A volatilidade do principal índice da B3 no mercado futuro acompanha a cautela generalizada nas bolsas de valores internacionais, em meio a tensões geopolíticas. Os índices futuros das bolsas de Nova York operam em baixa, seguindo a desvalorização externa.
Após invadir a Venezuela e levar à força para Nova York o presidente do país, Nicolás Maduro, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça tomar a Groenlândia e intervir na Colômbia. Há relatos de que o governo Trump planeja uma iniciativa abrangente para dominar a indústria petrolífera venezuelana nos próximos anos.
Ao mesmo tempo, os desdobramentos do caso Master dão espaço para um início negativo ou no mínimo volátil do Índice Bovespa hoje.
No câmbio, o dólar hoje avança levemente ante pares principais e ante o real. Após a abertura, a moeda americana subia 0,07%, a R$ 5,39 na venda.
Ibovespa futuro: os destaques do mercado de ações nesta quinta-feira (8)
Trump eleva tensão geopolítica e mira setor de defesa
Trump disse que conversou ontem com o presidente colombiano, Gustavo Petro, e que um encontro deve ocorrer em breve. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que os princípios da União Europeia se aplicam não apenas ao bloco, mas também à Groenlândia.
Em paralelo, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na quarta-feira, que não permitirá mais dividendos ou recompras de ações para empresas de defesa, pois, segundo ele, as prestadoras de serviços do setor estão remunerando seus acionistas com dividendos em grande intensidade e realizando grandes recompras de papéis, em detrimento do investimento em fábricas e equipamentos.
Petróleo sobe com efeito EUA-Venzuela
Como reflexo aos temores geopolíticos globais, os contratos futuros de petróleo intensificam ganhos acima de 1,40%, beneficiando petroleiras do setor. Os Os American Depositary Receipts (ADRs, recibos que permitem que investidores consigam comprar nos EUA ações de empresas não americanas) da Petrobras (PETR3; PETR4) sobem 0,35%, sugerindo um pregão positivo.
Já o minério de ferro fechou em queda de 0,37% hoje, na China, após despontar alta de 4% no último pregão. O reflexo já é sentido nos ADRs da Vale (VALE3), que cedem 0,77% no pré-mercado de Nova York.
Produção industrial fica estável em novembro
Um dia antes da divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025, o foco aqui é a produção industrial. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial ficou estável em novembro ante outubro.
O dado coincidiu com a mediana das estimativas. Já ante novembro de 2024, caiu 1,2%, na comparação com mediana de queda de 0,5% das projeções (-3,3% a alta de 2%).
O resultado da produção não deve alterar as expectativas de manutenção da taxa Selic e 15% ao ano no Comitê de Política Monetária (Copom) neste mês, apesar do viés de alta dos juros futuros nesta manhã
Caso Master segue no radar do mercado
Sobre o Banco Master, o ministro-relator do caso no Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, deve recuar da inspeção in loco no Banco Central, ao menos até o fim do período de recesso da Corte, que retoma os trabalhos no próximo dia 16.
Já a Polícia Federal analisa os ataques coordenados ao Banco Central após a liquidação do Banco Master para avaliar a abertura de um inquérito policial.
O recuo temporário do TCU pode atenuar a pressão sobre o Banco Central, mas as ações do setor financeiro devem seguir no radar do mercado. Ontem, os papéis registraram perdas na Bolsa.
Segundo analistas, uma eventual intervenção no Banco Central colocaria em risco a credibilidade da autarquia. Também permanece no foco a possibilidade de reversão da liquidação do Master, decretada em novembro pelo BC, embora especialistas considerem esse cenário pouco provável.
Além disso, persistem as incertezas sobre se a crise de liquidez do Master pode se espalhar pelo sistema financeiro como um todo, gerando custos adicionais para os consumidores.
Esses e outros dados do dia ficam no radar de investidores e podem impactar as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa futuro.