500 e Nasdaq) esticaram demais nas máximas e começou a realizar lucros lá fora. Esse capital buscou a “segunda onda” de valorização: os emergentes. Somado a isso, o ciclo de corte de juros nos EUA ajudou a empurrar liquidez para cá. Ou seja, não foi mérito interno, foi vento de cauda externo.

(Lá no meu instagram @vmiziara eu trago análises do fluxo gringo e macro global todo dia; me segue lá para sair da bolha local).

O motivo do nosso “atraso” relativo — ou seja, por que não subimos mais que a média, já que somos tão baratos — é a âncora que temos amarrada no pé: os juros locais. Com a taxa Selic nesse patamar, a Renda Fixa continua agindo como um competidor desleal (e seguro) para a Bolsa. O prêmio de risco ainda faz com que o investidor institucional e o varejo mantenham um percentual altíssimo travado no CDI, drenando a liquidez que faria o nosso mercado ter um overshoot real.

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Agora, a provocação final: qual o problema de subir “igual” aos outros? O problema é a assimetria do risco. E se (ou melhor, quando) tudo começar a cair? O mercado é cíclico. Cairemos menos ou mais, já que nosso risco sistêmico é maior e isso ficou evidente agora para você?

Se na bonança, com todo o fluxo global a favor, nós apenas “empatamos” com a média, não criamos gordura para queimar. Historicamente, ativos de risco em países instáveis que não entregam alpha na alta são os primeiros a serem dizimados na baixa. Não se deixe enganar pelo verde na tela: o Ibovespa não subiu, ele apenas foi arrastado pela maré.

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