Atualmente, a Tether detém um volume estimado de US$ 24 bilhões em ouro, o maior entre todos os detentores fora governos, bancos centrais e grandes ETFs. Como revela uma nova reportagem da revista Fortune, o acúmulo do metal reflete a crença do CEO da Tether de que as economias ocidentais estão se desintegrando e de que sua empresa pode funcionar como uma âncora de estabilidade em um mundo instável.
O uso de cofres suíços para armazenar cerca de 140 toneladas de ouro — que lastreiam o token atrelado ao metal, mas também integram o próprio tesouro da companhia — ocorre em meio a uma disparada histórica dos metais preciosos.
Não é a primeira vez que o universo cripto recorre à Suíça. Uma das primeiras empresas de custódia de criptomoedas, a Xapo, armazenava bitcoins de clientes em um bunker sob uma montanha suíça. A empresa foi fundada em 2013 pelo argentino Wences Casares, que circulava entre os pioneiros do bitcoin, e vendeu a divisão de custódia para a Coinbase em 2019.
Ouro supera bitcoin nos últimos cinco anos
Durante esse rali, o ouro acumulou alta de 83% no último ano, enquanto o bitcoin — o chamado “ouro digital” — registrou queda de 20%. No horizonte de longo prazo, o metal precioso também superou a criptomoeda original: o ouro sobe 174% nos últimos cinco anos, contra uma valorização de 142% do bitcoin no mesmo período.
Investidores estão apostando contra o dólar, o que, em tese, deveria favorecer o mercado cripto. Na prática, porém, os recursos têm migrado para o ouro, deixando o bitcoin para trás. Investidores mais jovens vinham promovendo as criptomoedas como o futuro das finanças e um caminho para enriquecer mais rápido. Para frustração desse grupo, são os compradores de ouro — tradicionalmente associados a gerações mais velhas — que estão colhendo os ganhos.
O ano passado foi decepcionante para os entusiastas de cripto, e 2026 não parece muito diferente. O bitcoin acumula queda de quase 35% desde outubro, sendo negociado atualmente em torno de US$ 83 mil, segundo a Binance. Outras criptomoedas, como Ethereum e Solana, também recuaram 30% e 37%, respectivamente, nos últimos três meses.
Um analista avalia que o bitcoin ainda pode cair mais, diante do ambiente macroeconômico turbulento. “Não acho que níveis abaixo de US$ 70 mil estejam fora de cogitação para o bitcoin — não necessariamente hoje, mas isso vai depender muito do que acontecer com o Irã e do sentimento geral do mercado”, afirmou Russell Thompson, CIO do Hilbert Group.
Esta história foi originalmente apresentada em Fortune.com e foi traduzido com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.