Ray Dalio alerta em Davos: ciclos históricos indicam erosão da ordem monetária global
Fundador da Bridgewater diz que dívida, política, tecnologia e inteligência artificial estão acelerando mudanças profundas na economia e na ordem mundial
Em Davos, Ray Dalio afirma que padrões históricos de moedas de reserva estão se repetindo e alerta para os impactos da dívida, da política e da inteligência artificial na economia global. | Getty Images
Líderes de diferentes setores se reuniram recentemente em Davos, na Suíça, para uma série especial de conversas promovidas pela Fortune na USA House, com foco no estado da economia dos Estados Unidos, inovação empresarial e novas fronteiras de crescimento.
Investidor há mais de 50 anos, o fundador da Bridgewater Associates, Ray Dalio, disse ao editor-chefe internacional da Fortune, Kamal Ahmed, que, após estudar a ascensão e o declínio das moedas de reserva dos grandes impérios ao longo dos últimos 500 anos, vê os mesmos padrões se repetindo “como em um filme”.
Segundo Dalio, tudo se resume à interação de cinco forças principais: dinheiro e dívida, política doméstica, ordem mundial, natureza e tecnologia. Para ele, todos os grandes desafios atuais estão inseridos na dinâmica entre essas forças e seus ciclos de longo prazo.
Quando a dívida cresce mais rápido do que a renda, os governos enfrentam uma escolha difícil entre crises severas de endividamento ou a impressão de dinheiro, o que corrói gradualmente a ordem monetária existente. Com o tempo, isso gera conflitos políticos internos, à medida que aumentam as desigualdades de riqueza e valores e se enfraquece a confiança nas instituições democráticas.
Ao mesmo tempo, a ordem global baseada em regras, liderada pelos Estados Unidos desde o pós-Segunda Guerra Mundial, está se desintegrando. Isso ocorre porque a aplicação dessas “regras globais” depende, em última instância, das nações mais poderosas — que nem sempre as cumprem, explicou Dalio. “Quem cria as regras, quem as faz valer e como lidar com isso?”, questionou.
Além disso, choques da natureza, como pandemias e eventos climáticos extremos, e ondas de novas tecnologias vêm desorganizando economias e estruturas de poder.
“E certamente estamos vivendo uma das maiores invenções — talvez a maior — quando a inteligência humana passa a trabalhar em conjunto com a inteligência artificial”, afirmou Dalio.
A inteligência artificial segue como prioridade central para líderes empresariais e foi o tema mais debatido em Davos por executivos como Dara Khosrowshahi (CEO da Uber), Robin Vince (CEO do BNY) e Vas Narasimhan (CEO da Novartis).
Esta reportagem foi originalmente publicada em Fortune.com e foi traduzida com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial e revisada por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.