O Copom manteve a Selic em 15% ao ano, como o esperado e em decisão unânime. Segundo o Itaú, o texto do colegiado divulgado após a decisão foi mais duro do que previsto. “O comunicado estabelece uma barra alta para um corte em janeiro. Saberemos mais sobre a estratégia do Copom com a divulgação da ata na terça-feira, quando poderemos revisitar nossa projeção de curto prazo. Mantemos um ciclo de afrouxamento de 225 pontos-base, com a taxa Selic encerrando o ano em 12,75% ao ano”, diz em nota.
Já o banco central dos EUA cortou suas taxas em 25 pontos-base, em placar dividido, também sem surpresas. O presidente do Fed, Jerome Powell, disse que agora a autoridade monetária entra em uma espécie de “compasso de espera”.
Para Rodrigo Salvador, sócio da Opensolo Capital, a queda anunciada ontem pelo Fed — a terceira seguida — ocorreu fundamentalmente pela necessidade de proteger o mercado de trabalho em deterioração.
“Embora a inflação permaneça acima da meta de 2% do banco central, os sinais de enfraquecimento do emprego — incluindo crescimento de vagas significativamente mais lento e desemprego elevado entre jovens e minorias — criaram urgência para flexibilizar a política monetária”, avalia Salvador, em nota.
Quanto aos dados de varejo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas do comércio varejista subiram 0,5% em outubro ante setembro. O resultado ficou igual ao teto das estimativas encontradas em pesquisa feita pelo Projeções Broadcast.
No câmbio, o dólar hoje encerrou em queda de 0,45% ante moedas fortes no exterior. Em relação ao real, a moeda desvalorizou 1,17% a R$ 5,4044.
Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta quinta-feira (11)
Bolsas de NY ficam mistas após decisão do Fed e falas de Powell
No dia seguinte à decisão do Fed, os mercados ainda se recalibraram após o corte de juros de 25 pontos-base, mas com sinalização mais conservadora de que o banco central americano poderá fazer uma pausa em janeiro antes de outra redução.
Jerome Powell disse que seus membros não veem riscos de um declínio intenso do emprego nos EUA. O que o mercado de trabalho americano enfrenta é uma “desaceleração gradual”, avaliou.
Os índices em Nova York fecharam sem sinal único, com o Nasdaq registrando perdas de 0,25% por causa das ações da Oracle (ORCL), que despencaram mais de 10% após a empresa aumentar as projeções de gastos.
O conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse na quarta-feira que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciará sua escolha para presidente do Fed dentro de “uma ou duas semanas”. Segundo Trump, Hassett é o favorito para ocupar o cargo em maio de 2026.
Vendas do varejo crescem 0,5% no teto das projeções
As vendas do comércio varejista subiram 0,5% em outubro ante setembro, na série com ajuste sazonal, resultado igual ao teto das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, com mediana de queda 0,1% e piso negativo de 1,4%.
Conforme informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na comparação com outubro de 2024, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo restrito tiveram alta de 1,1% em outubro, também próximo ao teto das projeções, de avanço de 1,2%, com piso de queda de 2,1% e mediana de estabilidade (0,0%).
Agenda econômica do dia
Na agenda econômica desta quinta-feira (11), o Tesouro Nacional vendeu 300 mil de 350 mil Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) ofertadas em leilão realizado nesta quinta-feira. Foram colocados dois vencimentos. O volume financeiro somou R$ 277,3 milhões.
O Tesouro também vendeu 3,6 milhões de 3,75 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) ofertadas em leilão. Foram colocados quatro vencimentos. O volume financeiro somou R$ 3,264 bilhões.
Nos Estados Unidos, o número de pedidos de auxílio-desemprego na semana encerrada em 6 de dezembro subiu 44 mil, a 236 mil, segundo pesquisa divulgada pelo Departamento do Trabalho nesta quinta-feira. O número veio acima da projeção da FactSet, que esperava alta a 213 mil.
Já o déficit comercial dos EUA caiu 10,9% em setembro ante agosto, a US$ 52,8 bilhões. Analistas consultados pela FactSet previam resultado negativo de US$ 66,6 bilhões no mês de setembro.
Ainda no radar, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reafirmou sua previsão para o crescimento da demanda global pela commodity este ano, em 1,3 milhão de barris por dia (bpd). Se confirmada a projeção, o consumo global somaria 105,14 milhões de bpd em 2025.
Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Maria Regina Silva, Luciana Xavier e Silvana Rocha, do Broadcast