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Endividamento tem primeira queda depois de 9 meses no consecutivos de alta

Pesquisa da CNC mostra recuo marginal em novembro, mas revela que as famílias ainda enfrentam orçamento pressionado e inadimplência elevada

Por Daniela Amorim e Gabriela da Cunha

04/12/2025 | 16:29 Atualização: 04/12/2025 | 16:29

Após nove meses no auge, o endividamento das famílias registra a primeira queda, segundo a Peic da CNC, mas indicadores ainda apontam pressão sobre o orçamento e persistência das dívidas.  (Imagem: Adobe Stock)
Após nove meses no auge, o endividamento das famílias registra a primeira queda, segundo a Peic da CNC, mas indicadores ainda apontam pressão sobre o orçamento e persistência das dívidas. (Imagem: Adobe Stock)

Às vésperas do fim de ano, os brasileiros tiveram um alívio mínimo, de 0,3%, no endividamento. Ainda assim, o resultado de novembro da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostra que o porcentual de famílias endividadas, de 79,2%, está acima do observado em novembro de 2024 (77%).

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O resultado mensal não reverte o quadro de forte pressão sobre o orçamento das famílias, diz a pesquisa. Em outubro, o endividamento das famílias foi de 79,5% em outubro, maior patamar desde 2010.

A fatia de famílias inadimplentes também recuou, do ápice histórico de 30,5% para 30%, ainda superior aos 29,4% do ano anterior.

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A proporção de famílias que declararam não ter condições de pagar as dívidas em atraso, ou seja, que permanecerão inadimplentes, completa o trio de indicadores que diminuíram. Passou de 13,2%, em outubro, para 12,9%, em novembro, menor nível desde agosto e igual ao de novembro de 2024.

A inadimplência encolheu em todas as faixas, com maior redução entre famílias com renda entre 3 e 5 salários mínimos, que também lideraram a queda da parcela das que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas atrasadas.

Para a CNC, a pesquisa sugere melhora tanto da percepção quanto da estrutura das dívidas. No retrato geral, diminuiu o grupo que se considera “muito endividado” (16%) e aumentou o de “pouco endividado” (32,8%) e notou-se um esforço adicional das famílias com renda entre 3 e 5 salários mínimos para regularizar pendências.

A pesquisa considera como dívidas as contas a vencer nas modalidades cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.

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O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, comenta que o brasileiro aproveita a Black Friday para economizar nos presentes de fim de ano, pagando as faturas dessas compras com a segunda parcela do 13º salário. “Isso é um antídoto ao altíssimo nível de inadimplência e dos juros, principalmente do cartão de crédito, que são capazes de dobrar o valor de uma dívida em poucos meses”, destaca Bentes.

Inadimplência prolongada

A proporção de famílias com contas em atraso por mais de 90 dias caiu de 49% para 48,5%, o menor nível desde agosto, reduzindo parcialmente o impacto dos juros acumulados no estoque de dívidas.

A fatia de consumidores que têm mais da metade dos rendimentos comprometidos com dívidas, por sua vez, caiu de 19,1% para 18,8%, depois de um aumento de dois meses consecutivos. A maioria (56,7%) segue com 11% a 50% da renda comprometida, resultando em comprometimento médio de 29,5% em novembro.

Por outro lado, o porcentual de famílias com dívidas por mais de um ano subiu pelo terceiro mês seguido, para 32,1%.

Apesar do recuo esperado para dezembro, a CNC espera que 2025 encerre com famílias significativamente mais endividadas (+2,4 pontos porcentuais) e mais inadimplentes (+0,5 ponto porcentual) do que no fim de 2024.

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