Com o fim das operações do banco digital, que pertencia ao conglomerado do Banco Master, as preocupações sobre os próximos passos da liquidação extrajudicial recaem sobre os investidores de títulos de dívidas emitidos pela instituição. Segundo dados mais recentes do Banco Central, o Will Bank possuía mais de R$ 6,5 bilhões de depósitos a prazos que, segundo especialistas, correspondem majoritariamente emissões de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). O banco conta ainda com cerca de R$ 1,2 bilhão em Letras Financeiras (LFs).
A partir de agora, os recursos relacionados aos CDBs entram no radar do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) que assegura o ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF nessas aplicações caso a instituição financeira sofra alguma intervenção, liquidação ou falência. A cobertura inclui tanto o valor nominal quanto os rendimentos alcançados com o investimento.
O processo de pagamento será semelhante ao do Master. O FGC só dá início ao ressarcimento após o envio da lista de credores pelo banco liquidado ao fundo garantidor. No caso do Master, o tempo entre a liquidação e a liberação dos recursos durou quase dois meses. Como mostramos aqui, a entidade privada anunciou no último sábado (17) o início do pagamento das garantias aos investidores que aplicaram recursos em CDBs da instituição que era comandada por Daniel Vorcaro. Segundo o FGC, o ressarcimento de R$ 40,6 bilhões atende cerca de 800 mil credores.
Quanto às Letras Financeiras, a devolução dos recursos ocorre de forma diferente. Como essas aplicações não contam com a cobertura do FGC, os investidores que possuem esses títulos na carteira entram na lista de credores do banco durante o processo de liquidação. Dívidas trabalhistas e tributárias ganham prioridade nesse processo, enquanto o ressarcimento de investidores fica no fim da lista de pagamento. Se sobrar algum saldo, o liquidante direciona os recursos remanescente a esses credores.