O movimento ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar impor tarifas sobre importações de oito países da Europa, integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), como forma de pressionar por um acordo relacionado à Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca. Segundo declarações recentes, as tarifas podem começar em 10% já em fevereiro e subir para até 25% a partir do meio do ano, caso não haja avanços diplomáticos.
A União Europeia avalia medidas de retaliação, que incluem tarifas sobre produtos americanos e possíveis sanções econômicas adicionais. Autoridades do bloco indicaram que uma resposta seria proporcional e coordenada, o que elevou o grau de incerteza nos mercados globais e reacendeu temores sobre uma nova escalada de conflitos comerciais entre economias desenvolvidas.
Analistas veem o episódio como parte da estratégia de negociação de Trump, baseada em ameaças iniciais mais agressivas para forçar concessões. Para o mercado, no entanto, o efeito imediato tende a ser de maior volatilidade, com redução do apetite por ativos de risco no curto prazo.
No câmbio, o dólar fechou em alta de 0,31% frente ao real. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de divisas globais, recuou 0,76%, indicando perda de força do dólar no mercado internacional.
No mercado de renda fixa, os títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries, voltaram a atrair atenção como ativo de proteção. Esses papéis, emitidos pelo governo dos Estados Unidos e considerados referência global de segurança, apresentaram movimentações voláteis diante da reprecificação do risco geopolítico.
A agenda internacional seguiu carregada nesta semana com o Fórum Econômico Mundial, em Davos, que reúne líderes políticos e empresariais em meio a um cenário de piora geopolítica, preocupações com crescimento econômico e alertas sobre possíveis excessos em setores como tecnologia e inteligência artificial.
No campo corporativo, a temporada de balanços ganha tração. A Netflix divulga resultados do quarto trimestre de 2025 nesta terça-feira, enquanto Procter & Gamble e Intel apresentam seus números na quinta-feira (22). Os balanços devem ajudar a calibrar as expectativas sobre a saúde das empresas americanas em um ambiente de juros elevados e maior incerteza global.
Com informações da Reuters e da Broadcast.