Na avaliação do Santander, a adição de reservas é “positiva”, sobretudo por estar associada ao forte desempenho operacional da Petrobras em 2025, com crescimento de produção acima de 11% na comparação anual. O banco observa que a relação entre reservas e produção (R/P), calculada com base nos dados do ano passado, ficou em 12,5 anos, patamar considerado confortável no médio prazo.
Ainda assim, o Santander projeta que a produção deve começar a declinar por volta de 2035, o que reforça a necessidade de a companhia avançar em novas frentes exploratórias.
Margem Equatorial e Pelotas: a discussão de longo prazo
Esse ponto converge com a leitura da Genial Investimentos, que classificou a certificação de reservas como um “dever de casa bem feito”. Para a casa, os dados reforçam a qualidade econômica do portfólio de E&P, especialmente pela elevada produtividade e pelos baixos custos operacionais dos ativos do pré-sal. Com o barril do tipo Brent em 2025 cerca de US$ 10 abaixo da curva utilizada na certificação do ano anterior, a Petrobras conseguiu elevar significativamente a taxa de reposição de reservas.
Do ponto de vista técnico, a Genial explica que a leve redução do indicador R/P (de 13,2 para 12,5 anos) não deve ser interpretada como deterioração estrutural. “A queda no indicador está relacionada ao expressivo aumento na produção da empresa”, avalia a corretora.
Além disso, a posição de reservas reportada com base em 2025 representou um incremento de 700 milhões de boe, frente a 400 milhões no ano anterior, um avanço de 75% ano contra ano nas novas descobertas.
Já o Santander chama atenção para o horizonte de longo prazo e para o tempo de maturação dos projetos exploratórios. Segundo o banco, pode levar cerca de sete anos entre a descoberta de petróleo e a primeira produção, o que torna estratégico o avanço em novas bacias, como a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas. Essa necessidade ganha ainda mais relevância diante da expectativa de declínio natural da produção do pré-sal a partir da próxima década.
A Genial também destaca a Margem Equatorial como tema central na discussão sobre reservas, ressaltando que, para um período relativamente curto de tempo, é fundamental haver boa visibilidade de novas áreas exploratórias para evitar riscos de escassez no futuro. Ao mesmo tempo, a casa reforça que o foco da Petrobras deve permanecer em sua principal atividade, a Exploração & Produção, em que a companhia tem clara vantagem competitiva.
Recomendações para PETR4
Apesar do tom positivo em relação às reservas certificadas em 2025, nenhuma das duas instituições vê o anúncio como gatilho suficiente para uma reprecificação relevante das ações no curto prazo.
A Genial mantém recomendação de “manter“, com preço-alvo de R$ 44,00, citando incertezas ligadas ao Plano Estratégico 2026–2030, ao ambiente macroeconômico e a riscos de execução em negócios fora de Exploração & Produção (E&P).
O Santander, por sua vez, adota postura cautelosa, com recomendação “neutra” e preço-alvo de US$ 13,00 para a ação ordinária, o que implica potencial de queda de 15,4% em relação ao último fechamento.
Os relatórios mostram que a Petrobras (PETR3; PETR4) conseguiu repor reservas de petróleo de forma consistente mesmo em um cenário de petróleo mais barato ao longo de 2025, sustentada por eficiência operacional e ativos de baixo custo.