A desvalorização do principal índice da B3 no mercado futuro acompanha a aversão ao risco no exterior, que deve pesar na precificação dos ativos financeiros. As bolsas europeias e os futuros em Nova York operam em forte queda diante da piora da percepção geopolítica envolvendo EUA e Groenlândia.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas progressivas sobre produtos de oito países europeus para forçar um acordo sobre a compra da Groenlândia, com alíquotas de 10% a partir de fevereiro de 2026 e de 25% em junho, caso não haja avanço nas negociações.
A forte queda do petróleo (0,60%) e do minério de ferro (2,58%) também tendem a pressionar as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) e da Vale (VALE3). Apesar disso, no pré-mercado de Nova York, seus American Depositary Receipts (ADRs, recibos que permitem que investidores consigam comprar nos EUA ações de empresas não americanas) da Vale (VALE3) subiam 0,27% e 0,04% respectivamente.
No câmbio, o dólar hoje se desvaloriza frente a moedas fortes no exterior, enquanto testa alta ante o real. Após a abertura, a moeda americana subia 0,16%, a R$ 5,37 na venda.
Ibovespa futuro: os destaques do mercado de ações nesta segunda-feira (19)
FGC inicia pagamentos a investidores do Master
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) inicia hoje o pagamento aos 150 mil investidores que já concluíram o pedido de reembolso do Banco Master, de um universo de 800 mil elegíveis. A liberação dos recursos ocorre cerca de dois meses após a decretação da liquidação extrajudicial das instituições pelo Banco Central (BC).
Segundo o FGC, não há fila de espera após a liberação do sistema. Assim que a base de credores é recebida e validada, o fundo informa a disponibilidade para que os investidores completem a solicitação da garantia. “Quando a lista é consolidada, o sistema fica disponível e o credor pode seguir com o pedido. Não existe priorização ou intermediação”, explicou o FGC. Confira todos os detalhes nesta reportagem do E-Investidor.
Focus traz leve alívio da inflação em 2026
O boletim Focus do Banco Central (BC) atualizou, nesta segunda-feira (19), as previsões para os principais indicadores econômicos, incluindo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e taxa Selic.
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 oscilou de 4,05% para 4,02%. A taxa está 0,48 ponto porcentual abaixo do teto da meta contínua de inflação, de 4,50%. Há um mês, era de 4,06% Considerando apenas as 51 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida subiu de 4,00% para 4,02%.
A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,25%. Considerando só as 51 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana seguiu em 12,00%.
O que mais repercute no Ibovespa hoje
Sem dados locais relevantes no curto prazo, os investidores ficam no aguardo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e da reunião do Copom de janeiro, que ocorrem na próxima semana, com expectativa predominante de manutenção da Selic. O cenário reflete os resultados fortes de IBC-Br, serviços e varejo em novembro, que ajudaram a puxar os juros futuros para cima.
No campo comercial, deve repercutir o acordo do Mercosul com a União Europeia, que prevê a eliminação de tarifas para 92% das exportações do bloco sul-americano, estimadas em cerca de US$ 61 bilhões. O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que a Casa dará celeridade à tramitação do acordo.
Esses e outros dados do dia ficam no radar de investidores e podem impactar as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa futuro.
*Com informações de Silvana Rocha e Luciana Xavier, do Broadcast