“A Bolsa brasileira operou em queda influenciada pelo vencimento de opções sobre ações – que aumenta a volatilidade e gera ajustes técnicos – e pela alta dos juros futuros, que pressiona ações mais sensíveis ao crédito e ao consumo”, explica Nicole Malka, especialista em mercado de capitais e sócia da The Hill Capital.
O destaque da agenda econômica do dia foi o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que cresceu 0,68% em novembro, na comparação com outubro e na série com ajuste sazonal. O resultado ficou acima da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava para uma alta de 0,35%. As estimativas do mercado iam de queda de 0,10% a crescimento de 0,80%.
“O IBC-Br corrobora nossa visão de cortes de juros apenas em março. Redução já em janeiro nos parece precipitada dada a incerteza do comportamento da atividade econômica, que apresentou bom desempenho em novembro, e a resiliência do mercado de trabalho”, afirma Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.
No mercado hoje, os papéis da Vale (VALE3) subiram 0,04%, corrigindo parte das perdas do último pregão, quando haviam recuado 0,09%. Já as ações da Petrobras (PETR3;PETR4) encerraram o dia no azul: as ordinárias (PETR3) avançaram 0,27% e as preferenciais (PETR4), 0,79%. O BTG Pactual cortou a recomendação da petroleira de compra para neutra, devido à visibilidade macro-política limitada e a flexibilidade financeira considerada restrita da companhia.
Em Nova York, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq caíram 0,06%, 0,17% e 0,06%, respectivamente. Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar que pode manter o diretor do Conselho Econômico Nacional (NEC, na sigla em inglês) da Casa Branca, Kevin Hassett, no cargo atual, os mercados de previsão passaram a precificar uma mudança clara de cenário para o comando do Federal Reserve (Fed): o ex-diretor do Fed Kevin Warsh assumiu a liderança como favorito para presidir o banco central americano.
O dólar hoje fechou em alta de 0,08% cotado a R$ 5,3726. “A leitura de um Fed potencialmente mais hawkish (duro) e independente de pressões políticas sustentou os títulos públicos americanos e deu suporte ao dólar globalmente”, destaca Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
No balanço da semana, o comportamento do dólar foi marcado por volatilidade pontual. “O mercado alternou momentos de aversão ao risco ligados a ruídos políticos e geopolíticos com sessões de alívio sustentadas pelo cenário externo mais benigno e pela postura firme do Banco Central brasileiro”, comenta João Duarte, sócio da ONE Investimentos.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram Copasa (CSMG3), Cosan (CSAN3) e Assaí (ASAI3).
Copasa (CSMG3): 2,51%, R$ 45,25
As ações da Copasa (CSMG3) registraram a maior alta do Ibovespa hoje e avançaram 2,51% a R$ 45,25.
A CSMG3 está em alta de 3,03% no mês. No ano, acumula uma valorização de 3,03%.
Cosan (CSAN3): 2,4%, R$ 5,13
Outro destaque positivo foi a Cosan (CSAN3), que terminou o pregão com alta de 2,4% cotada a R$ 5,13.
A CSAN3 está em baixa de 3,57% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 3,57%.
Assaí (ASAI3): 2,19%, R$ 7,45
Após recuar pela manhã, o Assaí (ASAI3) conseguiu se recuperar e fechou o dia com ganhos de 2,19% a R$ 7,45, mesmo com a alta dos juros futuros, fator que costuma penalizar ações mais cíclicas (sensíveis aos ciclos econômicos).
A ASAI3 está em alta de 3,47% no mês. No ano, acumula uma valorização de 3,47%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Vamos (VAMO3), Braskem (BRKM5) e Direcional (DIRR3).
Vamos (VAMO3): -9,09%, R$ 3,6
Os papéis da Vamos (VAMO3) sofreram a pior queda do Ibovespa hoje e derreteram 9,09% a R$ 3,6. O movimento apagou os ganhos da véspera, quando os ativos haviam disparado 7,61% e liderado as altas do índice da B3.
A VAMO3 está em alta de 11,46% no mês. No ano, acumula uma valorização de 11,46%.
Braskem (BRKM5): -5,84%, R$ 8,22
Entre as maiores baixas, os ativos da Braskem (BRKM5) cederam 5,84% a R$ 8,22. Ao Broadcast, o analista Rodrigo Brolo, sócio da AAX Investimentos, explicou que o movimento reflete um “ajuste técnico”, após o papel encontrar uma resistência relevante. Segundo ele, a ação bateu na média móvel de 200 dias, que representa o preço médio dos últimos 200 pregões. “Como não conseguiu romper esse nível, investidores passaram a realizar lucros e reduzir posições, o que aumentou a pressão vendedora, contribuindo para essa queda do papel hoje”, afirmou.
A BRKM5 está em alta de 4,18% no mês. No ano, acumula uma valorização de 4,18%.
Direcional (DIRR3): -5,7%, R$ 12,73
Os papéis da Direcional (DIRR3) completaram os destaques negativos do Ibovespa hoje e recuaram 5,7% a R$ 12,73. O movimento ocorreu após a empresa divulgar sua prévia operacional do quarto trimestre de 2025. Como mostramos aqui, o mercado reagiu negativamente ao ritmo de vendas considerado fraco, apesar dos números robustos de geração de caixa apresentados pela companhia.
A DIRR3 está em baixa de 9,84% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 9,84%.
*Com Estadão Conteúdo