O movimento desta sessão acompanha o ritmo de alta das Bolsas de Nova York. Investidores monitoraram dados dos EUA em busca de pistas sobre a decisão de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na próxima semana.
O setor privado dos Estados Unidos perdeu 32 mil empregos em novembro, segundo pesquisa com ajustes sazonais divulgada nesta manhã pela ADP. O resultado contrastou com a expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam geração de 40 mil postos de trabalho no mês passado.
No Brasil, o PMI a respeito da atividade do setor de serviços subiu de 47,7 pontos em outubro para 50,1 pontos em novembro, nível mais alto dos últimos oito meses. Leituras acima de 50 pontos indicam expansão da atividade
No ambiente doméstico, o humor foi influenciado pela sinalização diplomática positiva após conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos EUA, Donald Trump.
O principal índice da B3 ainda se apoiou na valorização de 0,35% do petróleo Brent, enquanto o leve recuo de 0,19% do minério de ferro foi o contraponto.
No câmbio, o dólar hoje encerrou em queda ante principais pares, incluindo o real. No fechamento, a moeda americana recuou 0,32% a R$ 5,3133.
Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta quarta-feira (3)
Bolsas de NY fecham em alta de olho em dados econômico
O sinal positivo prevaleceu nas bolsas de Nova York em meio aos indicadores americanos. No encerramento, o Dow Jones subiu 0,86%. Já o S&P 500 e o Nasdaq tiveram ganhos de 0,3% e 0,17%, respectivamente
O euro e a libra tiveram alta ante o dólar hoje após os PMIs da Europa de novembro. O PMI de serviços da zona do euro superou a previsão, o do Reino Unido caiu menos que o previsto e o da Alemanha desacelerou, mas todos mostraram expansão da atividade.
No mercado de câmbio, a rupia indiana rompeu o patamar de 90 por dólar pela primeira vez, em meio a atrasos na conclusão de um acordo comercial com os EUA.
Negociação entre Trump e Lula fica no radar
A conversa por telefone ontem entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump repercutiu nos mercados. Trump disse que eles tiveram uma conversa “muito produtiva” e que “gosta” do presidente Lula.
Segundo Trump, foi conversado também que os dois países “poderiam trabalhar juntos para combater o crime organizado” e “sanções impostas a vários dignitários brasileiros”. Trump disse estar “ansioso” para ver Lula em breve. O presidente Lula teria dito ao americano que o Brasil espera uma saída diplomática e política para o contencioso entre Washington e Caracas o mais rápido possível.
O Senado marcou para quinta-feira (4) a sessão conjunta do Congresso para votação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026. Ao mesmo tempo, o mercado também segue atento aos ruídos entre o Planalto e o Congresso.
Agenda econômica do dia
Nos Estados Unidos, a produção industrial subiu 0,1% em setembro ante agosto. O resultado veio em linha com a expectativa de analistas consultados pela FactSet. O dado de produção de agosto foi revisado para baixo, de queda mensal de 0,1% para contração de 0,3%.
O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços dos EUA caiu de 54,8 em outubro a 54,1 em novembro, segundo pesquisa final da S&P Global divulgada nesta quarta-feira. O resultado definitivo de novembro contrariou a leitura preliminar e da previsão de analistas consultados pela FactSet, de alta a 55 em ambos os casos.
Já o PMI composto dos EUA, que engloba serviços e indústria, recuou de 54,6 a 54,2 no mesmo período, também abaixo do cálculo inicial, de 54,8. Os números acima de 50 sinalizam que a atividade econômica dos EUA continuou se expandindo no mês passado.
Ainda na agenda de hoje, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, testemunhou no Comitê de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu. Lagarde defendeu que não cabe ao banco central reequilibrar as finanças públicas. Na ocasião, ela destacou a função da instituição na decisão de política monetária.
“Quando decidimos nossa política monetária, olhamos todos os dados e analisamos riscos associados à inflação, com a estabilidade de preços sendo nosso principal objetivo”, disse. “Construímos ferramentas que nos mostram o que provavelmente acontecerá”, acrescentou.
Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Fernanda Bompan, Luciana Xavier e Silvana Rocha, do Broadcast