O ambiente externo segue favorável ao risco nesta quinta-feira (22), refletindo um ambiente de menor aversão ao risco, em meio ao arrefecimento recente das tensões geopolíticas e à divulgação de dados econômicos dentro do esperado nos Estados Unidos. Em Nova York, os principais índices avançam, liderados pelo setor de tecnologia, com destaque para fabricantes de chips, enquanto os rendimentos dos Treasuries, títulos do tesouro americano, sobem de forma gradual.
Os números de inflação reforçaram a leitura de desinflação ordenada: o índice de preços de gastos com consumo (PCE), métrica preferida do Federal Reserve, banco central dos EUA, avançou a uma taxa anualizada de 2,8% no terceiro trimestre, com núcleo em 2,9%, em linha com as estimativas. O resultado mantém o cenário de crescimento resiliente sem pressão inflacionária excessiva, sustentando uma postura mais paciente do Fed.
Nesse contexto, o dólar perde força frente a moedas de países emergentes, enquanto o petróleo recua diante da percepção de oferta mais abundante à frente e o minério de ferro permaneceu estável no mercado asiático.
No Brasil, o Ibovespa renova máximas históricas e avança pela quarta sessão consecutiva, impulsionado pela continuidade do fluxo estrangeiro e pela atratividade relativa dos ativos locais. O índice apresenta desempenho superior ao das bolsas internacionais, com Vale (VALE3) e os grandes bancos liderando os ganhos. Por volta das 14h, o Ibovespa subia 2,88%, aos 176.762 pontos, enquanto o giro financeiro seguia elevado.
No câmbio, o real se fortalece com o ambiente externo mais construtivo e o diferencial de juros, com o dólar recuando 0,42% frente à moeda doméstica, cotado a R$ 5,29. Já a curva de juros futuros opera com viés negativo e oscilações limitadas, embora a ponta mais longa apresente leve pressão após o leilão de títulos prefixados do Tesouro e a alta dos yields internacionais.
Entre as ações negociadas na B3, o pregão é marcado por alta disseminada, com destaque para os papéis de maior liquidez, favorecidos pelo ingresso contínuo de capital estrangeiro. Vale e os grandes bancos seguem como principais vetores do avanço do índice, enquanto ações mais sensíveis ao ciclo doméstico mantêm desempenho firme, em linha com a perspectiva mais favorável para os juros à frente.
Destaques pontuais incluem Braskem (BRKM5), que avança diante de expectativas relacionadas à reorganização de sua estrutura de capital, e Sabesp (SBSP3), apoiada pelo progresso em seu processo de reestruturação societária. Em sentido oposto, empresas do setor de óleo e gás exibem performance mais contida, acompanhando o recuo das cotações do petróleo no mercado internacional.
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