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Títulos da Venezuela disparam após captura de Maduro e reacendem aposta em reestruturação da dívida

Bônus soberanos e da PDVSA sobem até 20%, mas bancos alertam para processo longo e complexo, com ganhos limitados no curto prazo

Por Isabela Ortiz

05/01/2026 | 15:34 Atualização: 05/01/2026 | 15:34

Gráfico de preços dos títulos da Venezuela dispara após a captura de Nicolás Maduro, com investidores apostando em uma eventual reestruturação da dívida do país. (Foto: Adobe Stock)
Gráfico de preços dos títulos da Venezuela dispara após a captura de Nicolás Maduro, com investidores apostando em uma eventual reestruturação da dívida do país. (Foto: Adobe Stock)

Os títulos da dívida da Venezuela, que estão em default (inadimplência) desde 2017, dispararam nesta segunda-feira após a captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, no fim de semana. O episódio reacendeu as expectativas do mercado em torno de uma possível reestruturação da dívida soberana do país – uma das maiores da história recente e, ao mesmo tempo, uma das mais complexas.

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Segundo informações da Reuters, os papéis emitidos pelo governo venezuelano e pela estatal petrolífera Petróleos de Venezuela (PDVSA) subiram até 8,5 centavos por dólar, o equivalente a uma valorização de cerca de 20%. Analistas avaliam que ainda há espaço para novas altas no curto prazo, diante da mudança abrupta no cenário político.

Em relatório a clientes, analistas do JPMorgan destacaram que os títulos da Venezuela e da PDVSA praticamente dobraram de preço ao longo de 2025, mas afirmaram que o mercado ainda pode registrar um repique adicional de até 10 pontos na abertura do pregão desta segunda-feira (5).

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Os bônus venezuelanos, que entraram em moratória em 2017, foram os de melhor desempenho global em 2025, quase dobrando de valor à medida que o então presidente dos EUA, Donald Trump, intensificava a pressão política e militar sobre o regime de Maduro.

Segundo dados da Tradeweb, o movimento desta segunda levou o título com vencimento em 2031 a quase 40 centavos por dólar. Outros papéis passaram a ser negociados entre 35 e 38 centavos, enquanto a maior parte da dívida da PDVSA avançou mais de 6 centavos, alcançando patamares próximos a 30 centavos por dólar.

Estimativas de analistas indicam que o governo venezuelano e a PDVSA deixaram de honrar títulos com valor de face de cerca de US$ 60 bilhões ainda em circulação. No entanto, a dívida externa total da Venezuela (que inclui outras obrigações da PDVSA, empréstimos bilaterais e sentenças arbitrais) é bem maior, variando entre US$ 150 bilhões e US$ 170 bilhões, a depender do tratamento dado a juros acumulados e decisões judiciais.

Reestruturação “excepcionalmente complexa”

Apesar do otimismo inicial, investidores alertam que qualquer processo de reestruturação da dívida venezuelana tende a ser longo, técnico e politicamente sensível, o que pode limitar ganhos adicionais nos preços dos títulos.

“A incerteza política persistente, a elevada probabilidade de uma reestruturação prolongada e a baixa visibilidade sobre a capacidade de pagamento da Venezuela devem impor um teto à valorização dos bônus”, afirmou Alejo Czerwonko, diretor de investimentos para mercados emergentes nas Américas do UBS Global Wealth Management.

Analistas do Citi avaliam que será necessário um arcabouço de negociação multifrentes e de longo prazo, dada a magnitude da dívida, a base de credores altamente fragmentada e os obstáculos legais e regulatórios, incluindo sanções impostas pelos Estados Unidos.

“Esperamos que a reestruturação da dívida da Venezuela seja excepcionalmente complexa, possivelmente comparável à da Grécia em 2012”, afirmaram em relatório. Segundo o banco, o desfecho será altamente sensível às premissas adotadas para a normalização do Produto Interno Bruto (PIB) no período pós-transição política e para o ritmo de recuperação da produção de petróleo.

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No cenário-base do Citi, a Venezuela imporia um haircut (redução usada para refletir risco, deságio ou calcular garantias) de 50% sobre o valor principal dos títulos atuais. Em troca, os credores receberiam um novo bônus com prazo de 20 anos, além de um título adicional de 10 anos, sem pagamento de juros (zero-coupon), como forma de compensar os juros não pagos desde 2017.

“Partimos do pressuposto de que a dívida precisaria ser reduzida para cerca de 85% da relação dívida/PIB no momento da reestruturação”, ante um nível próximo de 175% atualmente, afirmaram os analistas. “Assumindo que 14% da receita do petróleo seja destinada ao serviço da dívida externa, os novos títulos poderiam oferecer um cupom em torno de 4,4%”, concluíram.

 

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